O DNA do Brasil
Lula e os homens que mandam no País perceberam que a mudança iria transformar o Brasil em alguma coisa que não era o Brasil.
Quarta-feira, 1º de janeiro de 2003. A Explanada dos Ministérios e a Praça dos Três Poderes, em Brasília lotadas para a posse de Luiz Inácio Lula da Silva. No discurso, uma esperança. “O combate à corrupção e a defesa da ética no trato da coisa pública serção objetivos centrais e permanentes do meu governo”, disse Lula. “É preciso enfrentar com determinação e derrotar a verdadeira cultura da impunidade que prevalece em setores da vida pública”, completou o presidente. E disse mais: “Não permitiremos que a corrupção, a sonegação e o desperdício continuem privando a população de recurosos que são seus”.
Por um tempo, os brasileiros acreditaram que Lula e o PT poderiam combater a corrupção. Nos primeiros anos de governo, a atuação da Polícia Federal e do Ministério Público Federal reforçaram a ideia de que o Brasil estava mudando, porque assim prometera Lula, ao iniciar seu discurso de posse com a seguinte frase: “Mudança: esta é a palavra-chave, esta foi a grande mensagem da sociedade brasileira nas eleições de outubro”.
As operações da Polícia Federal começaram a botar “gente importante” na cadeia, mesmo que por alguns dias. Aquilo dava a sensação de que, finalmente, o Brasil começava a pôr fim na sangria do dinheiro público pela corrupção e a sonegação. Mas eis que surge uma padra no caminho: a Justiça começa a encontrar brechas na lei para manter a impunidade e botar todos os envolvidos em crimes de corrupção fora das cadeias.
Essa esperança foi renovada com a criação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que a partir de junho de 1995 começou a agir e a punir magistrados corruptos em todo o País (O Amazonas se destacou em aposentadorias compulsórias por corrupção no Judiciário).
No discurso de posse de Lula, em 2007, para o segundo mandato, o tom da conversa havia mudado. A palavra corrupção aparece uma única vez para dizer uma frase solta: “Nunca se combateu tanto a corrupção e o crime organizado”. O PT havia provado e gostado da corrução no caso do mensalão.
A partir daí começou-se a caça às bruxas contra os que atuavam no combate à corrupção e a ação da Justiça para manter a impunidade passou a ser mais enérgica. O CNJ ficou limitado a resolver questões administrativas do Judiciário.
Lula e os homens que mandam no País perceberam que a mudança iria transformar o Brasil em alguma coisa que não era o Brasil. O Brasil nasceu corrupto pelas mãos dos portugueses, que saquevam as riquezas do País. A corrupção está no DNA.
E em todo o País, os administradores voltaram a saquear o Estado em plena luz do dia.
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perfildoautor
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Jornalista, com mestrado em Sociedade e Cultura na Amazônia (Ufam). Trabalha no DIÁRIO DO AMAZONAS desde 2003, atuando como repórter de Cidade e Política e como articulista. Atualmente exerce a função de editor de política e opinião do jornal.
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