Educonomia

EVANDRO BRANDãO BARBOSA Economia, Educação, Sociedade e História

ETNIA E MISCIGENAÇÃO: culturas, humanização e cidadania em movimento

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Evandro Brandão Barbosa

Evandro Brandão Barbosa * Culturas no plural porque a diversidade tem presença natural na vida. E na vida do ser humano, a cultura é um tema discutido há séculos. Confúcio, quatro séculos antes de Cristo, afirmou: “a natureza dos homens é a mesma, são os seus hábitos que os mantêm separados”. Em 1690, John Locke escreveu o Ensaio acerca do entendimento humano, onde afirma que a mente humana não é mais do que uma caixa vazia por ocasião do nascimento, dotada apenas da capacidade ilimitada de obter conhecimento, através de um processo atualmente denominado endoculturação (LARAIA, 2009, p.25-26). Portanto, para Locke, os homens têm princípios práticos opostos – raramente há princípios de moralidade para serem designados, ou regra de virtude para ser considerada (LIVRO I, Cap. II, § 10). * Em 1871, Edward Tylor definiu cultura como sendo “todo o comportamento aprendido, tudo aquilo que independe de transmissão genética” (LARAIA, 2009, p.28). Essa informação encontra-se no seu livro Primitive Culture. * Em 1917, Alfred Kroeber rompeu os laços entre o cultural e o biológico e apresentou o cultural como determinante do comportamento humano; registrado na sua obra “O Superorgânico” (LARAIA, 2009, p.28). * O homem, portanto, é o único ser vivo dotado de cultura. O que faz o homem ser diferente de outros animais é a sua possibilidade de comunicação oral e a capacidade de construir instrumentos que resolvem as suas limitações biológicas. * Pensar em etnia e miscigenação, mas abordar inicialmente o subtítulo culturas. Por que? * Porque a etnia e a miscigenação somente apresentam-se com sentido após a tomada de consciência da diversidade cultural. Agora, portanto, os temas etnia e miscigenação podem ser desenvolvidos, após o conhecimento das discussões sobre a cultura, que se revela como culturas. * O termo etnia surgiu no início do século XIX para designar as características culturais próprias de um grupo, como a língua e os costumes. Foi criado por Vancher de Lapouge, antropólogo que acreditava que a raça era o fator determinante na história. Para ele, a raça era entendida como as características hereditárias comuns a um grupo de indivíduos. Elaborou então o conceito de etnia para se referir às características não abarcadas pela raça, definindo etnia como um agrupamento humano baseado em laços culturais compartilhados, de modo a diferenciar esse conceito do de raça (que estava associado a características físicas). Já Max Weber, por sua vez, fez uma distinção não apenas entre raça e etnia, mas também entre etnia e Nação. Para ele, pertencer a uma raça era ter a mesma origem (biológica ou cultural), ao passo que pertencer a uma etnia era acreditar em uma origem cultural comum. A Nação também possuía tal crença, mas acrescentava uma reivindicação de poder político. * Afinal, quem somos nós, os brasileiros? À primeira vista, a resposta para essa pergunta é fácil: somos o produto da miscigenação entre os colonizadores portugueses, os índios que aqui viviam e os africanos trazidos como mão de obra escrava, além dos imigrantes que chegaram entre os séculos 19 e 20 – como alemães, italianos, japoneses. Até aí, tudo bem. Somos, enfim, um povo mestiço genética e culturalmente que, apesar da diversidade, compartilha certos traços em comum. * As etnias formadoras da identidade brasileira constituíram um processo de miscigenação, não é a toa que somos o único país com tantas diferenças étnicas. Este processo de miscigenação é o pressuposto mais concreto da formação da identidade do povo brasileiro. É a partir dessa miscigenação que entendemos diversas relações existentes em nosso meio social. Para historiadores que narram a fabulosa descoberta do Brasil, a miscigenação é um ponto convergente; ou seja, era necessário acontecer, outros não evidenciam esta convergência definem que seria bem melhor que não houvesse a mistura das etnias que formaram nosso povo A análise da humanização, da ética e do relacionamento interpessoal permite perceber facilmente os pontos de contato entre esses temas e a necessidade imperiosa de ser respeitada ininterruptamente a dignidade de todas as pessoas. * * REFERÊNCIAS KROEBER, Alfred. “O Superorgânico”, in Donald Pierson (org.), Estudos de Organização Social, São Paulo: Livraria Martins Editora. * LARAIA, Roque de Barros. Cultura: um conceito antropológico. 23 ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2009. * LOCKE, John. Ensaio acerca do entendimento humano. Coleção “Os Pensadores”. São Paulo: Abril Cultural, 1959. * TYLOR, Edward. Primitive Culture. Londres, John Mursay & Co. [1958, Nova York: Harper Torchbooks].

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