Somos ou não somos?
Já havia tratado do tema neste espaço, em texto publicado no dia 4 de julho de 2011 intitulado ‘O brasileiro é um grande idiota’. Volto à carga depois da publicação de um artigo do jornalista Kenneth Rapoza na versão online da Revista Forbes, dos Estados Unidos, com o título em inglês ‘Brazil’s ridiculous $80,000 Jeep Grand Cherokee’, que, traduzido ao pé da letra, fica ‘O Jeep Grand Cherokee brasileiro de ridículos US$ 80 mil’.
Depois de discorrer sobre o assunto, Kenneth Rapoza adverte: “Desculpem, Brazukas… Não há status em um Toyota Corolla, Honda Civic, Jeep Grand ou Dodge Durango. Não se deixe enganar pagando o preço de tabela. Definitivamente, você está sendo enganado”. O detalhe do status merece destaque no texto do jornalista. Ele afirma que o brasileiro, em vez de reclamar do alto preço, considera que ao pagar um valor três a quatro vezes maior que nos Estados Unidos lhe confere status.
Rapoza também compara a situação financeira do brasileiro à dos estadunidenses para lembrar que, apesar de pagar mais, os brasileiros ganham menos. O preço nos EUA do Jeep Grand Cherokee equivale à metade da renda anual média dos estadunidenses, enquanto no Brasil é mais do que o salário de um ano do trabalhador.
Onde está o problema? Aí, Rapoza tropeça, ao sugerir que os preços “ridículos” têm origem na alta carga tributária brasileira. Não é. O jornalista Silvio Crespo, autor do blog Radar Econômico, do ‘O Estado de São Paulo’, publicou em setembro do ano passado ‘Carro no Brasil seria mais caro mesmo sem imposto’. No texto, ele mostra, a partir de dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), que os preços abusivos do mercado brasileiro são provenientes dos impostos e dos altos lucros das empresas.
Os impostos sobre automóveis no Brasil são bem mais altos que nos EUA e na Europa. “Eles equivalem a 30,4% do preço médio de um carro, segundo a Anfavea. Na Itália, no Reino Unido, na França e na Alemanha, essa proporção varia entre 15% e 17%. No Japão, é de 9,1%; nos EUA, de 6,1%”, diz Crespo. Tirando os impostos, no entanto, os preços para os brasileiros continuam muito salgados. Crespo cita vários exemplos. O Chevrolet Malibu custaria R$ 57.176 sem impostos, preço mais alto do que os R$ 38.840 cobrados nos Estados Unidos, com impostos. “O Fiat Punto 1.4 2012 sai por R$ 40.308 no Brasil (em Manaus é mais caro). Sem IPI, ICMS e PIS/Cofins, poderia custar bem menos: R$ 28.104. Na Europa, o preço é de R$ 30 mil com impostos e R$ 25 mil sem”, escreve o jornalista.
Na ocasião anterior, citei frase de um executivo da Mercedes-Benz; peço licença dos leitores para repeti-la: “O preço não tem nada a ver com o custo do produto. Quem define o preço é o mercado”. Esse mesmo executivo questiona: “Se o brasileiro aceita pagar o preço cobrado, por que as empresas cobrariam menos?” Ou seja…
Mas não é só no mercado de veículos que o brasileiro vira “sapo debaixo do pé do boi”. Já cansei de repetir que pagamos os preços mais absurdos em quase tudo que compramos no País. A carne brasileira exportada para a Europa é mais barata lá do que nos supermercados brasileiros.
E a gasolina brasileira? Se o governo alega que há nove anos não há reajuste de preço desse combustível (e agora precisa aumentar), então significa que estávamos pagando, há nove anos, um valor 73,24% maior? Esse percentual é a variação da inflação de agosto de 2003 a agosto de 2012, do Índice Geral de Preços de Mercado (IGP-M) da FGV.
Pois bem, somos ou não somos?
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perfildoautor
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Jornalista, com mestrado em Sociedade e Cultura na Amazônia (Ufam). Trabalha no DIÁRIO DO AMAZONAS desde 2003, atuando como repórter de Cidade e Política e como articulista. Atualmente exerce a função de editor de política e opinião do jornal.
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Infelizmente faltou lerambr que o piso salarial das redes municipais de educae7e3o e9 ainda menor, geralmente salario mednimo.Mas aumentar o piso resolve? A faixa de renda media do brasileiro ate9 algum tempo era se ne3o me engano de R$ 815, bem abaixo do piso da Profaa Amanda. Ne3o computamos escolaridade ou nedvel de conhecimento, mas a me9dia ne3o sf3 leva em conta os desempregados e os super-remunerados, como tambe9m reflete a renda de uma grande percentual da populae7e3o.Eu particularmente gastei 8 anos no ensino superior em varias areas, fora formae7e3o te9cnica extra-escolar, a carga hore1rio e9 de umas 12 horas em dias de semana e 5 aos sabados, o modo de ter um pouco de renda extra alguma vez por ano e9 vender os 20 dias de fe9rias ente3o se me comparo a Profaa Amanda ela este1 melhor que eu, porque ganha mais, tem carga horaria menor, e tem mais fe9rias e talvez investiu menos em formae7e3o pra chegar aonde chegou .Claro que trabalho como trabalho e ganho o que ganho por ope7e3o, ninguem me obriga a trabalhar nessas condie7f5es. Mas ninguem obriga nenhum professor a trabalhar nessas condie7f5es. Aqui em meu estado a rede estadual de professores do ensino me9dio este1 em greve por aumento salarial, eu sempre que estive insatisfeito com o salario troquei de emprego, mas funcione1rios publicos tem vise3o diferentes, eles ne3o querem perder o que nf3s contribuintes e funcione1rios particulares chamamos de mamatas, que e9 a possibilidade de ter faltas, ferias, benefedcios como emprestimos com juros baixos e etc, e com estabilidade de emprego. Nunca ved greve em empresa particular de pequeno ou me9dio porte.Na minha area de atuae7e3o atendo muitos professores, todos com renda superior a minha, e nenhum deles tem conhecimento avane7ado em nenhuma area (Pra ne3o falar que ne3o se3o nada mais inteligentes que a media, que ne3o se3o pocotf3s tambe9m) que a MEU VER justificaria um salario muito alto. Uma expresse3o que escuto de alguns quando fazem concurso publico e9: Vou arranjar um trabalho pra me encostar algum tempo , pelo que entendo significa trabalhar pouco e ganhar bem, porque a media do trabalhador brasileiro trabalha muito e ganha pouco, aumentar o salario sf3 dos professores e manter a media nacional baixa ne3o equaliza a balane7a, quem trabalha muito, com horas extras pra chegar os R$ 930 por mes, geralmente ne3o educa os filhos em casa, deixa pra escola educar, ente3o a escola precisa escolarizar e educar ao mesmo tempo, claro que o stress dos professores aumenta. Aumento de salario ne3o e9 a fanica solue7e3o pra qualquer problema.