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Violência ou castigo?
Não há teste melhor para avaliar a natureza humana do que perguntar às pessoas o que elas acham da menininha do vestidinho curto, estuprada no beco da esquina.
38 horas se passaram. Estou sentado na varanda de um apartamento alheio. Num dos quartos, repousam uma pequena mala de viagem, dois pares de sapatos, uma sacola com xampu, uma mulher e uma criança de 3 anos. Não há tevê ligada, conversas pela casa. Só o som do trânsito lá embaixo. É assim que decidi tentar, depois de poucas horas de sono, escrever sobre as eleições no Amazonas.
A lógica sussurra aqui do lado, desde a madrugada de domingo, me lembrando de separar as coisas, mas a tentação de misturar tudo é grande. Nunca fui de espalhar pequenas notas ao longo do dia, friamente separando assuntos, como se alguns deles não me fossem caros. Quando falo, falo do que penso e sinto. E o que ocorreu nas últimas 38 horas tem tudo misturado, o terror de um drama familiar ocorrido exatamente num dia de eleição. Política é do que venho falando há tempos, mas minha vida é o que venho vivendo há mais tempo ainda. Não consegui separar a gema da clara, o que vivemos quase nunca é algo diferente de um omelete.
Não dormi a noite da última sexta para o sábado. Uma árvore derrubou os fios elétricos da rua, ficamos sem energia de 16h até 3h40 da manhã de sábado. Passei a noite, como muitos, “dormindo” sentado e suado. Na tarde de sábado, cansados, eu e minha esposa decidimos levar o Marquinhos para a vó, para podermos descansar. Paramos no Galvez Botequim, a tarde pós temporal estava gostosa.
Minutos depois, meu querido Jan Rinaldo passou ali e nos viu. Ia à praça do Caranguejo ver um jogo de futebol com o Silvio Silva. Saiu dizendo que voltaria. Voltou pouco tempo depois, com o Silvio. Então outras pessoas foram chegando, a mesa aumentando. A conversa era sobre as eleições do dia seguinte, e a preocupação era com o fechamento dos bares com a Lei Seca. Como a conversa só melhorava, decidimos sair dali, comprar umas cervejas enquanto era tempo e ir para a minha casa.
Vários casais de amigos chegaram. Era meio tarde, todos foram sem seus filhos. Rodrigo, Geórgia, Bruno, Larissa, Breno, Andrya, Sandro, a namorada, Gustavo, Bianca, além de Hamilton, Vitor, Emanuel e Robson.
Bianca e Gustavo, que se tornaram nossos amigos sem qualquer convívio pessoal, decidiram conhecer a minha casa naquela noite. Durante a semana toda, envoltos com o drama de outro casal de amigos, Marcos e Carolina, falávamos de marcar um almoço ou jantar, juntar as crianças, fazer algo divertido que nos ajudasse a recobrar energias para ajudar os pais da Ana Luiza, que em São Paulo começa a sua luta contra um câncer violento aos 7 anos de idade.
Às duas da manhã, pelo que me contaram, eu trocava um disco no carro, dentro da garagem da minha casa, quando a Hellen, minha esposa, correu na minha direção. — Ismael, é um assalto! Olhei para o portão, e meus amigos eram empurrados por três homens para dentro, todos armados e com camisetas na cabeça. Um deles me empurrou, anunciou o assalto, e a meio metro do meu rosto, atirou pro alto.
Outro homem empurrou o Rodrigo lhe dando uma coronhada na cabeça. Nos fizeram deitar lado a lado no gramado, de bruços. Havia pouco espaço, uns ficaram sobre os outros. Algumas mulheres choravam. Me lembro de ter segurado a perna de alguém que se mexia demais, e temi que aquilo fosse virar uma chacina, afinal nos deitaram todos lado a lado, no gramado da frente da casa, que não tem muro frontal, apenas grades finas. Pensei que aquele assalto estava estranho, pela exposição da cena a quem passasse pela rua. Mesmo àquela hora, vários carros costumam entrar e sair do conjunto, minha pequena rua é a “porta” do Jardim Versalles.
Nos revistaram todos. Lembrei do dinheiro que tinha no bolso, que aquilo era a maior parte do que teríamos pro mês, e pensei em tirá-lo dali e esconder. Fui vencido pela possibilidade de ser visto e que a cena fosse confundida com uma reação. Depois de 5 ou 6 minutos de revista geral, não tínhamos mais nada, relógios, jóias, dinheiro, telefones. Imaginei que tudo tivesse acabado.
Então um dos bandidos nos mandou levantar e caminhar em pares, ali, de frente para a rua, pra dentro da casa. Trancaram os homens no banheiro social, levaram as mulheres pro meu quarto. Era tudo muito silencioso, e esse era o problema. No banheiro, pensamos nas mulheres. Comecei a chorar, lembrando do assalto sofrido pela Hellen alguns anos atrás, quando um bandido encostou um cano de espinguarda na sua nuca e pisou nas suas costas. Graças àquele assalto ela, que até então era líder de turma de faculdade e encabeçava equipes nas empresas onde trabalhava, nunca mais conseguiu sequer falar para 10 pessoas em público. Sofreu de pânico durante meses, até hoje tem medo de quase tudo.
Fomos postos juntos novamente, todos no quarto de casal, pequeno por causa do guada-roupas e da escrivaninha. Havia gente amontoada sobre o meu colchão, gente debaixo da mesa e em frente ao guarda-roupas. Os bandidos falavam baixo e calmamente. Perguntaram quem era o dono da casa, eu respondi. Disseram que queriam “o dinheiro, as jóias”.
Nossa casa tem dois quartos pequenos, dois pequenos banheiros, uma cozinha e uma sala. São 60 metros quadrados de chão rodeados de nada. De um lado, duas casas desocupadas, uma delas por causa de um roubo, meses atrás. Do outro lado, um matagal que há cinco anos a construtora prometia tornar uma área de lazer. Atrás duas casas ocupadas, outra delas refeita depois de esvaziada também por ladrões. Em frente, um imenso terreno baldio, de propriedade da construtora, onde até cinco anos atrás prometia aos clientes que seia um condomínio de apartamentos. Ali foi construído um muro, semanas depois destruído a “pesadas”. Um desses vãos foi aberto em frente à minha casa. Pedimos por duas vezes que a construtora refizesse o muro, mas nunca fomos atendidos.
Foi dali, daquele vão escuro, que saíram os bandidos que nos atacaram.
De volta ao quarto.
Eu disse algo como “olha o tamanho da nossa casa, não temos mais dinheiro nem jóias, muito menos cofre.” Ele perguntou quem era o policial dali. Lembrei do Rodrigo, agente administrativo da Polícia Federal, e ele disse “sou eu”. o líder dos bandidos levantou o tom, disse pra ninguém tentar nada. “Tô a fim de matar um policial hoje”, disse para um dos comparsas. A Bianca precisou segurar a Geórgia, esposa do Rodrigo. Eu e os outros homens fomos levados para o banheiro do quarto, nos fundos da casa. No quarto, recomeçou o terror das mulheres. As bijuterias da Hellen foram arrumadas por ela mesma. Meu computador de mesa foi meticulosamente desligado e desmontado. Um aparelho de som de carro, sem a parte da frente, roubada tempos atrás em outro roubo, foi deixado pra trás.
Um deles acalmou minha esposa: “Não vamos fazer nada, só queremos o dinheiro e as jóias”. Ela tornou a dizer que não tínhamos mais nada. No banheiro, alguns de nós já sussuravam entre si, tentando ensaiar uma reação, e foram repreendidos pelos demais. O Bruno nos lembrava de nossas esposas e que estavam todos armados ali fora.
Nova revista nas mulheres. Algumas foram assediadas fisicamente, inclusive a Hellen. Com o rosto perto da janela do banheiro, notei que, desde o início do ataque, não ouvira sequer um carro passar na rua, o que era raro. Fora do quarto, outro bandido desligava no quarto do Marquinhos e também cuidadosamente, meu notebook. Deve ter separado computador, cabo de força e carregador calmamente, pois no lugar de tudo deixou uma lata de refrigerante vazia.
O som do carro lá fora pareceu parar, mas segundos depois voltou. Era um deles, dentro do carro, colocando o disco no modo de repetição, enquanto tirava da capa minha máquina fotográfica, guardada no porta-luvas. Outra máquina, igualzinha à primeira mas com defeito, foi deixada pra trás. No outro quarto, os brinquedinhos foram tirados de cima do tocador de DVD, desconectado e levado. A tevê de 20″ foi deixada. Livros foram revirados, o rack da sala revistado, mas tudo abandonado. Nas prateleiras e no rack, romances, livros políticos e de humor, além de discos de jazz e rock, todos intactos.
O som da música ficou abafado novamente, e depois o silêncio foi total. Ali dentro do banheiro, espremidos, havia oito homens, no quarto mais oito mulheres, e o silêncio era o de uma cena pós-execução coletiva.
Demoramos a decidir sair do banheiro, que não estava trancado, e nos juntamos às mulheres. Não sabíamos se os bandidos ainda estavam do lado de fora. O Rodrigo achou um telefone deixado pra trás e ligou para a polícia uma, duas, três vezes. Ninguém atendia. Então ligou para um colega da PF, que o atendeu e pegou o endereço. Um pequeno barulho nos fez voltar ao banheiro. Mais minutos depois, voltamos para junto delas. Dali ao próximo movimento, foram mais cinco minutos de indecisão e medo.
Abri uma fresta na persiana no quarto, tentei ver alguma sombra.
Não vi nada e tomei coragem de abrir a janela. Quando coloquei a cabeça pra fora e olhei pro lado, um vulto apontou uma arma para a minha cabeça e gritou “A casa tá cercada!”. Meu reflexo foi voltar pra dentro e sussurrar apavorado: “Eles ainda tão aí…”
Novo pânico. Então novo grito: “É a polícia! A casa tá cercada!”
“Eles já foram!”, um de nós gritou. Uma viatura da ROCAM, acionada pela Polícia Federal, e outra da própria PF, estavam lá fora. As portas trancadas foram arrombadas pelos PMs. Ainda não havia a sensação de alívio, o estado era de choque coletivo. Chorei abraçado à Hellen, depois tentei descobrir como estavam todos. A cabeça do Rodrigo tinha marcas de sangue, foi examinada pela Bianca. Dos cinco ou seis carros estacionados no meio-fio, um faltava, o Fiat Idea preto com documentos em nome de Bianca Abinader.
Saímos do quarto devagar. Explicamos tudo aos policiais, deixei a casa do jeito que estava, com portas e cadeados arrombados, e fomos todos ao 10 DP, na Estrada dos Franceses. Um funcionário nos avisou que a delegacia estava sem sistema desde o dia anterior. Perguntamos se podíamos registrar o ocorrido manualmente. Nada feito.
Descobrimos, minutos depois, que um primo do Rodrigo, convidado por ele, passou em frente à casa. Viu os carros abertos, a música tocando, mas não havia ninguém. Desconfiou da cena e correu para o mesmo 10 DP, onde contou ter batido por vários minutos na porta de vidro, sem qualquer resposta.
Nos reunimos novamente e decidimos ir a uma delegacia na estrada do aeroclube, não lembro o número. Ali, a mesma informação: sistema fora do ar desde o dia anterior. Pelo rádio, um atendente tentava descobrir se havia alguma delegacia com sistema. Eu fiquei ao lado dele, e vi que ninguém respondia aos chamados. Ele se desculpou, explicou que podia registra o furto do carro, mas não o resto do crime. Disse que um colega no 1 DP, na Praça 14, nos atenderia, e que aparentemente por ali havia sistema no ar.
Chegamos ao 1 DP, na Duque de Caxias. Uma senhora nos atendeu e disse que sim, o sistema estava mesmo no ar, mas muito lento. Sentei de frente pra ela, comecei a explicar o que tínhamos passado. Atrás dela, um aparelho de ar-condicionado encardido suava e pingava, ao lado de uma foto do governador. Não havia copos descartáveis, escrivão nem delegado presente.
Dois minutos depois, ela parou de me ouvir, perguntou as horas para uma colega, ficou sabendo que já eram 5h30 da manhã. Depois disso, continuei falando, e só parei quando percebi que ela não olhava mais pra mim nem para o computador. Perguntei qual era o problema, e ela disse que sistema tinha caído. Mas me tranquilizou: “Olha, tá lento demais mesmo, mas daqui a pouco volta. Se o sr. quiser esperar lá fora…”.
Perguntei onde ficava o banheiro, e ela me indicou. Não havia papel ou sabão, lavei meu rosto e me juntei aos outros. Por trás da delegacia, a claridade do dia já estava alta. Voltei para dentro, para perguntar se o sistema já voltara. Um funcionário da delegacia, acredito que o mesmo que avisara ao colega pelo rádio que o sistema estava ok, me avisou que a moça do B.O. tinha ido embora.
Eram 5h40, ele me explicou que o turno dela tinha acabado, e que a única viatura presente ali tinha levado ela e uma colega, aquela que lhe avisara sobre a hora, para casa. O funcionário me ensinou: “Acabou o turno delas, mas daqui a pouco, seis horas, chega o pessoal aí”.
Esperamos até 6h20 da manhã. Eu me rendi, decidi ir embora. Uma dor de cabeça me tirava a calma, e todos combinamos de nos encontrarmos hoje, depois da eleição, para tentarmos novamente registrar, oficialmente, aquela hora inteira que passamos dentro da minha casa.
Conseguimos isso hoje, ao meio-dia.
Ouvi algumas pessoas falando, ao longo dessas 38 horas, sobre a reeleição de Omar Aziz, sobre o fracasso de Arthur Neto, sobre o sucesso do meu amigo Marcelo Ramos e sobre a derrota de Alfredo, Serafim, e de seu filho, Marcelo, que tentava se reeleger deputado federal.
Ouvi outras pessoas falando do deputado mais votado, Belarmino Lins, e do resultado geral de mais essa festa da democracia estadual.
Honestamente, não lembrei de quase nada. Dirigi sem notar buracos nas ruas ou sequer semáforos fechados e abertos. Passei as últimas 38 horas enxergando em todos os estranhos aquela camiseta enrolada no rosto e o gesto suspeito de quem vai sacar um revólver. Chorei pouco, mas copiosamente, ao lembrar do meu filho, seguro na casa da avó.
Senti muita vergonha dos meus amigos por terem passado aquilo dentro da minha casa. Lembrei do rosto da Larissa, mãe de três filhos, com os olhos vidrados de tristeza, como se um nada tivesse tirado algo muito importante dela. Lembrei do choro da Geórgia, mãe de duas crianças, por medo do marido morrer. Lembrei da Hellen, mãe do meu filho, soluçando de medo, e vi no rosto dela todo o terror de anos atrás voltar.
Hoje olhei para a casa onde vivi estes cinco anos como quem diz adeus. Acariciei portas, sentei no sofá, olhei pro vazio da janela. Vi o portão do mesmo ângulo da hora do ataque, revi a cena do tiro a meio metro. É a minha casa, que venho pagando há cinco anos, os 60 metros quadrados que tenho de área construída no meu mundo.
E não era mais ela. Revendo a cama, lembrei dos meus amigos ali, amontoados feito cadáveres. Revendo o gramado, lembrei do choro de alguém desesperado, a esposa de algum amigo meu. Revi a mesa, com pratos e copos intactos, um corte de carne abandonado na churrasqueira, cigarros nos cinzeiros, e não consegui mais ouvir nenhuma das muitas risadas que dei ali, com aqueles ou com outros amigos.
Todos os almoços e jantares sumiram com aquele choro, aquele tiro, aquele gosto de terra na boca. Minha casa não é mais a minha casa. É agora apenas um ponto iluminado no meio do nada. Com o que sofremos, dos bandidos e do sistema de segurança da minha terra, decidi que era hora de me entregar.
Vi o pai da Bianca, num fim de madrugada, na porta de uma delegacia, chorando abraçado à filha. Sei que ele chorou muito esse ano. Vi meu filho perguntar com medo hoje, quando eu disse que eu ia voltar à nossa casa: “Mas os bandidos já foram embora?”. Ouvi a Hellen, desesperada ainda horas depois de tudo, dizer que tudo o que estamos passando é por minha causa, por causa do que eu escrevo.
Não é algo fácil de ser ouvido, mesmo que eu venha ouvindo isso de outras tantas pessoas há tanto tempo. Porque eu teimava em não entender como pode alguém viver com medo por criticar um deputado, um vereador, um prefeito, um governador. Eu tentei, esse tempo todo, convencer os outros de que não quero revolução nem grandes mudanças. Pra ser sincero, eu não quero nada, porque nunca acreditei nisso. Não critiquei políticos na esperança de que se mancassem, critiquei apenas porque cresci num país onde isso sempre foi permitido, com a certeza de que não há nada mais sagrado do que o direito de um cidadão de criticar a política do seu país. Se não pudermos falar de político — sempre pensei –, vamos falar de quem?
Mas é preciso reconhecer derrotas pessoais. Morreu ontem a minha ideologia única, a da sensação de que posso ter a minha opinião, sem que meus dentes, os ossos do meu filho ou a cabeça da minha esposa estejam em risco por causa disso. Não pretendo, de forma alguma, relacionar o ataque à minha casa com algo político. Não é essa a relação que faço. Há algo bem maior do que as violências diárias que todo amazonense sabe reconhecer. Achar que ser assaltado e agredido num dia de eleição tenha algo a ver com a eleição é simplista, ingênuo e de certa forma pretensioso. O problema não é o medo que passei, é a certeza de que posso passar muito mais, e o pior, com a sensação de que eu merecia tudo isso.
À medida que escrevia isso, me lembrei do cordão de deputados, Belarmino Lins à frente, meses atrás, da tribuna, alegando que o professor Gilson Monteiro, espancado em sala de aula na frente dos alunos, tinha feito por merecer. Lembrei da médica Bianca, que depois de fazer piada com uma foto de uma autoridade, voltou a ser trucidada em praça pública debaixo de mentira, como no início do ano, mas dessa vez com o apoio de pessoas comuns como ela, transformadas em bichos por um motivo político.
Linchamentos públicos são fascinantes do ponto de vista social, porque são a demonstração da capacidade humana de desligar o dijuntor coletivo da razão, como se num transe coletivo todo tipo de gente, de médicos a jornalistas, de procuradores a professores, de profissionais liberais a operários de fábrica, todos, despidos de discernimento, tivessem dúvidas sobre o que é humano ou não, sobre o que é crime ou não.
Quando essa dúvida ganha corpo, quando um cidadão é linchado em praça pública (por uma piada infeliz ou não, não interessa) e outros cidadãos como ele aprovam a cena, é hora de sentir medo. Porque é da paixão que nasce o arbítrio, é da convicção coletiva que nasce o estado policial. Quando a linha do bom senso fica enevoada, é hora de estocar água, comida, remédios, comprar cadeados reforçados e se trancar em casa. Quando se é ameaçado de morte por causa de um texto, é hora de levantar acampamento. O que me preocupa não é o prefeito, o deputado ou o governador que manda prender ou agredir seus críticos. O que me preocupa é quando alguém da platéia grita um “é isso mesmo!” e um aplauso tímido começa a surgir.
O humorista Danilo Gentili, famoso na televisão e na internet, é desses que abusam do direito de fazer piada de mau gosto, e mesmo assim, até onde sei, nunca foi ameaçado de morte nem teve sua família humilhada em público. Hoje disse no Twitter que Marina Silva merecia uma Bolsa Família, numa alusão à magreza da candidata do PV.
Eu acho o Danilo um completo imbecil, mas não acho que ele merece apanhar ou ser perseguido por causa disso. Alguém hoje, ao saber do assalto que sofremos e traçando uma relação sem sentido entre as coisas, disse: “Taí, foram comprar briga e bater de frente com esse pessoal…”
Pra ser honesto, nessas 38 horas eu tive foi medo de contar tudo isso acima e ouvir alguém dizer que quem sabe, talvez, há uma possibilidade de que nós tenhamos feito por onde para passar o que passamos. O medo não acabou nos tiros, nas coronhadas ou na violência toda. Depois do terror do ataque, olhei ao meu redor, vi as pessoas que estavam comigo e imaginei uma garota, depois de ser estuprada, ouvir a vizinhança comentando “também, com uma roupa dessas, queria o quê…”
Quando vivemos da forma que temos vivido, passando pelo que temos passado, e saímos do inferno recebendo notícias de que, exatamente naquele mesmo dia, o povo decidiu que a vida está indo bem e que quer mais nas urnas, a única conclusão possível é a de que o errado sempre fomos nós. Não porque eu seja contra o governo, mas porque achei que eu podia falar.
Eu nunca quis ou me importei de ser ouvido, escrevi diariamente os três primeiros anos deste blog sem ter leitores. Não me interessava ser lido, me interessava poder falar.
Eu sei admitir os meus erros.
Este foi um deles.
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Ismael que terror vc passou com sua esposa e seus amigos!Eu e minha família já enfrentamos situação semelhante em agosto passado. Por mais que seja assustador o momento do assalto as consequências que ficam na nossa mente, na nossa vida, no nosso quotidiano são imensuráveis.
Essa mudança de casa é necessária por mais dolorosa que seja.
Que Deus limpe de vosso inconsciente estas cenas.
Outro desespero é perceber a incompetência da polícia para
nos dar proteção
Ismael,
Nesse momento só posso desejar força, companheiro. Espero que o trauma que vc, sua mulher, filho e seus amigos seja superado. Não deixo de ficar triste com seu desabafo em meio a essa inominável violência sofrida. Logo você que, há um ou dois anos atrás me dava força para escrever quando eu dizia que tinha medo das retaliações profissionais que poderia receber. Quanto ao suposto erro que vc acha ter cometido, lemnbre-se das palavras de Berthold Brecht:
” Há os que lutam um dia. Esses são bons.
Há os que lutam muitos dias. Esses são muito bons.
Há os que lutam o ano inteiro. Esses são melhores ainda.
Há os que não cessam de lutar. Esses são imprescindíveis”.
Uma vez mais, força, companheiro.
Tarcisio
Dá pra sentir no seu texto a perturbação que esse absurdo causou.
Não sei mais em que cidade estamos, em que mundo estamos. E o pior que a tendência é que a coisa fique mais feia.
A Bianca novamente passando por terrorismo.
Chocada. Tenham meu carinho.
Amigo Ismael,
Lamento terrivelmente.
Todo povo tem o governo que merece e, se um erro foi cometido, foi o de ter esquecido esta triste verdade.
O poder emana do povo. Sempre, indefectivelmente e inexoravelmente.
Cuide-se.
Mude-se.
E viva pelos seus. Ninguém mais o fará.
Ismael,
Não o conheço,mas sei a sua dor. Passei por um assalto com um grupo de amigos na minha antiga residência, há 4 anos.
A minha antiga casa q morei por 20 anos, nunca tinha sido assaltada. Ficamos reféns por várias horas, com todas as nossas crianças. Foi uma das piores coisas q passei em minha vida. O ser humano sabe ser maldoso.
Não foi só sua familia que passou por isso, então nao fique achando que não pode falar. Vc tem seus leitores, seus admiradores…
Mas, tenha força e agradeça a Deus, que agora estão todos bem. No meu caso tinha um bebê de 6 meses e eu estava grávida de 7 meses.
Fique com Deus e q todos se recuperem psicologicamente. Desejo tudo de bom para vc e seus amigos.
Ismael meu caro amigo,
Tudo o que posso dizer neste momento é o que eu encontrei no poeta Carlos Drummond de Andrade, que eu divido com todos agora.
Congresso internacional do medo
Provisoriamente não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos,
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,
não cantaremos o ódio porque esse não existe,
existe apenas o medo, nosso pai, nosso companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas,
cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte,
depois morreremos de medo
e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas.
Ouvi muito pessoas dizendo não terem motivos para ficar e até entendo este sentimento. Ismael, não me deves desculpas por ter paqssado tudo isto contigo. Sou teu amigo e também sei que tu o és meu. Se vivemos bons momentos juntos, porque não também dividir os ruins? Senão não seríamos amigos.
É isso!
Ainda bem que eu não tava aí. HEHE. (Só pra quebrar o gelo).
Força pra vocês, força pra Hellen. Lembra o que eu falei pra ela? Que ela era mais forte que tu porque ela te apoiava em tudo? Ela é.
Se vocês precisarem de alguma coisa, tô aqui. Sei que não posso fazer nada. Mas posso mandar joguinhos de DS pro Marquinhos. :)
Olá meu caro, tudo bem?
Ha cerca de 12 meses atrás, enquanto voltava da casa de minha namorada, sofri um assalto.. e embora a ação não tenha sido hedionda como a sofrida por vocês, aqueles 10 min tiraram de mim o sentimento de lar que tinha pela cidade. Comecei e viver atormentado, vendo sombras e um tanto paranóico. Depois disso, e outros demais problemas com minha seguranca, além de observar que na verdade, ninguem se importa mais com o ser humano ao lado, que tudo virou um jogo de interesses, desisti. Não é assim que quero levar minha vida, nao é assim que imaginei ser feliz.
Hoje vivo na frança, em uma paz imensurável, onde a criminalidade é raridade.. e onde o governo, tem seus problemas sim, mas ainda valoriza o povo, a educacao e onde as crianças podem crescer sem medo. Onde os carros se importam com os pedestres, som medo de perder aqueles 5 segundos para dar passagem a alguem, em um dia de chuva, um simples ato de gentileza, mas que em sua simplicidade fomenta a bondade. Espero que a nossa cidade melhore.
Espero que sua familia se recupere de tal abalo, um amigo proximo estava com voces.. se desliguem de tudo associado ao ocorrido, isso é importante, e vida nova.. boa sorte pessoal!
Hoje, EU SOU FELIZ! tenho certeza que vocês também podem ser.
Sei o que é ligar para a polícia e nem sequer ter a ligação atendida… Sei o que é ter que passar por blitz de fachada só porque tem algum policial querendo o “do guaraná”… Sei o que é viver numa cidade onde protagonistas de circo de horrores matarem seus “concorrentes” nos negócios e mesmo assim serem idolatrados por miseráveis ignorantes… e por falar em ignorantes… Sei o que é ter esse tipo de segurança no Estado, sem falar na Saúde e na Educação de péssima qualidade, e mesmo assim ver o povo escolher novamente o mesmo [editado]… Quem dera se votar não fosse obrigatório… Sinto muito por você… por nós…
Vê-se que o verdadeiro telento aflora, mesmo diante das adversidades da vida, como no presente caso. Vejo que se continuar escrevendo, enfrentando aqueles que se apropriam do poder, outorgado a eles, mais pela ignorância e vunerabilidade do povo (teoria do bode), do que pela legitimidade do Estado Democrático, podes sim, correr riscos, até mesmo morrer literalmente, no entanto, se te calas, morrerás do mesmo jeito, mas dessa feita, uma morte da alma, da liberdade, da arte, do ideal. Assim, a única opçào será escolher o tipo de morte que preferes. Então continues escrevendo e nós, continuaremos lendo………
Fique com Deus.
Iza
D
Ismael, li com mais calma o seu relato e dois sentimentos vieram a tona: o alívio por saber que apesar de tudo fisicamente estão todos bem e a raiva, associada a indignação diante de tamanha violência. Várias pessoas humilhando-se por suas vidas, violentadas no seu interior dentro do seu proprio lar. Todavia a forma que voce relata que as coisas ocorreram me causa muita estranheza. Vivemos numa cidade onde quem luta pelo bem e pelos seus direitos é punido de todas as formas. Em Manaus o poste mija no cachorro. Não sei de que forma voce seguirá em frente, mas apegue-se a tudo que voce tiver de mais valioso e procure recuperar sua honra.
Um grande abraço
fiquei tentando organizar as palavras e de alguma forma postar alguma coisa..n sei c consegui,mas,vamo tentar..
Lembrar de tanta gente impotente,cm sentimentos a flor da pele,simplesmente por ações de serezinhos desconhecidos (ou n..) sem escrúpulos me faz parar pra refletir que rumo que a cidade q tentamos e,queremos, chamar de nossa está tomando..
Kd vez mais recebemos notícias d violência exarcebada e praticada cada vez cm mais frequência..Hj msm assaltaram a ag do itaú na djalma (a q era unibanco),ela n tem porta giratória simplesmente pq a diretoria do dito banco disse q lá n é área de risco ,me pergunto,nessa cidade ainda tem alguma área q n seja d risco?!e o gerente falar q isso é normal,td dia uma agência é assaltada..esse ideal medíocre de aceitação do horrendo e inaceitável me enoja nessa cidade,a idéia d q nd c muda..isso é errado..td muda,depende do querer!
Voltemos ao acontecimento..
Vidas de cidadãos comuns foram postas em risco,por simplesmente estarem confraternizando com os seus..famílias,sonhos de jovens,desejos de felicidade,correram o risco de serem ceifadas num simples disparo..
Ismael irmão,simples bons acontecimentos dividimos cm colegas,momentos bons e ruins dividimos cm quem temos laços de amizade,o q a partir d sábado,tds nos estreitamos d uma forma ou d outra..
Lembro e tento esquecer d kd momento vivido,kd expressão de terror no rosto de meus amigos,kd conversa pós-trauma q tivemos..
Levar, ou tentar levar a vida adiante é difícil mas n impossível,tenho certeza q kd um está tentando superar da melhor forma e o mais rápido possível.
Precisamos ter a mínima vontade de lutar pela cidade que tentamos chamar de nossa, e fzr essa luta valer a pena e fzr ser realmente e d fato nossa.
Vamo q vamo,seguir em frente,cm disse o Rodrigo mais atentos,desconfiados até,mas seguindo pq a vida n pode parar,sonhos n podem deixar d ser sonhados por isso.
#tamojunto
É vergonhoso saber e compartilhar de sua aflição, a dias atrás, roubaram e humilharam minha família da mesma forma que fizeram com vocês, também em um assalto(No Conj. Augusto M. Negro), onde a policia chega horas depois e nada é feito por eles. É ridículo se tornar estatística em jornal policial.
Mas o mais ridículo ainda e ter que dizer que você mesmo fará o trabalho desde, só que,de forma primitiva, na lei de Moisés e eles te porem de acusado.
Política ou não, na C.F o governo e prefeitura, tem a obrigação de nos dá segurança, no entanto, isso é fantasia.
De minha cordial e sinceras palavras o peço que não abandone sua forma, correta e clara de opinião, pois não devemos nos calar diante dessa faça de promessas de policiamento comunitário e algo que na verdade, não é feito por má vontade e desinteresse.
Hoje, eu levo a revolta, meus pais o medo de estarem a frente de casa a mercê de bandidos.
Mas, estamos acima de tudo, seguindo em frente, igual a você e sua família e muitas outras que podem, e um dia, assim espero, poderemos mudar e cobrar o que nos é de direito.
Ismael, um abs em vc,Helen e no pequeno herdeiro.Q Deus te ilumine sempre!
Não é essa a Manaus que eu sou apaixonado! Não é essa Manaus que eu sinto tanto orgulho! Não é essa cidade que eu decidi formar uma família! …Espero um dia te-la novamente!
Olá. Meu nome é Samantha, Samantha Gomes. Nós não conhecemos, mas temos vários amigos comuns; Manaus é aquele famoso ovo de codorna. Talvez por isso me sinta próxima de vc e de tudo o que lhe aconteceu. No dia 02/04/2008 eu fui assaltada na porta da fábrica na qual eu trabalhava, na rua Jonathas Pedrosa. Eram 14h. Fui espancada na frente de várias pessoas que nada fizeream. Peguei mais de 10 coronhadas na cabeça. 4 cortes profundos que originaram um total de uns 10 pontos na minha cabeça e um profundo corte na alma. O Saulo Borges, colega de faculdade e amigo pessoal, naquele mesmo dia, pela parte da tarde, fez uma matéria sobre uma senhora q reagiu a um assalto p/ defender a filha, pegou uma coronhada e morreu. Eu levara mais de 10. Tenho 2 filhas pequenas. Depois do susto só pensava nelas. O pai das meninas, meu ex-marido, disse que só pensava em como iria criar as meninas sem mim; achava q não conseguiria. Graças a Deus não foi preciso. Li tudo o que vc escreveu. Atentamente. Doeu em mim a dor da sua esposa. E é para ela que eu escrevo. Hellen, não deixe que ele desista de escrever. Nosso maior valor é o nosso pensamento; nossas palavras/críticas são nossas maiores armas p/ melhorarmos essa sociedade. Me senti órfã de uma justiça social junto com vcs… Me senti frágil. E se eu não gostei de ter sentido isso… imagina todos vcs que passaram por esse drama… Vou ficar na torcida e em prece p/ que vcs superem tudo. E torcendo p/ que vc escreva. Simplesmente escreva. Eu, que uso o twitter p/ falar abobrinhas, vou usá-lo como uma ferramenta p/ lutar contra essas injustiças. Não deixe suas palavras morrerem… Boa sorte para todos vcs nessa reconstrução; cada passo poderá doer muito. Mas vcs serão mais completos. É assim que hj me sinto. Passei pela síndrome do pânico, mudei de emprego, mudei meu foco e hoje acho que sou uma pessoa melhor, inclusive por causa dessa violência que eu vivi. Mais uma vez, boa sorte a todos. Deus os abençoe.
Você mesmo abalado é impecável nas linhas. Desejo muita proteção divina para você e sua família.
Deus te abençõe!
Primo,
Tudo bom?
Ontem que fiquei sabendo do que você passou na sua casa…Que coisa maluca todos os acontecimentos. Quando a Dani me ligou perguntando se eu já sabia o que tinha acontecido com você, juro me que meu coração disparou e eu pensei no pior, o meu coração disparou de uma forma que parecia que ia sair pela boca. Ainda bem que dos males o menor, se é que posso falar assim.
Saiba que você é admirado por muitos e acredito que você não deveria para de expressar o que você senti, poucos são os que têm a coragem e o talento para desabafar toda essa podridão em que vivemos.
O principal agora é se proteger e ficar de olhos bem arregalados “36hs” por dia…rsrs… Ainda bem que estou rindo agora, pois poderia está chorando que seria trágico para todos nós.
Todo esse talento e essa vontade de querer mostrar para todos o seu sentimento e o seu “livre” direito de escrever, acho que agora deve ser revertido para algo mais elaborado e estruturado para que realmente haja algum resultado tanto para o seu ego como para o bem comum. Esse episódio é mais um motivo para continuar, você deveria montar um “Quinteto Fantástico” com advogado, um federal, um policial, um juiz, você e os seus seguidores(eu estou nessa). To falando sério!
O seu primo aqui está distante, mas saiba que sempre vou querer o seu bem e o da sua família.
Cuida-te primo e um forte abraço em todos.
Beto Benigno
Não crucifiquem a polícia… cobrem do Estado e de seus governantes. Parem de amaldiçoar a polícia pois ela é reflexo dos governantes que naquele dia foram escolhidos. ora, nada justifica o crime cometido, mas a culpa vai além da ineficácia da polícia… vai desde o judiciário corrupto que solta bandidos que acham brechas nas leis ineptas dos políticos corruptos… sem contar que nada fazem por uma segurança de qualidade e o resultado é isso… famílias sendo ameaçadas e tenha a certeza que nesse dia vc foi apenas mais um… mera estatística aos olhos do governante
Olá Ismael, há poucos meses o acompanho, desde quando escreveu um texto cujo título, salvo engano, era a “O fim da inocência”, onde você falava sobre o prefeito Serafim, “engolido” pelo sistema.
Fiquei muito tocada com seu texto. Aliás, já tinha comentado com algumas pessoas que você consegue externar de uma maneira clara muitas coisas que eu penso.
Sou irmã de um conhecido jovem nesta cidade que vem denunciando políticos, autoridades e tantos outros que teimam em desobedecer a lei.
Ano passado, com a sua nova casa pronta, fruto de tantos anos de estudo, esforço e trabalho, ele resolveu deixar a casa dos pais para morar com a noiva.
Naquela semana, um pouco triste pela ida dele, mas depois de um domingo feliz, em família, nossa casa foi assaltada de madrugada por quatro bandidos que quebraram os portões a marretadas. Gritando que eram policiais e que sabiam na casa de quem estavam.
Enquanto eu ouvia a porta da minha sala ser destruída, consegui ligar pra o 190 e explicar para a atendende o que acontecia, meu endereço e ainda, um ponto de referência. (Estou esperando até hoje esta viatura).
Quando desliguei o celular e o escondi, eles arrebentaram a porta do meu quarto e colocada de bruços na cama junto com meus pais. Também imaginei uma chacina! Eu, minha mae, uma senhora de 60 anos e meu pai, com 73 anos, estavamos ali, indefesos nas mão de vários marginais que pareciam estar mais nervosos do que a gente.
Vasculharam toda a casa, sempre com a ameaça de nos matarem ou de me levarem para o “varadouro” caso não fosse encontrado dinheiro e jóias.
COm a graça de Deus eles foram embora levando consigo o pouco que tinhamos e toda a nossa paz espírito.
Passamos semanas deduzindo milhares de coisas.. um ataque pessoal, provavelmente, já que eles diziam saber na casa de quem estavam. Sabiam nossos nomes e tinham um “mapa” da casa.
Meu pai suplicava ao meu irmão que não fizesse mais o seu trabalho. QUe deixasse as “coisas” como sempre foram. Pedia para esquecer tudo aquilo que ele sempre nos ensinou. Por vezes, injustamente, nós o culpamos por tudo o que tínhamos passado.
Nós mudamos da casa que passamos quase 30 anos pagando. Onde todos os filhos e netos foram criados. Onde sempre recebíamos muitos amigos com alegria.
Dois meses depois a quadrilha foi presa. Um dos assaltantes era sobrinho do irmão de criação de minha mãe.
Papai nao aguentou de saudades da nossa casinha. Parecia adoecer. E meses depois, eu e mamãe sucumbimos. Deixamos papai fazer da nossa casa quase uma cadeia, cheia de grades e alarmes em cada janela ou porta.
O caso foi “solucionado”, os marginais presos e julgados, mas mesmo assim, nós nunca mais tivemos paz. Não importa aonde eu esteja eu lembro do que eu passei. A noite, depois de fazer minhas orações, eu deito e relembro tudo o que aconteceu naquela noite. Tenho medo de nunca esquecer o que passei, mas ao mesmo tempo, vi que preciso de coragem para seguir minha vida e cuidar de meus pais que tanto precisam de mim.
Torço pelo meu irmão para que ele não ouça meu pai em seu apelo e continue sempre perseguindo a Justiça do nosso Estado.
Torço agora também por você, sua família e seus amigos para que tenham forças para superar tudo isso. Nós não podemos nos acovardar diante de tantas injustiças e desmandos. Você e meu irmão, assim como tantos jovens, são uma chama em nossa sociedade que não pode se apagar.
Fé em Deus!
ps: Ironia do destino, naquele domingo do assalto a minha casa, pela manhã eu fiz a prova da polícia civil, passei, mais AINDA não fui chamada para o curso de formação. Faço votos de que o Governador reeleito chame com urgência todos os novos profissionais, até mesmo o milésimo e qualquer coisa, pois o Estado está entregue a criminalidade!
Gostou do susto ? Conta o resto. Da curra que a mulherada levou. A sua é muito fraquinha. Comi em homenagem a você. Na próxima, vou comer seu cuzinho também. Aguarde.
Ismael,
Estou profundamente chocada com tudo isso. Sinto muito por tudo que passaram. Gostaria muito de ajudá-los nesse momento dificl da vida de vocês.
De qualquer forma, graças a Deus não aconteceu nada ainda mais grave.
Força pra vocês! Venham pra cá. Virem a página, comecem novamente.
Um grande abraço.
Ismael, fiquei extremamente triste e chocado com tudo o que aconteceu! Desejo força e muita paz para você e sua família nesse momento difícil.
Caro Ismael, Te desejo toda a força, paz e que a vida se coloque num rumo melhor para vocês seja onde for.
Mas muito me revolta saber que a mesma polícia comandada pela política que não atende e que culpa o cidadão comum pela violencia cometida contra ele faz plantão dia e noite na guarita em frente a casa do político que afirma que sua mãe é a melhor acessora possível (alí na Av. Prof. Nilton lins em frente ao grande lago) e tambem faz plantão em frente a casa do ex G. atual S. bem votado (lá na morada do sol)é só passar e ver.
Apesar deles possuírem salários e empresas que não justificariam o uso do errário público, mas fazer o que se eles continuam sendo os mais votados e o povo ainda acredita. “Polícia para quem precisa” no julgamento destes gestores o cidadão comum, aquele que paga a conta não precisa!
força, é o que eu posso dizer.
nessas eleições senti o mesmo que você perdir a ideologia esse estado não tem mais jeito.
mesmo com esse dificuldade eu sei que você vai se recuperar es forte!!
Antes de tudo, Ismael, minha solidariedade a você e aos seus amigos.
Você parece estar tomando o crime como político. Há alguma evidência? Achei estranho que soubessem de um policial no grupo. Afora isso não vi outro indício.
No texto ele diz que sabiam que havia um policial no grupo e que o único carro roubado foi o da medica bianca abinader.
Existem varios politicos que usam a policia como achacadores, mandam assaltar os inimigos e ameaçar a familia. Proteção no estado só se você for bandido e possuir uma arma.
Lamentável, trágico.
Olá, Ismael.
Conheço-o apenas de vista e pelo seu blog, mas fiquei muito triste pelo que aconteceu por você, sua família e seus amigos. Fiquei pensando que por um mero acaso ou benção(depende de sua crença), as crianças não estavam.
Desejo muita força a todos!
Chocada:(. deixo aqui minha solidariedade a voce e sua familia..
Fala cara.
Uma equipe do “Medical Detectives” descobriria facilmente o autor do crime, seja pelo DNA que deixaram pela casa, pelas marcas das pegadas pelo chão, ou pelas câmeras de segurança.
Soldado, recupere suas energias, recomponha-se, ainda há muita batalha pela frente.
“Eu me nego a viver num país assim. E não vou sair daqui.” Michael Moore.
Ismael meu irmão.
Que Deus abençoe você e sua família. quero te dizer que não te preocupes pois “eles” podem escapar da punição dos homens, mas não da justiça de Deus!
Grande abraço.
Paz.
Exatamente no mesmo dia que li esse post (07/10), minha casa foi assaltada. Eu, meu esposo e um casal de amigos fomos feitos reféns no nosso lar. Ao ver o bandido com a arma na mão, nos rendendo, todo o seu relato veio à minha cabeça.. O assalto foi muito parecido, mas menos violento. Nos colocaram no quarto, no banheiro, e enfim nos amarraram na sala pra ganharem tempo. Roubaram o carro do nosso amigo, fizeram mais 2 assalatos no tocantins, mas o recuperamos no outro dia pela manhã. Perdemos coisas materias (as alianças de nós 4 inclusive, e a única coisa que lamento), mas graças a Deus temos saúde pra recuperar com o nosso trabalho. A vergonha e culpa por meus amigos estarem na nossa casa naquele momento é terrível (imagino como se sentiu)…pra piorar, minha amiga está grávida, e nós não sabíamos, pois ela iria contar em uma festa pra comemorarmos. Hoje ela está em repouso absoluto, teve sangramentos, mas ela e o bebê estão bem, se recuperando.
Ficamos indignados com o tratamento nas delegacias. Passamos por 3 até encontrar uma que tinha sistema.
Graças a Deus estamos aqui pra contar essa história. Que Ele continue protegendo a todos nós!
Meu mael querido,
Gostaria de neste momento poder abraçar vc e minha querida Hellen e nosso marquinho e dizer as milhares de palavras de afeto e de amor que passsam pela minha cabeça mas unica coisa que realmente quero fazer é chorar com vcs, por vcs, por nós, pelo que acreditamos e pelo mundo que vivemos e por essas relaçoes que esse maldito dia a dia de que vc so vale pelo que tem e nao pelo que acredita,pelo que sente… sinto muito, meu coraçao esta doendo e gritando: POR QUE AS COISAS TEM QUE SER ASSIM…POR QUE NAO PODEMOS SIMPLESMENTE SER FELIZES… seja falando, comendo, bebendo e sonhando como quisermos….POR QUÊ?.. conte conosco… corra para nós que os amamos e que estamos ao seu lado sempre!
Ismael, agora li. É outra coisa que não tem tempo, nem vencimento, infelizmente. Violência sofrida se finca na pele da alma. E a gente assim nú para o mundo é uma sensação dificil de abandonar.
>Achar que ser assaltado e agredido num dia de eleição tenha algo a ver com a eleição é simplista, ingênuo e de certa forma pretensioso>
Não é ingênuo não meu irmão. É a chave para entender e identificar o Brasil de ontem, de hoje e, temo, ainda de amanhã.
Essa violência que grudou na alma nacional de qualquer perspectiva queiras observar, é Brasil. Um Brasil antigo e perverso. Um Brasil que se resolve somente assim, na porrada.
Parar de escrever, deixar de pensar, pretender não sentir não tira a dor nem afasta o medo.
É caminhar.
Um beijo na Hellen e no teu filho.
“Verdades ditas em alguns lugares morrem na escuridão e na sede cega dos ignorantes”
Começo com essa frase porque hoje estamos em terras onde roubar é ato digno. Ludibriar, lezar, enganar viraram virtudes. Sermos honestos, trabalhadores, termos princípios de honra e dignidade são mazelas dos ratos, urubus e raposas que hojem mandam em meios de comunicação, ocupam cargos públicos e promovem na pobreza a “tábua de salvação” dos esquálidos, analfabetos e miseráveis que querem apenas um “bico”, um rancho, um “puxadinho”.
Sermos cidadãos em tempos negros e ocultos é sermos bandidos para os ladrões “mocinhos”.
Infelizmente você passou por isso. Compartilho a minha revolta com o ocorrido e tenha mudado profundamente os rumos de várias pessoas. Não aceitarei, e por menos calarei pra covardes que se amedrontam por palavras e respondem com bala, com truculência e sordidez.
Força, fé e não te cales e ajoelhes para os porcos. Continue sempre escrevendo o que pensares.
Abraços
Johane
[...] da festa da democracia brasileira, a.k.a eleições, li um relato feito pelo Ismael Benigno, pessoa do círculo social de Bianca, e pensar “Porra, a situação lá tá difícil, o que [...]
Violencia ou castigo.. Awful :)