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O IFAM e a chance de mudar
Há uma espécie de hierarquia das eleições. Um dos pilares de uma democracia gigante como a brasileira é a livre e pública escolha dos representantes, desde o síndico do prédio, o líder comunitário, o conselheiro tutelar, o presidente de agremiação esportiva ou folclórica, até os mandatos políticos.
Em Manaus, ocorre atualmente um dos processos eleitorais mais acirrados do ano, embora relegado à comunidade do IFAM, a antiga ETFAM. Instituição histórica e cara aos amazonenses, ao longo de seus 100 anos o IFAM já foi a Escola de Aprendizes Artífices, o Lyceu Industrial de Manaus, a Escola Técnica de Manaus, a Escola Tecnica Federal do Amazonas eo CEFET.
Não são poucas as mudanças, mas a despeito da dança de siglas, o IFAM vive um estado monárquico há 16 anos. O professor João Dias, que dita as regras dentro da instituição há quase duas décadas, é novamente candidato. No início da semana, eu soube que um debate entre os candidatos descambara para uma mini-revolução entre os estudantes. Não é de hoje que professores, funcionários e alunos se queixam da estagnação e da interferência política dentro da escola.
Dentro do jogo democrático e sendo legalmente permitida a reeleição ilimitada da reitoria, não há nada de errado no pleito de Dias em continuar no comando do IFAM. O que engrossa o caldo são as denúncias, antigas e pouco esclarecidas, de que este jogo não é jogado em nível de igualdade entre situação e oposição.
Uma das queixas históricas, tanto dos alunos quanto dos que tentaram se oferecer como alternativa, é o uso da máquina administrativa e de apoios políticos para a perpetuação de uma gestão que até hoje não conseguiu modernizar a escola ou fazer as reformas necessárias. As denúncias vão do “sufocamento” das candidaturas adversárias, passam pela interferência do reitor-candidato na comissão eleitoral e chegam à suspeita de propaganda irregular nos campi do interior. Em Parintins circula a informação de que apenas João Dias seria candidato. Os demais concorrentes não tiveram qualquer auxílio logístico para fazer campanha fora de Manaus. João Dias teve.
O Ministério Público Federal cobrou da comissão eleitoral informações sobre o estatuto das eleições. Há também a suspeita de que o estatuto é irregular, pois não estabelece regras básicas como a da maioria absoluta, de metade mais um dos votos, para eleger o novo reitor. O MPF deu prazo de 24 horas para que a comissão explique como vai funcionar o pleito.
A sequência histórica de atropelos eleitorais, irregularidades administrativas e perseguição política dentro do instituto dá todas as demonstrações de querer continuar. Na contramão da mistura pessoal entre o papel do reitor, do dono das comissões e do candidato, começa, porém, um pequeno levante de alunos pela alternância de poder dentro do IFAM.
No último debate, ficou claro o desejo dos estudantes de experimentar outras alternativas, aceitar novas propostas, repudiar o uso desenfreado da máquina administrativa e o viés político de uma instituição que deve prezar, antes de tudo, pela busca constante da modernização e do privilégio à política educacional.
Estudei na Fundação Matias Machline, hoje Fundação Nokia, no início dos anos 90, quando a então ETFAM era o concorrente que polarizava a disputa entre as escolas de ensino técnico em Manaus. Desde lá, ouço de alunos e ex-alunos do IFAM as mesmas queixas sobre o sucateamento da estrutura, a eternização da mesma cúpula e o uso da máquina administrativa para evitar exatamente essa alternância.
Hoje não existem mais nem Fundação Matias Machline nem ETFAM. As duas escolas mudaram seus nomes, suas cores, suas fachadas, seus alunos, boa parte de seus professores e sua história. No caso do IFAM, porém, apenas uma coisa não consegue ser mudada: sua administração.
Não conheço os candidatos adversários de João Dias, por sinal pai de um amigo pessoal meu. Apenas por isso, eu teria motivos para fazer exatamente o inverso e votar pela continuidade de sua gestão. Mas sei, como tantos outros também sabem, que é preciso mudar. O tempo dirá se as mudanças foram boas ou não, mas o importante é mudar, tentar mudar. Arriscar a modernização, o crescimento, a profissionalização administrativa, a implantação de novas formas de gestão.
Não sou eu quem pede por isso no IFAM, mas quem vive do IFAM, estuda, ensina, trabalha no IFAM.
Depois de 100 anos de história, chegou a hora de algo mais mudar ali do que simplesmente a cor do prédio, o estilo da farda e a sigla do nome do instituto.
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perfildoautor
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"A política foi primeiro a arte de impedir as pessoas de se intrometerem naquilo que lhes diz respeito. Depois acrescentaram-lhe a arte de forçar as pessoas a decidir sobre o que não entendem" -- Paul Valéry
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(1) comentarios Links
A todos os otários que se agarram na Esperança, uma notícia: O João Dias ganhou de novo.
A todos (inlcuindo D. Auxiliadora): Fiquem tranquilos, seus cargos serão mantidos, suas promoções confirmadas ao longo do mandato.
Como já está manjada a frase: “A comunidade achou que estava tudo bem e deciciu querer mais do mesmo… e blá blá blá”.
Pergunta de um aluno no corredor do IFAM: “Aí diretor parabéns, agora a coisa vai hein?”
Resposta do novo Diretor do IFAM: “Vai sim, não sei pra onde mas vai…”.
Como dizia Jefferson citando uma canção: “Tudo isso existe. Tudo isso é triste. Tudo isso é fato.”
João Dias MEUS PARABÉNS. Um viva a Democracia.
Ainda bem q o mundo termina em 2012
…diminui o tempo do incompetente do João Dias
Sou novo aluno do Ifam , isso chega a ser triste uma instituição com 100 anos ter problemas como esses ainda , espero que melhore mas pelo que eu li agora, dificilmente.