Sobre ignorância e autoconfiança
A gente tem que tirar uma lição deste episódio do Restart: a melhor maneira de rebater esse tipo de declaração é gostando mais de nós mesmos e de nossa região.
Vi a movimentação em torno da declaração do menino da banda Restart no Twitter e nem dei muita bola. Sempre preferi não dar importância para declarações preconceituosas e mostras de ignorância, mesmo quando fui vítima. Outra coisa, da mesma forma como acho que os serviços aqui são ruins porque não há miséria, considero que a miopia do Sul e Sudeste em relação a nós tem até um lado benéfico, já que eles não conhecem nossa realidade e não trazem suas mazelas pra cá.
Para quem não conhece a história, é o seguinte: Dia 1º de Abril a banda Restart, formada por adolescentes que usam roupas coloridas, e que faz relativo sucesso no País, vem fazer show em Manaus. Um dos garotos, afirmou, na terça-feira, que queria muito tocar no Amazonas. “Imagina tocar no meio do mato. Não sei como é o público de lá. Não sei nem se tem gente, civilização”. Rapidamente, pipocaram retaliações, críticas, piadas, xenofobia e xingamentos.
Poderia colocar aqui que as declarações dele refletem a visão de uma geração; que o povo do Sul e Sudeste extrai dinheiro do nosso trabalho com a Zona Franca; que os artistas cobram um preço absurdo para tocar aqui, etc. Mas isso tudo soa vazio.
O que acho mesmo é que a gente tem que tirar uma lição disto tudo: a melhor maneira de rebater esse tipo de declaração é gostando mais de nós mesmos e de nossa região.
Ontem pela manhã, o canal Discovery Travel & Living mostrou um programa gravado em Manaus. Era a viagem de quatro moradores de Nova Iorque a nossa cidade, com direito a passeio de barco, pôr do sol no Rio Negro, amanhecer no Rio Amazonas e almoço de peixe comprado no Mercadão.
Era impressionante ver a felicidade dos turistas com as coisas do nosso cotidiano. Um deles, de cor negra, jogou capoeira com mulatos manauaras na Ponta Negra. Outro estava exultante de ver o reflexo das nuvens em um lago escuro. Uma moça disse que nunca comeu peixes tão saborosos como os da nossa região.
Para nós, é normal. Nos acostumamos, nos resignamos. Talvez esse seja o nosso problema e não uma celebridade adolescente sem instrução.
Temos que gostar mais de nossas pessoas, de nossa terra, de nossas coisas. Temos que cuidar melhor de Manaus. Temos que reclamar de nossos problemas.
É hora de dar um ‘Restart’ na nossa autoconfiança.
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perfildoautor
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Radical moderado fazendo jornalismo há 10 anos. Criador e editor do jornal DEZ Minutos e do portal D24AM.com. Namorado, pai, botafoguense e amigo chato.
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Discurso lamentável do adolescente que a menos de um mês do show que fará em Manaus não se preocupou nem pesquisar na internet se aqui existe gente, civilização ou mesmo só tem mato.
Ele não deve ter notado que o celular que ele usa provavelmente foi fabricado aqui e que os CDs da banda são TODOS produzidos aqui.
A geração internet se mostra que não se informa com conteúdo relevante.
Discurso lamentável do adolescente que a menos de um mês do show que fará em Manaus não se preocupou nem em pesquisar na internet se aqui existe gente, civilização ou mesmo se só tem mato.
Ele não deve ter notado que o celular que ele usa provavelmente foi fabricado aqui e que os CDs da banda são TODOS produzidos aqui.
A geração internet se mostra que não se informa com conteúdo relevante.
Como você mesmo disse, um adolescente sem instrução. Eu completo: por opção própria, o que é um absurdo já que ele tem condições de ter acesso à Internet. Concordo com o leitor do post anterior: isso apenas demonstra que essa geração Internet não sabe usá-la para coisas úteis.
Perder horas e horas com jogos, bate-papo ou outra forma de lazer td bem. Mas pelo menos saber também usá-la para ter noção das coisas antes de pagar um mico em público desse.
Márcio, ótima matéria. Realmente a falta de informação na era da informção é muito grande.
Infelizmente “aborescentes pseudo-celebridades” dão declarações e acabam influenciando de maneira negativa toda uma geração. São pessoas que como dito no post acima, são ignorantes por opção. Na minha época não tinha esta de não estudar e de poder fazer o que quiser. Não tínhamos acesso às informações como hoje eles tem. Se fossemos de uma família com condições teríamos 30 volumes da Encliclopédia Barsa.
Eu como morador de SP fui descobrir a pouquíssimo tempo que as calçadas de Ipanema no RJ são uma cópia das calçadas de Manaus, e que os cariocas se vangloriam tanto. Que Manaus foi a primeira cidade brasileira a ter energia elétrica, enfim, o brasileiro precisa se conhecer melhor.
Um grande abraço.
Sem hipocrisia o povo do sul e sudeste se acha os seres supremos, melhores que outros estados, porém com uma diferença, eles odeiam os nodestinos e o povo do norte.
Francamente Manaus não precisa disso, o povo deve se mancar e boicotar a vinda desta banda, que vá fazer seu show nos presidios de São Paulo.
O povo aqui merece respeito, todo mundo chama os Amazonenses de Indio e ninguem faz nada, até Silvio santos já chamou e ninguem fala nada!
Amo Manaus, Amo Amazonas e não troco Manaus pelas enchentes de São Paulo ou pelo faroeste do Rio de Janeiro.
Mas trocaria por 30 dias por Natal, Fortal e outras cidades nodestinas.
Restat vaza, Manaus não te quer!
Gente babaca que se acha, até quando essa bandinha de travecos vão estar na midia?
Logo, logo termina e o Amazonas, bom esse mais 500 anos, 1000 anos.
Obrigada por nos dá o privilégio de lê textos excelentes e lúcidos como os seus. Valeu!
George, sem “hipocrisia”, tua xenofobia só serve de arsenal pra esses moleques cretinos e aculturados e a sua legião de fãs xiitas sem cérebro que não sabem nem como se abre um livro pra ler. Não por seres de onde és, mas espero que tu o saibas! Enfim: nasci no Sul, morei no Norte por 3 anos, e essa foi a experiência que mudou definitivamente a minha vida e meus pontos de vista. Gostarias de ter tal experiência, George? Não digo ir pra SP, que também não me parece uma idéia muito agradável. Que quero dizer com isso…?! Que, tendo nascido no extremo Sul do país, não me sinto, de nenhuma forma, um ser superior. Você lesse um pouco mais, como gostaria que as meninas do Restart fizessem, saberia que o extremo Sul é, também, desconhecido e desvalorizado pelo Eixo do Mal (Centro do país – Rio/SP). E esse, nem de longe, é o problema! A todos (TODOS!!!) os meus amigos amazonenses, sempre disse da necessidade de se valorizarem, valorizarem seu Estado, sua cidade, seus artistas, seus escritores… Manaus está no meu coração, ocupando um espaço maior que o dedicado à Porto Alegre, capital do meu RS. Me causa sério desconforto toda piadinha xenófoba sobre Manaus e o AM, mas me causa ainda mais mal quando os próprios amazonenses não dão valor ao que têm, à verdadeira jóia de cujo solo pisam e valorizam tudo o que venha de SP, BA, RJ… és fastiano, tufão, ou galo? Pense bem na resposta… comece vendo pra que time torces! Tirando a soberba carioca e a empafia paulistana, o bairrismo não é uma coisa tão ruim assim, se souber dosá-la. Aprenda com os nossos parentes paraenses, amigo! Não odeie esses pobres coitados, ame-se mais! Grato.
Parabéns ao ótimo artigo que tive o prazer de ler nessa manhã de quinta feira, mas parabénsm, também para seu cometário, Victor de Araújo!
Boas palavras! Ótimo artigo, acho que você colocou em palavras o que nós realmente devemos pensar e fazer.
Kaio.
Muito boa a matéria! Também indico como leitura um artigo do advogado e professor Arthur Caldas. Vale a pena conferir!
http://blogdoarthurcaldas.blogspot.com/
Quero também vim descrever o prestígio de ler sua matéria.
Realmente este assunto ja é a muito tempo mastigado, mas nunca foi resolvido.
Creio que a solução é essa mesmo. Amar nossa Amazônia.
Eu nasci aqui e amo este lugar. Já tive oportunidade de viajar a municipios interioranos e vi a “miséria” em relação a dinheiro, mas muita riquesa no povo riberinho com suas ações humildes que somada a beleza plena de nossa região me da orgulho de morar aqui.
O sul é bom? O norte é bom? São perguntas relativas. O importante é saber reconhecer o potencias, belezas, riquesas que nossa região tem e oferece e assim, não dar mais pretexto aos nossos irmãos de pátrias sulistas.
Abraços
A infeliz declaração do baterista do Restart pode ser analisada por dois ângulos, como bem colocou o Márcio.
Eu nasci no Rio de Janeiro, mas me criei em Manaus e me considero bem mais amazonense que carioca, tenho até certa resistências aos meus conterrâneos legítimos, já que infelizmente, boa parte deles e das pessoas que moram no Sul/Sudeste, acham que o Brasil termina em MG, acreditam que por estarem no “Centro” do País não precisam conhecer mais nada e não perdem a oportunidade de destilar seus recalques em forma de preconceito.
Acho uma pena ver adolescentes tão IGNORANTES e perceber que isso é só o retrato dessa nova geração. Minha adolescência foi vivida no início dos anos 2000 e talvez por não ter tido tanto acesso a internet como atualmente, tinha muito mais vontade de aprender. Percebe-se que se não utilizada com cuidado, a internet emburrece.
Também acho que o Amazonense precisa dar mais valor ao seu estado. Eu adoro cada peculiaridade daqui, seja no falar, vestir, comer, viver. Tenho profundo orgulho de ter artistas como Eliana Printes, Raízes Caboclas, autores como Márcio Souza, Milton Hatoum. Às vezes percebo que sou muito mais amazonense que muitos que nasceram aqui e acho isso uma pena. Só não concordo com essa história de dizer que a valorização começa pelo time de futebol que você torce. Acho bobagem dizer isso, futebol é paixão e paixão não se escolhe.
Na verdade o brasileiro precisa olhar para o brasileiro como irmão e não inimigo, acabando com essa guerrinha besta e sem sentido.
Artigo muito interessante..parabéns Marcio, se todos os ignorantes pudessem ler essa matéria seria ótimo!!!
quiz dizer INTERESSANTE.
Martha, tsc, tsc, tsc… és carioca em ALGUMA coisa! O time de futebol é incluso no pacote! Nasci no Rio Grande do Sul! Torço para o Sport Club Internacional, de Porto Alegre! Valorizo o time que é da região onde nasci! Onde mais se vê isso, além de SP e RJ?! Em Estados mais “bairristas”, como o Pará, Bahia, Pernambuco, Ceará, Minas, Paraná… como o futebol se desenvolveu mais por lá do que no Amazonas? Não foi com uma política pública, foi com o apoio da torcida local, orgulhosa, que quer ver os times da sua cidade, seja Recife, Porto Alegre, BH, Salvador, tão grandes quanto os times do “centro” do país!
Sou colorado, já disse acima, mas meu lado amazonense se apegou ao Fast Clube, em Manaus sou fastiano, tão, ou quase tão fanático quanto sou como colorado. Simples assim! É paixão? Não, é amor… o amor tem, sim, um lado racional! É o lado racional que percebe as afinidades! É o meu lado racional que percebe afinidades entre Manaus e Porto Alegre! Eu disse: o MEU lado racional! Não quero, ou espero que o seu perceba da mesma forma. Eu sei e reconheço de cara que Manaus e Porto Alegre são portos de lenha, já que falaste em Raízes Caboclas. Como falei, eu me encontrei, experiência pessoal, íntima, apenas e tão somente minha, quando fui morar em Manaus. Sou gaúcho de nascimento, e não me sinto menos gaúcho, sendo daqui, sei o quanto o RS é desconhecido e quanto preconceito há EM TODO BRASIL em relação ao extremo sul. O extremo sul não é um país à parte, sinto muito em te decepcionar. O teu Rio de Janeiro e São Paulo têm o poder da mídia e o usam pra se esforçar nessas duas frentes, em mostrar o Sul como um outro país, que NÃO É o Brasil e o Norte como uma região selvagem e inóspita dominada por índios. Isso é um fato que, aí sim, posso concordar em parte, pois sei que tanto em Manaus, quanto na Porto Alegre, poucos querem admitir. Cada um quer ser, por sua parte, mais vítima do desconhecimento alheio do que o outro. Meu lado gaúcho é bairrista, é o que me faz ser bairrista como amazonense, como defensor do Amazonas, onde quer que eu vá. Me considero uma pizza de tucumã com chimarrão, sou mezzo amazonense, mezzo gaúcho. Não tenho nenhuma resistência aos meus conterrâneos, quanto aos teus, tenho apenas algumas restrições. E sim, tenho mais resistência a idéias do que a pessoas, a ignorância e a prepotência, as brincadeiras e as opiniões que visam diminuir e avacalhar com outras pessoas de outras regiões, isto me causa, sim, um forte aumento da bílis. Me ataca o fígado. Me irrita profundamente! Já entrei em briga com meus conterrâneos que manifestaram idéias errôneas, diversas vezes. Mas só com aqueles que demonstraram tais idéias apenas por despeito. Aos que demonstram alguma ignorância, procuro esclarecer no que me é possível a respeito de Manaus e do Amazonas. Eu não mudei minha visão sobre Manaus, quando aí estive, eu mudei minha visão sobre mim mesmo. Reside aí uma grande diferença. Eu não tinha absolutamente nenhuma visão de Manaus e do Amazonas, para se mudar. Eu sei de muitos que não têm visão alguma sobre o Rio Grande do Sul. Mas claro, como Martha, resolvem emitir opiniões sobre um “Sul” aliado ao Sudeste neste “complô” desinformativo contra o Norte do país. Esse “sul” não existe. Não sei de que “sul” ela fala. Podia se ater ao Sudeste, que este, todos conhecemos bastante, de alguma forma. Ele está invadindo as nossas telas de tv, o monitor de nossos computadores, o dial de nossos rádios, o tempo todo, nos dizendo quem somos (nortistas, sulistas, ocidentais, nordestinos), uns para os outros e para nós mesmos. Eles mostram os estereótipos, eles nos mostram como nos vêem. Nunca como somos, nem como somos vistos. Até porque NÃO SOMOS VISTOS! Deixe essa soberba carioca lá fora, por favor! Não suponha o pensamento do “sul” igual ao do “centro” do país! Não é. Eu sei que o teu pensamento, Martha, não é nortista, mas sim do sudeste. Porque eu sei também: no Norte não se pensa da mesma forma que no Sudeste!
Victor de Araújo acho que você deve ter tido alguma dificuldade para entender o que escrevi, mas vamos lá.
Não sabia que no Sul do País existia apenas o Rio Grande de Sul, devo ter frequentado aulas de Geografia diferentes das suas.
Dizer que o Rio Grande do Sul é tão discriminado quanto o Norte e o Nordeste, chega a ser engraçado. Meu caro, garanto para você que as pessoas do Sudeste conhecem muito mais, sabem muito mais das coisas e história do RS, do que do Amazonas.
No futebol mesmo, que você usou como argumento para medir quem é mais amazonense, carioca, ou riograndense, o Rio Grande do Sul tem muito mais espaço nas TVs do Sudeste, do que os times da Bahia e do Pará que tem um futebol fortíssimo.
Os clássicos REPA e BAVI são tão acirrados quanto aos GRENAIS, mas não vejo tanta mídia como o corre em sua terra natal.
Se vc tiver um pouquinho de interesse em descobrir porque digo que MUITA gente do Sul/Sudeste tem um pensamento preconceituoso em relação ao norte do país, procure fóruns de discussões em redes sociais e VEJA o nível de comentários de pessoas de estados como PR, RJ, SC e SP. Fora as experiências que tive com os meus conterrâneos.
Um salve aos gaúchos. Nunca vi um comentário preconceituoso ou um julgamento de valor partindo deles, pena que nem todos são assim, haja vista postagens desse blog.
Você me pede para perder a empáfia e eu lhe sugiro o mesmo. Querer parecer melhor que os outros porque torce para time da sua região, ou porque consegue ter o mesmo carinho pelo seu estado e pelo estado que adotou, soa também como empáfia. Autocrítica é um dom.
Só para ficar bem claro para você, não emiti opinião sobre “um SUL”, minha opinião foi sobre MUITAS PESSOAS que moram no SUL/SUDESTE. Agora você acabou generalizando e “SUPONDO” que TODO O SUDESTE se sente superior ao resto do país. Que TODO O SUDESTE tem um pensamento limitado. Assim como você afirmou que Nortista não tem pensamento de Sudeste, não generalize, a não ser que tenha conversado com cada cidadão dos 7 estados da região. Já ouvi “gente da terra” que pensa exatamente como “gente de fora”.