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	<title>O Malfazejo</title>
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	<description>Apocalipse 3:15 e 16</description>
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		<title>Cano ou trololó?</title>
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		<pubDate>Sat, 10 Mar 2012 10:10:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ismael Benigno</dc:creator>
				<category><![CDATA[Manaus]]></category>

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		<description><![CDATA[Entendo a falta de paciência do povo com o debate da água. É chato mesmo. Mas necessário. É só com intenso debate que se entende o problema, e é só entendendo o problema que se encontra a solução. Pode parecer pouco importante saber quem vendeu a empresa, quem refez metas e prazos ou quem construiu uma nova tomada de água. É chato ouvir falar em adutoras, estações de tratamento, reservatórios, poços, mas é por isso tudo que passa o que interessa, a água.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="_mcePaste">Não há solução fácil, e o problema da água é real. Expulsar empresário não adianta, bater na mesa não resolve. Se apenas vontade resolvesse, o fato de termos o maior rio do mundo na janela de casa significaria água na torneira, automaticamente. Portanto, é preciso dizer o que falta para acabar com o problema.</p>
<p>E o nome disso é CANO. O Proama, indispensável para Manaus daqui a dois ou três anos, está quase pronto. Falta apenas CANO – um bilhão de reais em CANO. O Rio Amazonas inteiro não vai matar sua sede, lavar sua roupa nem lhe dar banho se ele não chegar à sua torneira. Dizer que o problema foi criado cinco anos atrás, quando foram levantados 11 tanques, 21 poços, estendidos 700km de tubos e 33km de adutoras, é querer matar um cachorro a travesseiradas, só por causa de eleição.</p>
<p>Não foi resolvido, mas aquela é a fórmula: distribuir. Tubo, adutora, poço, reservatório, pressão, estação. É claro que um chapéu panamá, uma camisa suada, uma voz rouca e o trololó da expulsão de empresários soam muito mais emocionantes. É óbvio que uma carta aberta ao povo, cheia de “eu sou o caminho, a verdade e a vida” rende mais voto.</p>
<p>Mas no fundo, no fundo mesmo, o que resolve é a chatice da vida real. Se não criar intimidade com termos como adutora, rede de distribuição, estação de tratamento e reservatório, o manauara vai ficar pra sempre íntimo apenas de frases como “vou resolver!”, “vou expulsar!” e “vou construir!”.</p>
<p>Essas frases sim, você ouve há muito tempo. E então, quantas gotas de água chegaram à sua torneira por causa delas?</p></div>
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		<title>Como sempre</title>
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		<pubDate>Sat, 03 Mar 2012 10:10:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ismael Benigno</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>

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		<description><![CDATA[O meu medo é de que um dia falem bem da gente. Me acostumei à realidade de que, se algum estudo ou relatório nos apontam como péssimos em educação ou em saúde, é exatamente porque somos ótimos em educação e saúde. Tive novas provas na noite de quinta, vendo o Jornal Nacional, que divulgava o ranking nacional do SUS, um estudo feito pelo Ministério da Saúde sobre o atendimento básico no Brasil. A pesquisa apontava o Rio de Janeiro como a terceira pior rede de atenção básica do país. Aniversariante da semana, a Cidade Maravilhosa, uma das mais famosas do mundo e ex-capital federal, virou o detalhe mais importante da notícia.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="_mcePaste">Não é para menos. Constrangido, Sérgio Cabral, governador do Rio, precisou jogar a culpa nas cidades menores da região metropolitana do Rio, onde a rede é ‘frágil’. Do outro lado da lista das capitais, com a melhor nota, está Vitória do Espírito Santo.</p>
<p>Fato é que, à exceção da vergonha carioca, esse tipo de ranking quase nunca traz surpresas. Chatices como desenvolvimento humano, mortalidade infantil e taxa de analfabetismo sempre privilegiam estados das regiões sul e sudeste, trazem no meio os estados corriqueiros do nordeste e, no fim, a bendita região norte. Surpresa mesmo seria ver Rondônia, Acre, Pará e Amazonas em outras posições que não fossem as últimas. Deduzo isso vendo tevê e ouvindo rádio: quanto pior vamos, mais felizes estamos.</p>
<p>Aluguei minha casa por um ano a um casal catarinense, transferido pela empresa. Me devolveram a casa essa semana. Dona Elizabeth não tentou ser simpática: “Ismael, não suportei, não vejo a hora de voltar. Na minha terra eu não precisava trancar a porta a toda hora, a gente tá pagando caro uma escola particular pior do que a pública onde nosso filho estudava lá, as coisas são caras demais!”</p>
<p>Fingi concordar só pra ser educado. No fundo eu pensava “Então já vai é tarde. Se não gostou daqui, tem mais é que voltar para a terra dela! O Amazonas é pra quem o ama”.</p>
<p>Gente do sul é muito chata, com esses números de sempre.</p></div>
<div></div>
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		<title>Gambiarra</title>
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		<pubDate>Sat, 25 Feb 2012 10:05:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ismael Benigno</dc:creator>
				<category><![CDATA[Corrupção]]></category>
		<category><![CDATA[Justiça]]></category>

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		<description><![CDATA[A confirmação pelo STF, na semana passada, de que a Lei da Ficha Limpa já pode ser aplicada nas eleições deste ano, foi saudada como a solução para parte dos problemas do país. Afinal, picaretas condenados por algum crime simplesmente não terão suas fotos nas urnas em outubro. E você sabe, sem foto na urna o eleitor não vota. Se você não sabe, a Ficha Limpa é uma lei nova, que proíbe que pessoas condenadas pela justiça sejam candidatas numa eleição. Mesmo que o sujeito esteja recorrendo da condenação, ele já está fora da urna.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="_mcePaste">Desconheço lei semelhante em outro lugar do mundo, e é por isso que a lei faz tanto sentido no Brasil. A Ficha Limpa nasceu de iniciativa popular, foi proposta e assinada por mais de um milhão de pessoas, levada ao Congresso, aprovada, prorrogada e, finalmente, validada. Reconheço a importância da lei que, como quase tudo no país, é um atalho pra dar um ‘jeitinho’ no que não fizemos direito. Reconhecemos a importância de impedir que o eleitor continue fazendo porcaria na urna.</p>
<p>Se isso não é admitir a falácia de que somos democráticos, não sei mais o que é. Orgulhosamente tido como uma das maiores democracias do mundo, o Brasil improvisa no que é mais importante. A penúria moral e os seguidos escândalos de corrupção não foram causados pelos ‘fichas sujas’ que continuaram se elegendo. Tirar Jader Barbalho de uma eleição não tornará o Brasil mais honesto, porque a origem está no eleitor médio, quase sempre um analfabeto funcional ou um simples picareta – às vezes as duas coisas juntas.</p>
<p>A saída seria preparar o povo para se proteger dos maus políticos com educação, educação e educação. Mas sabedor de sua incompetência para resolver problemas estruturais, o Brasil decidiu pegar o menor caminho e proteger o brasileiro de sua própria burrice.</p>
<p>É enxugar gelo. Travas jurídicas não têm como impedir ladrões de chegar ao poder. Até porque, lá nos anos 70, o compositor Juca Chaves já avisava que todo dia, pra alegria do Brasil, morre um ladrão e nascem dois.</p></div>
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		<title>Veneno tutti-frutti</title>
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		<pubDate>Sat, 18 Feb 2012 11:05:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ismael Benigno</dc:creator>
				<category><![CDATA[Educação]]></category>

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		<description><![CDATA[Cerca de 80% das vagas no curso de medicina da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) serão ocupadas por alunos vindos de outros Estados. Salvo engano, o mesmo curso na Ufam também é exclusividade de ‘estrangeiros’. A discussão das cotas raciais e sociais não é recente e não parece também ter prazo de validade. O novo ingrediente da polêmica é o Sistema de Seleção Unificada (Sisu), do Ministério da Educação, que permite que, com as notas do Enem, qualquer estudante brasileiro concorra a vagas em qualquer universidade pública brasileira. Dessa ‘concorrência perfeita’ saem curiosidades como os cursos de Medicina do Amapá e do Acre, onde ninguém apareceu para se matricular.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="_mcePaste">Não é simples. De um lado está a realidade, do outro o mundo ideal. A UEA foi pensada para nos proteger dos ‘forasteiros’ que, via de regra, chegam ao vestibular mais preparados, ou por escolas particulares superiores ou por um ensino público de mínima qualidade. Do outro lado está algo sagrado para que se leve a sério a educação de um país: o mérito. Sabemos que a realidade é dura, e que os amazonenses (a maioria pobre) não têm muitas chances diante de alunos do Sudeste.</p>
<p>Para amenizar essa injustiça, comete-se outra maior, a de colocar no forno de cérebros do País matéria-prima de baixa qualidade. Soa cruel dizer que um amazonense é menos preparado e que por isso não merece a vaga. Mas soa ainda mais cruel que um paulista mais merecedor perca sua vaga porque o governo decidiu usar o Ensino Superior para sanar injustiças sociais, sempre causadas pelo próprio governo.</p>
<p>Brincar de Robin Hood com a educação pública não ajuda em nada. A raiz do problema, que é o ensino básico, segue sem ser atacada, já que estamos fazendo justiça lá na frente. Na outra ponta, a universidade, em essência onde só devem entrar os mais preparados, vira órgão de assistência social e perde em qualidade.</p>
<p>A velha meritocracia é uma senhora fria e antipática. Mas é ela quem separa nações desenvolvidas de nações apenas boazinhas.</p></div>
<div></div>
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		<title>Burra é ela!</title>
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		<pubDate>Sat, 11 Feb 2012 11:10:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ismael Benigno</dc:creator>
				<category><![CDATA[Manaus]]></category>

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		<description><![CDATA[Imagine que você tem uma moto, dessas de 125 cilindradas, e trabalha como mototaxista. O dinheiro anda curto, a moto vive dando prejuízo. Um dia é problema no freio, outro dia é problema no escapamento. Você não consegue muitos passageiros porque sua moto é ruim, e sua moto é ruim porque você não consegue passageiros. Você diz a sua esposa que sua família faliu, e que precisa se livrar daquela moto.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="_mcePaste">Sua esposa concorda, sem entender muito. Então você tem a ideia genial de ir ao banco, pegar R$ 5 mil emprestados e investir tudo na velha moto. Você arruma o motor, troca os pneus, compra um banco novo e renova retrovisores. Sua esposa fica feliz ao perceber que você conseguiu dinheiro e que está investindo no negócio da família. Afinal, com a moto novinha, você vai voltar a ter passageiros, as contas vão ser quitadas e a família vai voltar a sorrir feliz.</p>
<p>O que sua esposa não sabe é que você é um gênio. Depois de consertar a moto e fazer uma dívida de R$ 5 mil no banco, você foi até o vizinho e deu a moto pra ele. Afinal, a moto estava velha, só dava prejuízo, você não tinha mais como mantê-la. Seu vizinho agora desfila pela cidade, fatura uma boa grana com a moto e, todo ano, se comprometeu a lhe pagar R$ 10 pela ‘concessão’. Sua esposa lhe pergunta: “Se livrar de uma moto velha, tudo bem, meu bem. Mas não era pro vizinho consertá-la, já que agora é ele quem está ganhando dinheiro com ela?” Burra, ela insiste que quem fez ótimo negócio foi o vizinho.</p>
<p>A Ponta Negra andava velha e dava prejuízo à cidade. Então a Prefeitura teve a mesma ideia que você. Foi ao banco, pegou um empréstimo de R$ 30 milhões, quebrou tudo, refez tudo, embrulhou tudo pra presente e deu ao vizinho. Agora quem ganha dinheiro com a Ponta Negra é o grupo UAI. E se prepare, porque vem aí a etapa 2 da obra. Você vai novamente ao banco, pegar mais R$ 5 mil emprestados, pra turbinar uma moto que não é mais sua.</p>
<p>Você inventou uma forma genial de se livrar da moto velha. A burra da tua mulher é que não entendeu.</p></div>
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		<title>Estudar pra quê?</title>
		<link>http://blogs.d24am.com/omalfazejo/2012/02/04/estudar-pra-que/</link>
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		<pubDate>Sat, 04 Feb 2012 11:05:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ismael Benigno</dc:creator>
				<category><![CDATA[Pessoal]]></category>

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		<description><![CDATA[Há alguns anos, escrevi o texto ‘Livro bom é livro fechado’, brincando sobre a história de um romeno, criador de cabras, que se julgava a pessoa mais feliz do mundo, sem nunca ter aprendido a ler – e, portanto, sem ter tido acesso às fórmulas matemáticas que explicam o universo e aos versos de Shakespeare. Ele é mais feliz do que eu, que tenho curso Superior, falo inglês e sei quem é o Almodóvar. Ele nunca ouviu falar de Herta Müller, sua compatriota Nobel em literatura, mas também não sabe quem foi Nicolae Ceausescu, seu compatriota ditador. Por saber ler, eu conheço o José Saramago, mas também conheço outro José, o Sarney.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="_mcePaste">No Brasil, eu disse naquele texto, o estudioso é o mané que acredita no falso tiro de partida e corre sozinho, sob as gargalhadas de todos. Estudar durante 13 anos levou, por exemplo, uma amiga minha, jornalista, a ser agredida por um delegado de polícia outro dia. Ela me disse que, depois de vários dias da agressão, ainda não se recuperara do trauma. “Foi um abuso de autoridade, Ismael!”, me disse. Acusada injustamente de roubo por um idoso – e depois inocentada –, minha amiga letrada, estudada e ciente de seus direitos desceu ao porão dos romenos locais. Aqueles que, espancados por qualquer autoridade, só pensam “Eu queria estar com minhas cabras!”.</p>
<p>Há casos em que a companhia dos livros basta ao infeliz que lê, mas vivemos em bandos, e olhar ao redor frequentemente dá a sensação de que, estudando enquanto os outros criam cabras, estamos perdendo tempo. O ignorante não sabe o que poderia ter, e quem não sabe não sofre. Livros podem trazer cultura e às vezes até dinheiro, mas saber ler dá mesmo é dor de barriga. Mais do que com os ignorantes, me preocupo com os pobres que ainda decidiram estudar. Estes estão fazendo contas complexas (porque estudaram) pra saber se é melhor atrasar a prestação da casa ou a do carro. Um brasileiro estudioso é meio um alemão surfista.</p>
<p>Chego a pensar que ignorante foi a minha amiga, que não foi criar cabras na Romênia.</p></div>
]]></content:encoded>
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		<title>11 de setembro à brasileira</title>
		<link>http://blogs.d24am.com/omalfazejo/2012/01/28/119-a-brasileira/</link>
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		<pubDate>Sat, 28 Jan 2012 11:05:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ismael Benigno</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sociedade]]></category>

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		<description><![CDATA[Se a suspeita geral se confirmar, restará comprovado que o desabamento de três prédios no Rio de Janeiro na noite de quarta, que deverá deixar quase três dezenas de mortos, foi provocado por uma obra feita ilegalmente, no nono andar do Edifício Liberdade, de 20 andares. Segundo um ajudante de pedreiro que trabalhava na obra havia duas semanas, sim, as paredes daquele piso foram derrubadas, sem o acompanhamento de um engenheiro.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="_mcePaste">Um nova-iorquino que viu aquela cortina de poeira perseguindo as pessoas na calçada deve ter lembrado de setembro de 2001. Um japonês pode ter imaginado o terremoto de março de 2011. Judeus pensariam num ataque iraniano, palestinos correriam para culpar Israel. Nós, brasileiros – vamos ser honestos – pensamos mesmo foi “Quem fez a merda?” O governo mexeu no solo, a prefeitura não fiscalizou ou o empresário simplesmente escondeu a obra? Das três, uma, e ao que parece, o empresário escondeu a obra, a Prefeitura não fiscalizou e tudo veio abaixo.</p>
<p>O brasileiro é seu próprio desastre natural. Diz uma letra da banda Ultraje a Rigor, com um sonoro palavrão para definir o Brasil, que “a terra é uma beleza / O que estraga é essa gente”. Uma lenda conta que Deus, enquanto criava o mundo, explicava tudo para o arcanjo Gabriel:</p>
<p>- Olha, Gabriel. Ali ficará a África, exuberante, mas cheia de guerras, fome e doenças. Ali, o Japão, onde vulcões, terremotos e maremotos não vão dar trégua. Ali na Europa, Inglaterra, Alemanha e França vão viver em guerra. Do outro lado, ali, a América do Norte terá terremotos, tufões, tornados, secas, nevascas e guerras. Ali abaixo, o Brasil. Este país não terá terremoto, maremoto, vulcões, tsunamis nem guerras. Vai sobrar comida, minério, terra, água, paisagens lindas, florestas, mares, cachoeiras, pantanais, rios e uma fauna inigualável!</p>
<p>- Mas por que esse privilégio ao Brasil, Senhor? Não vai ter um vendavalzinho de milênio em milênio?! – estranhou Gabriel.</p>
<p>- É porque ainda não vistes o povinho que eu vou colocar lá, Gabriel.</p>
</div>
]]></content:encoded>
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		<title>O Armagedom manauara</title>
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		<pubDate>Sun, 08 Jan 2012 15:27:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ismael Benigno</dc:creator>
				<category><![CDATA[Humor]]></category>

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		<description><![CDATA[No final da tarde de ontem, imaginei o presidente, Morgan Freeman, entrando em rede estadual de rádio e televisão, para dar a triste notícia aos manauaras:]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter" src="http://viscomla.com/blog/wp-content/uploads/2009/01/deep_500x2501.jpg" alt="" width="500" height="250" /></p>
<p>&#8211; Manauaras e manauaras, hoje peço a atenção de vocês para cumprir o meu dever como Comandante em Chefe desta gloriosa nação. Infelizmente a notícia que lhes trago não é boa. Cientistas do nosso observatório espacial na Mansão do Tarumã detectaram, há 10 meses, o que seria uma imensa massa de ar e água em direção à órbita manauestre. Depois de meses e meses de intenso trabalho, cálculos matemáticos e projeções, foi elaborado um relatório conclusivo sobre o que nos aguarda para as próximas horas. Batizamos a massa de ar e água de CHUVA, um composto letal para nossa raça. Uma missão não tripulada tentou desviar o objeto para o Pará, mas não tivemos êxito. Portanto, sinto informar que agora é oficial&#8230;</p>
<p><em>E continuou, pausadamente e com aquele tom grave.</em></p>
<p>&#8211; Vai chover em Manaus.</p>
<p><em>Manauaras, manauaras e manauarinhas vão parando em frente às vitrines das lojas de eletroeletrônicos na Avenida Eduardo Ribeiro. Camelôs sintonizam suas pequenas tevês ching-ling para ver o pronunciamento. Famílias inteiras se abraçam no Largo São Sebastião e vêem, sobre a cúpula do Teatro Amazonas, a gigantesca cumulonimbus se aproximando&#8230;</em></p>
<p><em>E Morgan Freeman continua.</em></p>
<p>&#8211; A chuva nos atingirá precisamente às 17h30 desta sexta, 6 de janeiro do ano 2012 da Era Cristã. O impacto imediato das bilhões de gotas de água matará milhares de nós, instantaneamente. Semáforos deixarão de funcionar, serviços de telefonia entrarão em colapso, rádios e tevês sairão do ar. Manaus ficará seis meses na escuridão. A falta de luz natural matará nossa vegetação, e os gases tóxicos farão outras milhares de vítimas. As aulas ficarão suspensas, o Discovery Kids será cancelado. Na Cachaçaria do Dedé, no shopping Manauara, dezenas de clientes aproveitarão a escuridão para sair sem pagar suas contas. Luzes de emergência não funcionarão, cruzamentos serão fechados e milhares de motoristas dirigirão com o pisca-alerta ligado. Alimentos e bebidas ficarão escassos, por isso planejamos o racionamento de comida e água. As saídas da cidade serão interditadas, barreiras deslizarão na BR-174 e nossa ponte, este colosso arquitetônico que nos liga à civilização irandubense, será fechada por causa das gotas de água espacial.</p>
<p><em>A música emocionante cresce ao fundo. Flamenguistas e vascaínos se abraçam no Eldorado. Filhos pedem perdão aos pais e nas prateleiras das lojas de conveniência, garrafas de vodca e energético são vendidas a R$ 300 o kit, e vendem como água. Redações ficam em povorosa, infográficos começam a ser desenhados para explicar à população como funciona o fenômeno da chuva. No enorme telão instalado no cruzamento da Sete de Setembro com a Eduardo Ribeiro, a multidão olha para o alto e prossegue ouvindo Morgan Freeman. O silêncio é total.</em></p>
<p>&#8211; Desde que nossos cientistas me informaram sobre a chuva, decidimos pensar em formas de assegurar que a raça manauara não será extinta pela chuva. Construímos 12 enormes abrigos subterrâneos, preparados para receber representantes da nossa elite intelectual, aqueles que, depois da chuva, terão a missão de repovoar a cidade, preservando o espírito manauara, guerreiro, obstinado, capaz de renascer das trevas e devolver à cidade a o papel protagonista que ela se acostumou a ter no cenário mundial. Por isso, escolhemos a dedo aqueles que darão à nossa civilização uma nova chance. Apresentadores de tevê, colunistas sociais, jornalistas, donos de canais de rádio e tevê, proprietários de pequenas empreiteiras e importadoras, sócios de agências de publicidade, donos de cartórios, revendedores da Apple, instaladores de porcelanato, policiais militares e donos de institutos de pesquisa.</p>
<p><em>E Morgan Freeman termina:</em></p>
<p>&#8211; Manaus já atravessou catástrofes antes, e sempre renascemos para provar que somos mais fortes. Foi assim que nossos antepassados sobreviveram à miséria, à falta de água, ao analfabetismo e aos surtos de malária. Sim, muitos manauaras perderão suas vidas, suas motos e suas bancas de camelô. Pais, filhos, irmãos e cunhados perderão seus entes, mas com os escolhidos por nosso governo, sei que o destino de nossa cidade é ressurgir das águas. Que Deus nos abençoe e nos proteja.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Pobre Belém</title>
		<link>http://blogs.d24am.com/omalfazejo/2012/01/07/pobre-belem/</link>
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		<pubDate>Sat, 07 Jan 2012 12:01:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ismael Benigno</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Imprensa]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Sociedade]]></category>

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		<description><![CDATA[É grande o alvoroço na distante cidade de Belém, capital do lendário Pará, nestes primeiros dias de 2012. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O jornal Diário do Pará, certamente em defesa dos interesses de toda a sociedade belenense, denunciou que o prefeito local, Duciomar Costa, favoreceu a empreiteira Andrade Gutierrez numa concorrência pública, avaliada em R$ 430 milhões, para a construção, veja só, de uma estrada para o BRT – o ônibus sobre trilhos, solução escolhida pela maioria das cidades-sede da Copa 2014 para o transporte público. É importante lembrar: Belém não foi escolhida sede de jogos da copa e, inexplicavelmente, decidiu investir em transporte público assim mesmo, contra toda a lógica do mundo civilizado.</p>
<p>A construtora teria sido beneficiada com a saída das concorrentes do páreo, que teriam se retirado em protesto, depois de saber que a AG já estaria garantida como a vencedora da disputa. As denúncias são de que a empreiteira foi escolhida para contribuir com o caixa 2 do prefeito, que este ano disputa a reeleição. É que em Belém, diz a lenda, há esse costume de os políticos usarem obras públicas superfaturadas para rechear os cofres que serão usados nas campanhas políticas. Coisas do Pará.</p>
<p>Outro ingrediente na maniçoba da sujeira da prefeitura é o aniversário da cidade, que será comemorado no próximo dia 12. Em resposta ao jornal, a Andrade Gutierrez admitiu estar bancando, por pura bondade, ninguém menos que Ivete Sangalo para embalar a festa da cidde, ao cachê estimado em R$ 1,5 milhão.</p>
<p>Belém tem sérios problemas na área da saúde. Hospitais lotados e mal equipados, médicos mal pagos, falta de remédios e até mortes de bebês em série, na principal maternidade da capital. Imagine o que é ver postos de saúde sem remédio, crianças sem aula, denúncias de corrupção na prefeitura e, no meio disso tudo, um show milionário para coroar tanta bandalheira.</p>
<p>Tenho dó dos paraenses. Dias atrás, na noite de Natal, eu teria cantado, em solidariedade a esse povo distante: “Pobrezinhos, nasceram em Belém&#8230;”.</p>
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		<title>Futuro reprisado</title>
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		<pubDate>Sat, 31 Dec 2011 11:05:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ismael Benigno</dc:creator>
				<category><![CDATA[Pessoal]]></category>

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		<description><![CDATA[“Quatro anos atrás eu falei do disco Out of Season, de Beth Gibbons, e aproveitava para opinar sobre a beleza que a tristeza emprestava à música. Hoje, por acidente, descobri um programa na tevê, chamado Sound. E nele, uma moça chamada simplesmente Adele cantou esta música, Hometown Glory. Já descobri que o programa é (ou era) da BBC londrina, e que o programa com Adele foi ao ar orinalmente há mais de um ano. Fazer o quê. Até esqueci o Kaiser Chiefs que tocou no mesmo programa. Adele, com as desafinações que comprovam a crueza da perfeição, fez o par perfeito com a sexta nublada de Manaus. Cantou sobre sua terra natal, com as sombras dos guindastes londrinos por trás, e conseguiu me fazer sentir o frio e a melancolia originais, aqui, Tão Tão Distante de Londres. As alegres que me perdoem, mas em música, tristeza é fundamental. Cristoph, apareça, tenho uma Adele pra te mostrar — e um jingle do Governo do Estado também. Você nunca mais ganha o concurso de música triste de mim.”]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Escrevi isso em 2008, no blog O Malfazejo, sobre a cantora do momento em 2011, uma gordinha linda chamada Adele. O Malfazejo, que venho abandonando aos poucos desde 2010, me deu certo cacife para cantar certas bolas, como a eleição de Barack Obama, que ‘previ’ em 2004, quatro anos antes da eleição do primeiro homem negro nos EUA.</p>
<p>Acertei em cheio algumas vezes no blog, errei outras. As opiniões musicais e sobre cinema me traziam prazer – e nesses casos orgulho. Hoje, ao responder sobre um espaço onde escrevi por sete anos, sinto que o amor morreu. A gente sabe que morreu quando não dói.</p>
<p>Eu arriscaria dizer o que penso que vai nos ocorrer, enquanto manauaras, em 2012. A julgar pela Adele e pelo Obama, tenho cacife. Mas prefiro não exercitar mais meu esporte predileto, o de contar novidades que todos sabem, enxergam, mas não admitem.</p>
<p>Em 2012, prefiro, como fiz com O Malfazejo, me distanciar aos poucos de Manaus. Sim, foi falta de amor. Mas não da minha parte. Manaus deixou de me amar bem antes de mim.</p>
<p>Feliz Ano Novo!</p>
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