Ser ou não ser escritora?
“Assim como a literatura é um tipo especial de arte, o jornalismo é um tipo especial de literatura.”Tristão de Ataíde.
Pobre eu sei que vou ser, mas vou ser uma pobre feliz?
É madrugada e estou tendo uma crise, ignorem-me.
Crises de identidade profissional – tenho 20 anos e já passei por isso mais vezes que a Xuxa. Desde pequeno você é pressionado a saber o que vai fazer, mesmo que seja uma pergunta só porque ninguém tem assunto com crianças.
Já quis ser jardineira, veterinária, advogada (eca), economista, designer, publicitária, rica e agora jornalista e escritora.
Ser jornalista é transmitir o que você viu para milhares que não viram. Ser escritora é ver seu mundo na mão de outras pessoas.
Não sei se tenho talento, não sei se poderia passar horas em um plantão e fazer uma matéria inteira sobre um debate vazio, ser reprimida por opinião pessoal, ser imparcial e não sei se posso dividir meu mundo.
Mas não é essa é a graça da vida? Não saber?
então queres ser escritor?
se não sai de ti a explodir
apesar de tudo,
não o faças.
a menos que saia sem perguntar do teu
coração da tua cabeça da tua boca
das tuas entranhas,
não o faças.
se tens que estar horas sentado
a olhar para uma tela de computador
ou curvado sobre a tua
máquina de escrever
procurando as palavras,
não o faças.
se o fazes por dinheiro ou
fama,
não o faças.
se o fazes para teres
mulheres na tua cama,
não o faças.
se tens que te sentar e
reescrever uma e outra vez,
não o faças.
se dá trabalho só pensar em fazê-lo,
não o faças.
se tentas escrever como outros escreveram,
não o faças.
se tens que esperar para que saia de ti
a gritar,
então espera pacientemente.
se nunca sair de ti a gritar,
faz outra coisa.
se tens que o ler primeiro à tua mulher
ou namorada ou namorado
ou pais ou a quem quer que seja,
não estás preparado.
não sejas como muitos escritores,
não sejas como milhares de
pessoas que se consideram escritores,
não sejas chato nem aborrecido e
pedante, não te consumas com auto-
-devoção.
as bibliotecas de todo o mundo têm
bocejado até
adormecer
com os da tua espécie.
não sejas mais um.
não o faças.
a menos que saia da
tua alma como um míssil,
a menos que o estar parado
te leve à loucura ou
ao suicídio ou homicídio,
não o faças.
a menos que o sol dentro de ti
te queime as tripas,
não o faças.
quando chegar mesmo a altura,
e se foste escolhido,
vai acontecer
por si só e continuará a acontecer
até que tu morras ou morra em ti.
não há outra alternativa.
e nunca houve.
Charles Bukowski.
Obs- Se você souber inglês, leia esse poema em inglês. É a única auto-ajuda não imbecil que já vi na vida.
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Eu sempre quis ser escritor desde que era um garoto. Ainda quero, na verdade. O problema é que sempre começo a escrever de uma forma empolgada, mas depois vou perdendo a disposição e nunca termino nenhuma das histórias. Agora que li esses conselhos do Bukowski, entendo melhor o porquê. Aliás, existem outras auto-ajudas que não são imbecis. Tudo depende da ajuda que você precisa. Ou não?
Olha, eu percebi potencial e talento em você. Continua nesse ritmo e espera pacientemente a sair de ti a gritar o/
Muito bom! Saudades dessa moça! Valeu muito ler isso!
Feliz de te reler. Sou tua fã, Li! :)
a pressão é algo que nossos filhos vão aprender a lidar com. Nós não fomos preparados. Fomos preparados pra saber. E no fundo a gente nunca sabe…
anyway parabens pelos textos aqui, são ótimos =)
Não seja escritora.
Ñão sou escritor, não curto muito jornalistas, mas adoro, Charles Bukowski, muito bom, já li alguns de seus livros. e todos de maneira ou outra nos passam mensagens do real.
Olá lviarock,
Gostei muito dos seus textos sobre Manaus. Moro no Rio de Janeiro, e tenho pensado em tentar a vida em sua cidade. Gostaria de ter mais algumas impressões com você, pode ser? Se puder divulgar seu e mail, eu agradeceria pela gentileza.
Um abraço, e parabéns pela bela escrita.
Leandro Coelho.