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Dilma e os bancos

A presidente Dilma Rousseff tem sido para mim uma grata surpresa. Não recebeu meu voto em 2010. E nada tem a ver com gênero. Sou defensor da alternância no poder e votei nas últimas eleições gerais com esse propósito: de substituir o grupo que governava o País há oito anos e já tão cheio de vícios. Vejam o exemplo do grupo que se perpetuou no poder no Amazonas desde os tempos da ditadura militar. Sem outro grupo que os ameacem, a acomodação é inevitável, jogando às costas dos cidadãos um pesado fardo.

Não acredito no PT (o partido do qual fui simpatizante desde a minha juventude até a subida de Lula ao poder), mas Dilma tem-se mostrado uma das raras exceções na legenda a contrariar a política do “farinha pouca, meu pirão primeiro”. A mais nova surpresa da presidente é a derrubada nas taxas de juros dos bancos. Lula passou oito anos e nada fez para pôr freio à voracidade de um segmento que tripudia sobre todos os brasileiros, ricos e pobres, mas que ao fim e ao cabo, se enriquece às custas dos mais desprotegidos e sem recursos.

Uma medida a partir de um raciocínio simples: ora, se o governo tem poder sobre os bancos públicos, por que não exigir que eles reduzam as taxas de juros, consideradas as mais altas do mundo? E bastou que o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal anunciassem a queda para os bancos privados seguirem o exemplo. Logicamente que os bancos privados ainda resistem à nova política monetária e fazem manobras para garantir seus lucros exorbitantes, como o aumento das taxas de serviços registrado na maioria das instituições.

A sociedade não merece ser roubada por instituições sob a proteção da lei. Um cidadão que trabalha duro para comprar um automóvel, por exemplo, não pode ser duplamente penalizado porque não dispõe de recursos para comprá-lo à vista e precisa recorrer a um financiamento. Os preços dos carros no Brasil já são os mais altos do mundo. Com o financiamento, esse preço se torna um absurdo inaceitável. Como não tinha a quem recorrer, os cidadãos engoliam calados e se submetiam ao “assalto” dos bancos.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, em entrevista ao ‘Poder e Política’, projeto do Grupo Folha conduzido pelo jornalista Fernando Rodrigues, mostrou que o governo não está satisfeito com o comportamento dos bancos privados e espera um esforço maior para baixar ainda mais os juros e elevar a oferta de crédito. Mantega disse que é necessário um tempo para que as instituições privadas se adaptem à nova realidade do País, mas espera que em 30 dias elas tenham reduzido entre 30% e 40% os juros. O Banco Central, segundo Mantega, está acompanhando o comportamento da privatagem.

Os bancos públicos, por seu lado, vão continuar a praticar juros “mais agressivos” para forçar os concorrentes a baixar suas taxas, e vão aumentar o volume de crédito. O recado é claro: se a concorrência não mudar, perderá clientes para os bancos públicos.

Portanto, Dilma e sua equipe perceberam que um País não consegue ser rico se sua população não pode usufruir da riqueza. O slogan do governo da presidente (País rico é país sem pobreza) começa a ganhar sentido, porque o que define uma pessoa numa classe social é o seu poder de compra e não o valor do salário.

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