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Pelo Dia do Estudante
Hoje é o dia dedicado aos estudantes. Tenho certeza absoluta que muitas escolas organizaram gincanas, exibiram filmes, serviram kikão, enfim, fizeram um dia mais atraente para os seus alunos. Não me canso de perguntar porque a escola só esforça-se para ser simpática somente em efemérides?
Lulu Santos cantava nos versos iniciais de sua música “Último romântico” que faltava abandonar a velha escola e tomar o mundo feito coca-cola. Essa idéia deveríamos, nós professores, termos sempre em vista quando planejamos nossas aulas, mas infelizmente parece que essa lema só é colocado em prática em poucos momentos, como hoje, 11 de agosto, dedicado ao estudante.
Não tenho dúvida que muitos docentes resolveram programar um dia especial, no qual a escola se mostrou mais simpática e menos formal para os educandos. Tenho certeza absoluta que foram organizadoras gincanas, exibidos filmes, disputados torneios esportivos, além de ter sido preparado o tradicional cachorro-quente no lugar da merenda tradicional. Mas, por que a escola só se mostra atrativa em dias como esse? Por que ela não pode ser cativante se não por todo ano letivo, mas pelo menos, por boa parte dele?
Nossos alunos não são os mesmos de cinco anos atrás. Eles mudam na velocidade em que o mundo se interliga através das redes sociais ou no ritmo frenético dos jogos para videogame. Mas a escola teima em lidar com isso proibindo, retaliando, punindo, menos da forma mais apropriada: discutindo. Ainda fazemos provas que cobram informação e não conhecimento. Ainda estimulamos práticas competitivas e não colaborativas. Ainda fechamos nossos olhos para as questões que trazem de casa, da rua, da família e que os inquietam porque, simplesmente, não faz parte do programa da disciplina.
Perdemos, com essas atitudes, a chance de construir pontes que nos façam trafegar entre um conhecimento prévio trazido pelos alunos e os saberes escolares de nossas disciplinas, elaborando espaços de construção efetivos e afetivos de conhecimentos.
Muitos jovens professores saem das universidades com muita vontade de aplicar todos os conhecimentos teóricos estudados ao longo de vários semestres, mas ao se deparar com os alunos, esses personagens quase míticos no discurso universitário, sentem-se despreparados para identificar e assumir as questões por eles postas. Não raras vezes, ao entrar na sala de professores, ouvem dos mais cansados, prestes a se aposentarem, que nada que fizerem poderá mudar o estado agonizante da educação e que os meninos de hoje não querem nada com nada.
Se me permitem a dica, sugiro aos jovens professores (e também aqueles que ainda acreditam no magistério) que aprendam a aprender com os alunos. Eles tem tanto a nos ensinar quanto nós a eles. Desenvolvam a sensibilidade para identificar suas demandas, ouvir os seus anseios que geralmente aparecem disfarçados no vocabulário cheio de gírias ou na postura pseudo-desafiadora. Esforcem-se para fazer da escola um lugar no qual eles sintam-se a vontade e não obrigados a freqüentar, pois toda vez que se faz uma atividade mais atrativa apenas em efemérides, fica patente que a escola poderia ser muito mais e não teve competência para sê-lo.
É importante frisar uma coisa: não estou querendo dizer, evidentemente, que o professor é o único ou o maior culpado pelo insucesso da relação entre escola e alunos. Mas quero reafirmar que ele é o sujeito que pode começar a operar as mudanças necessárias, apesar, inclusive, do poder público – este sim, tem uma parcela bastante significativa na letargia que parece dominar a educação. Um exemplo: esta semana, em mais uma charge genial publicada no portal do Diário do Amazonas, é mostrado outra grande contribuição da atual administração municipal para educação: uma medida que obriga que o aluno entre no colégio portando apenas o material de estudo. Ora, ressalvando o que é de bom senso (impedir armas e drogas), mais uma vez nossos governantes tomam a contramão da história e colocam o mundo do lado de fora dos muros escolares.
Minha esperança é que Lulu Santos possa inspirar professores a, junto com seus alunos, tomar o mundo e abandonar a escola antiquada que se fecha às questões dos dias de hoje, porque não deposito crença alguma que esses grupos políticos que dominam o cenário amazonense tenham alcance intelectual ou vontade de fazer da escola espaço de construção de conhecimento.
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Professor. Historiador. Vascaíno.
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“os alunos, esses personagens quase míticos no discurso universitário”. que os alunos devam ser desmitificados, não tenho a menor dúvida: entretanto, se não devemos demonizá-los, tampouco devemos canonizá-los.
Essa publicação tá nota 10.
Bom dia professor,
A minha fé é que ainda possa aparecer um ser fenômico, ou fenomenal, que tenha coragem suficiente de contestar e mudar todo esse sistema político que trava e corrompe os que ali chegam com seus projetos e idéias de mudança. Falo isso exclusivamente para área educacional onde está explicíto ondea inteligência humana e ciêntifica é levada na brincadeira e/ou levada para o benefício de poucos e maleficência de muitos.
Concordo quando fala que o governo nada pretende fazer para melhorar o mundo educacional atual, e que os professores ficam a mercê da precariedade, da disparidade social dentre as outras profissões. É triste saber que em pleno século XXI nada tenha mudado, que as práticas trabalhadas ainda sejam mantidas, não se vê vontade de um professor trabalhar um aluno que não quer nada da vida, e do outro lado da realidade, este também deve pensar, que deve ser cansativo, entrar numa sala, apenas para ouvir o professor falar, falar, uma aula tradicional, repetitiva, que nada tem a contribuir com a formação daquele indivíduo, que porventura, fará parte da sociedade.
Boa noite professor
Ao ler seu artigo lembre-me de imediato do filme: A sociedade dos poetas mortos; filme que me levou a optar pela árdua e gratificante profissão do magistério.
Lembrei da figura brilhante do professor Keating interpretado por Robin Willians, que fugia dos padrões pedagógicos de ensino, (permitia que os seus alunos subissem nas mesas, jogassem futebol, tivessem aulas fora de sala de aula, etc.), mas que infelizmente foi vencido pelo sistema educacional baseado nos princípios da “tradição-honra-disciplina-excelência”.
Então lhe pergunto professor: como inovar como mestre num estado que tem os piores índices de ensino do Brasil? Onde as escolas públicas não passam de “gabinetes” de representação partidária, que raramente se preocupam em ensinar, quanto mais em fazer o aluno aprender a pensar?
Como quebrar esse circulo vicioso da educação do nosso estado sem ter o mesmo fim que teve o professor Keating?
realmente tens razão quando cita que muitos jovens professores saem da universidade com vontade de por em pratica tudo o que aprenderam, mais quando se deparam com a realidade, vêem que td o que tinham idealizado e planejato para sua tal sonhada profissão era apenas um sonho, pois ao ouvirem e verem o comodismo de nossos governades, que falam em mudar a forma de educar, mas que na realidade isso geralmente so passam de futuros planos, e que nunca saem do papel. relmente eu cm jovem educador espero que esta situação mude realmente, pois enquanto isso nossos jovens estão cd vez mais fora de sala de aula, aprendendo a marginalidade uma vez que foram desprezado pela sociedade. há ja ia esquecendo!o sr. esta de parabens pelo artigo.
Prezado professor:
Apesar de ver as boas intenções no seu discurso, não posso deixar de discordar dele em alguns pontos.
O primeiro deles é sobre a assertiva de que devemos “tomar o mundo feito coca-cola”. A analogia carrega um aspecto negativo que talvez o senhor tenha esquecido: o vício cirrótico do descaso e do relaxamento em nome de uma escola mais livre e simpática. Se o senhor observar os índices das escolas e as práticas que, como o senhor bem colocou, já fazem parte da praxe dominante dos calendários escolares, verá que o prazer dessa “coca-cola” que se busca, só dá gazes e açúcares noscivos às comunidades escolares. Não se vê esse tipo de “refrigerante” nas melhores escolas de Manaus. O Colégio Militar de Manaus, por exemplo, está com um Ideb médio de 6,0 desde que o índice foi criado. O mesmo se pode dizer das escolas da rede estadual que também tiveram bom rendimento. Tenho certeza de que lá, nessas escolas, não se busca florear a vida, mas estudá-la para se aprender novas formas de lidar com os desafios que a modernidade nos impõe. Assim como o dia tem três jornadas de oito horas, a vida tem três momentos distintos: o do descanso, o do trabalho e o do lazer. O desequilíbrio faz nascer as paixões que crescem e viram vícios sociais.
Acredito e concordo com o senhor: Podemos tornar a escola cativante com ações mais pedagógicas e menos demagógicas. Dar esse tipo de festa é a mesma receita que muitos políticos aplicam ao povo. Pão e circo não os deixará ver o grande problema que está por trás das tendas da educação. Se as escolas se tornarem mais informais do que já são, deixarão de ser escolas e passarão à condição de praças e centros de recreação. Enquanto isso, nosso Ideb geral vai sendo motivo de risos…
Os concursos públicos e os melhores empregos cobram conteúdos, professor. As escolas apresentam conhecimento, mas só se sai bem nos exames nacionais aquelas que valorizam a cultura e a disciplina. Enquanto a bola for jogada por esta regra, haverá a necessidade de ensinarmos e avaliarmos nossos alunos por provas escritas desta natureza.
O que me magoa e deprime é saber que, enquanto a sociedade não valorizar o verdadeiro conhecimento, veremos professores perdendo a motivação. Saímos das faculdades motivados, idealizados e idealizadores de uma educação que quebre esse círculo vicioso. Mas somos vencidos pela turma do “deixa disso”, que convive nas escolas promovendo festinhas para que não ocorram aulas normais. O que se ensina nestas festas? A dança do “rebolation”? A ver um filme de violência pela violência? O que aconteceu com os passeios aos museus? O que aconteceu com as visitas aos prédios culturais ou mesmo com a tradicional visita à Coca-cola, para saberem que esse famoso refrigerante surgiu como um remédio para dor de barriga?
A educação está na fase da metástase. Pena que não estejam buscando a cura para os problemas, mas a explicação para os sintomas.
A natureza do estudante é o estudo. E a etimologia de “estudo”, segundo Houaiss, compreende palavras que considero ótimas para terminar esse meu comentário: TRABALHO, CUIDADO, ZELO e VONTADE.
Feliz dia dos estudantes a todos que estudam!
Parabéns Professor Tarcisio Normando pela coragem, pela bravura em publicar este artigo maravilhoso. É a pura das puras verdades em relação a educação em nossa cidade-estado. Não sei de é culpa da SEMED, SEDUC, ou se é dos professores dà educação está ainda desse jeito. fica essa pergunta no ar?
Na escola onde eu trabalho como agente administrativo aconteceu tudo como o Sr. relatou no inicio do Artigo.
Eu concordo plenamente com este Artigo.
Que Deus te abençoe Professor Tarcisio Normando.
um forte abraço,