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Artigo: A esperança tem nome e rosto

Neste domingo celebra-se o ápice da liturgia cristã, a páscoa do Senhor e nossa páscoa. O próprio Jesus de Nazaré havia dito que sofreria muito, mas ao terceiro dia iria ressuscitar; assim aconteceu, Ele apareceu a Maria sua mãe, a Maria Madalena e aos seus discípulos, dando-lhes a paz verdadeira, não a que o mundo [...]

Charles Cunha da Silva

Neste domingo celebra-se o ápice da liturgia cristã, a páscoa do Senhor e nossa páscoa. O próprio Jesus de Nazaré havia dito que sofreria muito, mas ao terceiro dia iria ressuscitar; assim aconteceu, Ele apareceu a Maria sua mãe, a Maria Madalena e aos seus discípulos, dando-lhes a paz verdadeira, não a que o mundo dá, mas aquela que vem do coração amoroso de Deus.
Celebrar a páscoa não apenas fazendo memória à libertação do povo hebreu da escravidão no Egito, mas como a festa da ressurreição do Senhor, celebrando a vitória da vida sobre a morte, da redenção sobre o sofrimento, da passagem do medo para a esperança.
A ressurreição de Cristo oferece a toda a humanidade uma nova esperança. Antes deste fato, havia o medo e a incerteza. Depois do sepulcro vazio, o cristão pode afirmar com toda a fé presente em seu coração: “A esperança tem nome e rosto. A esperança é uma pessoa. Nossa esperança é Jesus, o Vivente”. Acreditar neste fato é acreditar na salvação. São Paulo diz em sua carta aos romanos: “É na esperança que fomos salvos”(Rm 8,24). Ser salvo é ser redimido. É acreditar como disse o Papa Bento XVI: o presente ainda que custoso, pode ser vivido e aceito, se levar a uma meta e se pudermos estar seguros desta meta. Se esta meta for tão grande que justifique a canseira do caminho. A nossa meta foi evidenciada nos vestígios do Ressuscitado presentes no sepulcro vazio. A nossa meta, o nosso futuro é a vida eterna manifesta em Jesus Cristo.
Acreditar na ressurreição de Cristo é crer na vida eterna como um futuro já presente entre nós e que será pleno após a morte. Por isso o cristão pode pela fé, acreditar que a vida não acaba no vazio. O amor lança fora o temor. O Deus que é amor, resgatará para a vida, a humanidade ferida pela morte. Por isso, a devida compreensão do dia de hoje, conduz o coração humano a acreditar que viver vale a pena, mesmo que para alguns, ou em algum momento da vida para outros, viver seja um caminhar no vale de lágrimas. Mas, a garantia da vitória que Cristo nos trouxe com sua ressurreição torna-se um chamado, um convite a viver cada dia movido por uma certeza: “Aconteça o que acontecer Deus nos espera porque nos ama”. A última palavra na trajetória humana não será do sofrimento, mas de um Deus único e verdadeiro que na hora da nossa morte dirá: “Vem e segue-me”.
E a esperança não decepciona. E quem tem esperança tem fé. A esperança revigora a fé. A fé não nos tira nada. A fé confere a vida um novo fundamento, sobre o qual o homem pode se apoiar e seguir em frente sem vacilar, com os olhos fixos em Jesus que leva a fé à perfeição.
Muito necessário compreender nos dias de hoje, envolto em tantas realidades efêmeras, o que diz Papa Bento XVI sobre a eternidade: “esta realidade não deve ser entendida como sucessão contínua de dias do calendário, mas algo parecido com o instante repleto de satisfação, em que a totalidade nos abraça e nós abraçamos a totalidade. Seria o instante de mergulhar no oceano do amor infinito para o qual o tempo, o antes e o depois, já não existe. Viver a eternidade é acolher o momento presente, seja ele como for. É reconhecer cada chamado que a vida nos faz como uma historia humana rica em vida mesmo que dilacerada pelo sofrimento. Na fé, o sofrimento jamais anda sozinho, ele é acompanhado pela esperança.
A oração é a escola da esperança e da fé. Como diz o salmista, no Senhor encontra-se o refúgio e a salvação. Na oração, Deus está sempre disposto a ouvir aquele que ninguém mais escuta. Deus está sempre disposto a falar com aquele que não consegue mais soltar a voz; a ajudar aquele que ninguém percebe caído a beira do caminho; a fazer companhia àquele que encontra-se na mais profunda solidão. O orante jamais está totalmente só. Na oração, o coração humano dilata-se para acolher o amor transbordante de Deus, que se faz próximo de todo aquele que o procura de coração sincero.
Portanto, a oração é o lugar, o momento no qual, a pedra do coração humano é removida. Os olhos se abrem para contemplar a luz do ressuscitado a iluminar a vida, levando-a a seguir adiante, a lançar as redes em águas mais profunda, e a dizer para si mesmo: “Ele vive e eu posso crer no amanhã”.

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