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Valmir Lima

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Escassez de ética

Onde estão os homens éticos deste País? A questão me veio à cabeça depois de uma série de suspeitas que se apressentaram na imprensa nos últimos dias contra o novo ministro das Cidades, deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), apresentado pelo Palácio do Planalto como o substituto de Mário Negromonte, que dexou o cargo exatamente por suspeitas de irregularidades. O mais preocupante é que tais histórias tem-se repetido em Brasília e a presidente Dilma Rousseff, por falta de homens e mulheres éticos nos partidos que lhe dão sustentação no Congresso Nacional, acaba aceitando o infortúnio.

Os últimos acontecimentos palacianos me levaram a conjecturar se Abraão, o homem mais temente a Deus da história do Antigo Testamento, teria aquela conversa com Deus sobre as cidades de Sodoma e Gomorra se o País que vivesse fosse o Brasil dos nossos dias. Guardadas as proporções, talvez Abraão perguntasse a Deus: “E se tiver 500 justos, o senhor destruirá também o País e não poupará o lugar por causa dos 500 justos que estão nele? Certamente que se Abraão tivesse tal coragem não levaria sua missão adiante se em lugar dos habitantes do País fossem os políticos brasileiros que estivessem para ser destruídos.

Vejam o caso do novo ministro. Enquanto não icomodava ninguém com sua atuação na Câmara dos Deputados, nada se sabia dele. Para muitos brasileiros atá a existência de Aguinaldo Ribeiro era desconhecida. Bastou a indicação para ministro para se abrirem as cortinas da vida pregressa que mais parece uma peça bem ensaiada sobre a vida dos políticos deste País, tão rico e tão pobre ao mesmo tempo.

Aguinaldo Ribeiro é denunciado por acumular em quatro anos um patrimônio de R$ 2,1 milhões, ganhando um salário de R$ 12 mil por mês; de empregar parentes em seu gabinete (nepotismo); de destinar emendas ao Orçamento, como parlamentar, ao município administrado pela mãe dele e de fazer o mesmo para um município onde a irmã pretende lançar-se candidata a prefeito nas próximas eleições. E agora, com a decisão de Dilma, Ribeiro vai administrar um dos maiores orçamentos dos ministérios da República.

O novo ministro, no entanto, não está só. Poucos são os deputados e senadores de Brasília, os deputados estaduais, os vereadores, os prefeitos e os governadores que resistem a uma devassa nas suas finanças e no seu comportamento ético. Nem eles nem os eleitores acreditam nas mentiras contadas durante as campanhas eleitorais e repetidas nas cansativas inserções dos partidos na televisão ao longo do ano. O propósito de todo candidato são as benesses que julgam lhe trazer um cargo público.

Os homens éticos não resistem às pressões e sucumbem diante de tanta podridão. Um homem ou uma mulher que tenha a ética por príncípio só consegue se manter na política a muito custo e por pouco tempo. Há uma pressão do próprio eleitorado para que ele ou ela se corrompam. Aquele(a) que não dá, não pode receber. O princípio cristão “é dando que se recebe” parece ter encontrado na política sua mais perfeita aplicação distorcida. E aquele(a) que não entra nesse ciclo vicioso, não sobrevive.

E para quem acha que não há solução, uma ressalva: solução há, e está na educação, no sentido mais elementar do termo.

  1. Marcio says:

    Permissa venia! Me desculpe. Mas é preciso ter um revisor para o texto.

  2. Concordo que a escassez de ética, esta cada vez maior, até quem deveria ser ‘ético” questiona se devem ser investigado quando algo estranho ou movimentaçoes estranhas em sua esfera financeira acontece, como é o caso do Judiciario que questiona até onde o CNJ pode investigar. Ora agora nós simples mortais podemos ser investigados, ter nossos sigilos quebrados, mandados de busca e apreensão, e por que nao vale para eles(Juizes) a Lei nao é igual para todos? ou será que alguns nao sao todos?
    Abraços

    Carlos Nei de Souza

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perfildoautor

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