Educonomia

EVANDRO BRANDãO BARBOSA Economia, Educação, Sociedade e História

Energia Elétrica em Manaus: fontes, produção e perspectivas

Em Manaus, encontram-se em funcionamento, a gás, as usinas Tambaqui, Jaraqui e Manauara, inauguradas na sexta-feira (27/11/2010), pelo Presidente da República; ainda entrarão em funcionamento as usinas Gera, Aparecida, Mauá e Raeza. A capacidade de produção dessas sete usinas é de 550 Megawatts diários. Já a hidrelétrica de Balbina produz 250 Megawatts diários de energia elétrica para Manaus, o que representa 22% da energia consumida pela capital do Estado. As termelétricas em operação com a queima de óleo diesel, em Manaus, produzem 360 Megawatts e continuarão em operação, pelo menos até 2012, quando espera-se que o linhão de Tucuruí tenha sido concluído pela Eletrobras; esse linhão interligará a cidade de Manaus ao sistema de produção e transmissão de energia elétrica do Brasil.

Evandro Brandão Barbosa

Evandro Brandão Barbosa

A energia está em quase tudo no mundo, mas o processamento desta transforma-a em produto final a ser utilizado no início de muitos processos produtivos. Assim ocorre com a energia elétrica, que é um produto final gerado por fontes diversas; entre as fontes mais populares estão a água, o óleo diesel, os óleos combustíveis, o vento, alguns gases, o etanol e muitas outras não tão comuns. Portanto, como produzir energia elétrica condiciona-se tanto à disponibilidade de determinadas fontes como da inventividade ou engenhosidade das pesquisas científicas capazes de aproximarem as atividades das instituições de pesquisas e das instituições de ensino superior das necessidades de infraestrutura das sociedades. Enquanto se realizam pesquisas científicas nessas instituições para descobrir como produzir energia elétrica de outras fontes além da água, para atender a interesses políticos, realizam-se muito pouco para a melhoria da qualidade de vida das populações. A variedade do relevo percorrido pelos cursos d’água no Brasil privilegia algumas regiões com a possibilidade de gerar energia elétrica a partir de hidrelétricas, a um custo relativamente baixo e ainda com baixa emissão de dióxido de carbono, o que representa ponto positivo para não degradar o meio ambiente e não contribuir para o agravamento do efeito estufa; consequentemente,  não contribui com as mudanças climáticas. Por outro lado, há regiões onde o volume de água dos cursos d’água é enorme, mas o relevo que lhes servem de via não permite a construção de hidrelétricas. Esse tipo de dificuldade ocorre na região da Amazônia Ocidental, onde se localiza o Estado do Amazonas. Nessa região, a maioria da energia elétrica produzida é originária de termelétricas, cuja matéria-prima utilizada é o óleo diesel. Responsável pela emissão de dióxido de carbono para a atmosfera, além do preço elevado se comparado com a água, o óleo diesel queimado pelas termelétricas no processo produtivo de energia elétrica é um combustível fóssil e, portanto, distante das premissas de sustentabilidade discutidas, desejadas e buscadas no mundo atual. As alternativas de produção de energia elétrica no Amazonas, enquanto aguarda-se a chegada da energia elétrica do linhão de Tucuruí, são o etanol da mandioca a ser produzido em uma usina no município de Itacoatiara e o gás retirado do solo do município de Coari para alimentar termelétricas em Manaus. Dessa forma, a energia elétrica como base estrutural para a instalação de diferentes tipos de indústrias ainda não é uma realidade no interior da Amazônia Ocidental; isso dificulta a integração regional, porque as capitais acabam concentrando os esforços na produção da riqueza, enquanto os municípios do interior, apesar das variadas potencialidades, pouco podem produzir para se desenvolverem e participarem mais efetivamente da criação do Produto Interno Bruto dos estados da Amazônia Ocidental. Particularizando a situação da energia elétrica na cidade Manaus, por exemplo, onde o pico de demanda é de aproximadamente 1.160 Megawatts de energia elétrica por dia, mas possui a capacidade instalada de aproximadamente 550 Megawatts, verifica-se um déficit próximo a 60%. Esse é o contexto energético a ser administrado pelo Governo Estadual subsidiado pelo Governo Federal. É por isso que as tomadas de decisão na tentativa produzir energia alternativa são constantes e, aparentemente, nem sempre compreendidas pelos cidadãos que vivem no Estado do Amazonas. O gasoduto Coari-Manaus, com 670 km de extensão, quando totalmente em operação, transportará 5,5 milhões de metros cúbicos de gás por dia produzido na província petrolífera de Urucu para Manaus. Desse total, cinco milhões de metros cúbicos de gás serão destinados a sete termelétricas, das quais três já se encontram em funcionamento; em breve outras quatro entrarão em funcionamento com a utilização de gás. Os outros quinhentos mil metros cúbicos de gás vindos de Urucu serão utilizados pelas indústrias em Manaus. Apesar de toda essa produção, o gás atenderá somente 47% do consumo de Manaus. Logo, a necessidade da produção de energia elétrica com a queima de óleo diesel em termelétricas ainda continuará na prática, no interior e na capital do Amazonas. Diante do cenário da produção de energia elétrica no Amazonas, alguns desavisados podem imaginar tomadas de decisões incoerentes frente aos discursos de sustentabilidade e preservação do meio ambiente na Amazônia. Porém, torna-se um exercício interessante compreender que os R$ 68 milhões desembolsados pela Eletrobras Amazonas Energia para contratar uma usina movida a diesel a funcionar no município de Iranduba, em fase final de instalação e a 300 metros de distância do ramal do gasoduto naquele município, é uma necessidade real na atualidade. A energia gerada corresponderá a 50 Megawatts diários; mas somente 13 Megawatts serão consumidos em Iranduba, enquanto os outros 37 Megawatts produzidos pela usina ficarão como reserva e prontos para serem utilizados pela cidade de Manaus quando houver necessidade. Atualmente, a energia do município de Iranduba segue de Manaus via cabo submerso no Rio Negro. Finalmente, tornam-se mais claras as informações sobre a atual matriz energética do Estado do Amazonas: encontram-se em funcionamento, a gás, as usinas Tambaqui, Jaraqui e Manauara, inauguradas na sexta-feira (27/11/2010), em Manaus, pelo Presidente da República; ainda entrarão em funcionamento as usinas Gera, Aparecida, Mauá e Raeza. A capacidade de produção dessas sete usinas é de 550 Megawatts diários. Já a hidrelétrica de Balbina produz 250 Megawatts diários de energia elétrica para Manaus, o que representa 22% da energia consumida pela capital do Estado. As termelétricas em operação com a queima de óleo diesel, em Manaus, produzem 360 Megawatts e continuarão em operação, pelo menos até 2012, quando espera-se que o linhão de Tucuruí tenha sido concluído pela Eletrobras; esse linhão interligará a cidade de Manaus ao sistema de produção e transmissão de energia elétrica do Brasil. A expectativa, portanto, é que os apagões de energia elétrica em Manaus sejam reduzidos ao longo dos próximos dois anos (2011 e 2012), e deixem de existir a partir de 2013, porque a integração de Manaus com o sistema de produção e transmissão de energia elétrica do Brasil garantirá a sustentabilidade do fornecimento de energia elétrica.

9 Responses to “Energia Elétrica em Manaus: fontes, produção e perspectivas”

  1. Ricardo Cruz says:

    A tese do autor deste artigo, de que o futuro da sustentabilidade tanto energética como ambiental da geração elétrica no Amazonas passa pelo gás natural não explica a questão em sua totalidade. Não basta apenas queimar um combustível “mais limpo” para obter esses benfícios. O mais importante, quando se pensa em sustentabilidade, é a eficiência com que o recurso natural finito – e o gás natural não é eterno – é usado. E sobre usar o gás com alta eficiência, nada se planeja para o sistema elétrico amazonense. Nesse sentido, nada se cogita, por exemplo, sobre incentivar a introdução de cogeração (produção de eletricidade e calor com o mesmo combustível) nos grandes consumidores locais, como plantas industriais, hotéis, hospitais e conjuntos habitacionais. É verdade que o Brasil não dispõe de marco legal incentivador dessa tecnologia, como ocorre, por exemplo, atualmente na Europa, cuja Diretriz COM 2004/8/EC obriga o uso da cogeração em edificações para moradia cuja área é maior ou igual a 1000 m². Ok, mas porque não inovamos no Amazonas?

    Prezado Ricardo Cruz,

    Muito obrigado pelo comentário.

    É muito bom poder interagir com o leitor, e, principalmente, sairmos todos mais enriquecidos. É assim que se desenvolve vontade política na sociedade. Tenho certeza que os leitores ganham muito com este comentário que você fez.

    Muito Obrigado!

    Evandro Brandão Barbosa

  2. Energia eletrica em manaus fontes producao e perspectivas.. Amazing :)

  3. Energia eletrica em manaus fontes producao e perspectivas.. Keen :)

  4. Agora você terá o seu novo site e também está ansioso para começar a fazer algumas vendas ! Mas, como você vai fazer as vendas no evento que você não deve ter volumes excessivos de turistas para o seu site ?

  5. Eu ainda estou estudando sobre esses escritos, mas estou melhorando a minha própria compreensão. Eu realmente amo estudar todas as coisas que está escrito em seu blog.Keep e as histórias que virão. Gostei!

  6. Agora você a sua página web novo e você está ansioso para começar a fazer algumas vendas brutas ! No entanto , como você vai fazer as vendas no caso de você não ter um grande volume de turistas para o seu site ?

  7. Eu ainda estou aprendendo com você , mas estou melhorando a mim mesmo. Eu certamente adoro ler tudo o que está escrito no seu blog.Preserve os contos vinda. Eu amado -lo!

  8. Fabricação e instalação de aço Steel Company ” SMK Engenharia ” é amplamente utilizado em muitos campos da agricultura, indústria , logística, entretenimento e esportes. Nosso aço com vários tipos de revestimentos podem ser usados ​​em fazendas de gado e aves , armazéns, abrigos para os equipamentos, locais , manipulação de plantas industriais , shopping , esportes e pavilhões de entretenimento. Preços razoáveis, excelente desempenho de obras de construção , prazos de fabricação, 3 anos de garantia e serviço para a duração da operação – são as principais vantagens da nossa empresa. Além disso, oferecemos moldura do toldos para projetos de reconstrução de fazendas e galpões na presença de estruturas de apoio, aos mais baixos preços.
    take a chance on smken.ru

  9. Talissa campos says:

    verdade concordo com vc antes dessa quetsão ganha força e sei que ja esta ganhando corpo , acho que deveria ser mais descultida , levando o âmbito politico , economico e principamente ambiental , nossa manaus sempre foi e sempre sera um caboca metida a gringa como afirmavam os historiadores da era da borracha , só espero que isso não termine como aquela epoca .
    ps: jovens vcs tambem são cidadões o futuro ta bem ai decubra explore debata mude e principalmente inova

Leave a Reply

Serão rejeitadas mensagens que desrespeitem a lei, apresentem linguagem ou material obsceno ou ofensivo, sejam de origem duvidosa, tenham finalidade comercial ou não se enquadrem no contexto do d24am.com. A responsabilidade pelos comentários é exclusiva dos respectivos autores.