Analfabetismo Científico
O cientista amazonense Alberto Santoro será o principal palestrante do Fórum Senado Brasil 2012, organizado pelo Senado Federal, no final de maio, para discutir ciência. Santoro lidera a equipe brasileira na fronteira franco-suíça em um dos maiores projetos científicos, o Large Hadron Collider (LHC), lançado no final de 2008, ou em português, o Grande Colisor de Hádrons, da Organização Européia para a Pesquisa Nuclear (Cern). Trata-se do maior acelerador de partículas e o de maior energia existente no mundo. Mas o que chama a atenção é que o tema a ser apresentado por Santoro (‘Desafios Científicos do século 21’) tem como ponto de partida o ‘analfabetismo científico’ no Brasil. O termo aparece em matéria de divulgação do evento no site do Senado.
O analfabetismo científico é a ignorância sobre os conhecimentos mais básicos de ciência e tecnologia que qualquer pessoa precisa ter para sobreviver rezoavelmente em uma sociedade moderna; níveis insuficientes de pensamento crítico e baixa resistência a informações sem base cientítica; e maior tentência a apresentar pensamento irracional nos assuntos do cotidiano e nas decisões pessoais. Tal conceito é de Renato Sabbatini, da Unicamp.
Em material disponível na web, Sabbatini dá uma série de dados sobre o que considera analfabetismo científico e apresenta uma lista de crenças pseudocientíficas nos Estados Unidos: 20% das pessoas acreditam que o Sol gira em torno da Terra; 30% acreditam na existência de discos voadores; 38% acreditam em espíritos de mortos e casas mal assombradas; 41% consideram a astrologia uma ciência válida; 43% acreditam que a criação do Universo e da vida ocorreu exatamente como a bíblia descreve; 50% acreditam em percepção extra-sensorial e outros fenômenos parapsicolóogicos; 66% acreditam em possessão demoníaca; 86% não aceitam a teoria darwiniana da evolução da espécie; 88% acreditam na eficácia de algum tipo de terapia alternativa, e 60% das escolas médicas já as ensinam em nível de graduação.
Esses dados me fizeram refletir sobre a causa dessas crenças em detrimento da ciência. Os meios de comunicação, claro, cumprem importante papel. Mas não está no jornalismo a solução. O jornalismo, aliás, cumpre um papel muito tímido na teia de relações da mídia em geral com as pessoas. A força de uma publicação científica (e no Brasil há revistas especializadas em ciência e tecnologia de qualidade inquestionável) é insignificante comparada à do cinema, por exemplo, e da televisão. O trabalho de anos a fio de uma publicação séria é suplantado por um filme, assistido e reassistido inúmeras vezes. A televisão está cheia de exemplos, nas novelas, principalmente, de crendices e de eventos sobrenaturais.
Cabe à escola o papel fundamental no combate ao analfabetismo científico. E os números estão a mostrar que ela não tem conseguido. As ciências têm um espaço muito reduzido na sala de aula e não é de hoje. E não é com projetinhos graciosos que se vai atingir esse objetivo, mas melhorando a qualidade do ensino das ciências, desde os primeiros anos da vida escolar dos alunos.
Ou se investe mais nesse processo ou o brilhantismo de brasileiros como Alberto Santoro será cada vez mais raro. Santoro, aliás, é daqueles que preisaram deixar sua terra natal para realizar o sonho de ser pesquisador.
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perfildoautor
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Jornalista, com mestrado em Sociedade e Cultura na Amazônia (Ufam). Trabalha no DIÁRIO DO AMAZONAS desde 2003, atuando como repórter de Cidade e Política e como articulista. Atualmente exerce a função de editor de política e opinião do jornal.
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Concordo que a ciência precisa de mais espaço nas salas de aula, e que isso reduziria o ‘analfabestismo científico’, mas ao entrar nos rumos das necessidades da educação, discutiremos a falta de estrutura, condições básicas de ensino e principalmente os salários de mestres que, em alguns casos (não vou generalizar), fazem milagres para passar o básico para uma platéia que luta contra o calor, o cansaço e as vezes até a fome. Outro ponto é a ‘ditadura da hipótese’. Deve-se considerar que a ciência ainda não provou muitas de suas teorias e, portanto, não deve ser apresentada como verdade absoluta. Há pessoas que tiveram acesso a maioria dessas hipóteses e mesmo assim não acreditam (eu me incluo). Acho que por melhor que seja a intenção de informar e ensinar, não dá pra dizer as pesssoas no que devem acreditar.
Deve-se considerar o Brsil como um país cristao e a ciencia nao aceitv um Deus e por isso nao tem como creem na teoria da evoluçao pois descarta o mesmo…
Caro, acho que está meio que fanatico pela ciencia, digo-lhe com precisão, ja que a ciencia é ponto de descoberta da maiorias das coisas, claro que sim deve ser debatido a ciencia e sim aprofundá-la, mais o texto da uma ideia de fanatismo e verdade absoluta, e cientificamente isso não é comprovado, tavez uma recapitulada do texto deixa que todos não se intimidem e participem afim de que a ciencia se concretise como todo, e para isso é necessário a opinião da adversidade,afinal estamos falando de ciencia e isso envolve pesquisas.e respeito e atenção minuciosa dos que nos cercam, pois talvez assim como dita a sua ciencia, poderemos está procurando caminhos mais longo com um curto a segui,logo refletir antes de tudo considero ideal além do que se encaixa com a ciencia.
Dois aspectos:
!-com relação a escolaridade nacional devemos ao fato do próprio povo que, se quer, saber votar. Resultado: politicagem etc.
Já tivemos num passado, não muito remoto, qualidade de ensino público várias vezes melhor do que hoje é apresentado.
Há que se estudar a influêncis dos processos de comunicação (ciência), dos valores da moral política (ciência) da globalização (ciência) para entender o porque do estado de “ignorância social”.
2-com relação ao que você se refere a “crendices” referidos no quadro estatístico entendo, especialmente a falta de ética quando nos referimos a fenomenos que desconhecemos,nos negamos a estudá-los devidamente para então nos manifestarmos a seu respeito.
Se pretender conhecer algo a respeito da construção de um prédio, consulto um engenheiro civil; se minha dúvida é alguma questão medicinal, consulto um médico;se quiser entender questões esotéricas, consulto algum estudioso no assunto!
Tenho minhas restrições àqueles, rádicais, que pretendem entender de tudo e saber distinguir o certo do errado.
Como dizem os sábios: O homem está na infância do aprendizado e temos muito a avançar neste campo.