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Em defesa do povo

A proposta de Reforma da Previdência, que deixa milhões de brasileiros sem aposentadoria e sem nenhum tipo de proteção social acaba de receber um duro golpe. Mais uma vez a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) sai em defesa dos excluídos ao se manifestar publicamente contra a proposta de mudança, cujo projeto vem sendo [...]

Arnaldo Carpinteiro Peres

A proposta de Reforma da Previdência, que deixa milhões de brasileiros sem aposentadoria e sem nenhum tipo de proteção social acaba de receber um duro golpe. Mais uma vez a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) sai em defesa dos excluídos ao se manifestar publicamente contra a proposta de mudança, cujo projeto vem sendo defendido pelo governo. Em nota, os bispos convocam “os cristãos e pessoas de boa vontade a se mobilizarem, a fim de buscar o melhor para a nossa gente, principalmente os mais fragilizados”.
Se o povo é a voz de Deus, como dizem, a CNBB certamente há muito tempo vem sendo a voz do povo. Ao longo da história, a Igreja sempre teve uma posição de vanguarda em defesa da população brasileira, sobretudo dos mais humildes. Foi assim, mesmo em tempos tenebrosos da nossa história, durante a ditadura quando defendeu corajosamente o respeito aos direitos humanos e a restauração da democracia no país. Tornou-se referência naquele período obscuro da vida nacional, seja enxugando lágrimas provocadas pela repressão, seja agindo contra os poderosos de então.
Vale lembrar que o cardeal dom Paulo Evaristo Arns, recentemente falecido aos 95 anos, teve uma luta incansável pela liberdade e em defesa dos oprimidos. Na época, enquanto muitos se omitiam, enfrentou corajosamente o arbítrio ao criar a Comissão de Justiça e Paz e transformar a Catedral da Sé numa fortaleza de resistência ao regime militar.
Além dele, a Comissão Pastoral da Terra em 1975, também foi outro marco importante sobre os problemas da terra, em particular a reforma agrária, tendo à frente a figura de Dom Pedro Casaldáliga. Enfim, durante todos esses anos, foram muitas ações da CNBB unindo maiorias e minorias, apontando caminhos de importantes conquistas sociais, onde as grandes mobilizações da sociedade civil organizada encontraram sempre as portas abertas. É verdade que no passado já foi mais conservadora mas a partir dos anos 1960, com bispos como Dom Helder Câmara, Paulo Evaristo Arns, Aloísio Lorscheider e outros líderes católicos, passou a adotar uma postura mais liberal.
Por isso, não foi novidade a posição do cardeal Dom Sérgio da Rocha, Secretário-Geral que criticou duramente o governo, a política econômica e em especial a Reforma da Previdência, ao lembrar ainda que “a previdência não é uma concessão governamental ou um privilégio, mas sim um direito assegurado na Constituição de 1988”.
Por outro lado, também não se discute sobre a necessidade da reforma que precisa ser feita e com urgência, diante de um déficit que hoje seria de R$ 150 bilhões. Quanto a isso ninguém contesta, nem a Igreja, mesmo sem uma auditoria, como entendem alguns parlamentares e setores da sociedade.
O que não se aceita é o projeto da forma que foi apresentado. Afinal, não podem servidores e trabalhadores serem os únicos responsabilizados por esse rombo, quando inúmeras outras causas são bem conhecidas. Sem falar que restringe excessivamente o valor das pensões, colocando em risco a família do pensionista e rompe com a tradição do tratamento dado às mulheres, equiparando-as aos homens.
E o mais grave, desestimula a adesão à previdência pública ao exigir elevada idade para aposentadoria, estimulando a previdência complementar. Agora, perguntar não ofende. Como é possível, retirar-se mais direitos sociais num país onde os indicadores são vergonhosos e tem a segunda pior distribuição de renda do mundo? O que mostra, só aí, a total insensibilidade da reforma, sem esquecer a manifesta ofensa à dignidade da pessoa.
A proposta de Reforma da Previdência, que deixa milhões de brasileiros sem aposentadoria e sem nenhum tipo de proteção social acaba de receber um duro golpe. Mais uma vez a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) sai em defesa dos excluídos ao se manifestar publicamente contra a proposta de mudança, cujo projeto vem sendo defendido pelo governo. Em nota, os bispos convocam “os cristãos e pessoas de boa vontade a se mobilizarem, a fim de buscar o melhor para a nossa gente, principalmente os mais fragilizados”.Se o povo é a voz de Deus, como dizem, a CNBB certamente há muito tempo vem sendo a voz do povo. Ao longo da história, a Igreja sempre teve uma posição de vanguarda em defesa da população brasileira, sobretudo dos mais humildes. Foi assim, mesmo em tempos tenebrosos da nossa história, durante a ditadura quando defendeu corajosamente o respeito aos direitos humanos e a restauração da democracia no país. Tornou-se referência naquele período obscuro da vida nacional, seja enxugando lágrimas provocadas pela repressão, seja agindo contra os poderosos de então.Vale lembrar que o cardeal dom Paulo Evaristo Arns, recentemente falecido aos 95 anos, teve uma luta incansável pela liberdade e em defesa dos oprimidos. Na época, enquanto muitos se omitiam, enfrentou corajosamente o arbítrio ao criar a Comissão de Justiça e Paz e transformar a Catedral da Sé numa fortaleza de resistência ao regime militar.Além dele, a Comissão Pastoral da Terra em 1975, também foi outro marco importante sobre os problemas da terra, em particular a reforma agrária, tendo à frente a figura de Dom Pedro Casaldáliga. Enfim, durante todos esses anos, foram muitas ações da CNBB unindo maiorias e minorias, apontando caminhos de importantes conquistas sociais, onde as grandes mobilizações da sociedade civil organizada encontraram sempre as portas abertas. É verdade que no passado já foi mais conservadora mas a partir dos anos 1960, com bispos como Dom Helder Câmara, Paulo Evaristo Arns, Aloísio Lorscheider e outros líderes católicos, passou a adotar uma postura mais liberal.Por isso, não foi novidade a posição do cardeal Dom Sérgio da Rocha, Secretário-Geral que criticou duramente o governo, a política econômica e em especial a Reforma da Previdência, ao lembrar ainda que “a previdência não é uma concessão governamental ou um privilégio, mas sim um direito assegurado na Constituição de 1988”.Por outro lado, também não se discute sobre a necessidade da reforma que precisa ser feita e com urgência, diante de um déficit que hoje seria de R$ 150 bilhões. Quanto a isso ninguém contesta, nem a Igreja, mesmo sem uma auditoria, como entendem alguns parlamentares e setores da sociedade.O que não se aceita é o projeto da forma que foi apresentado. Afinal, não podem servidores e trabalhadores serem os únicos responsabilizados por esse rombo, quando inúmeras outras causas são bem conhecidas. Sem falar que restringe excessivamente o valor das pensões, colocando em risco a família do pensionista e rompe com a tradição do tratamento dado às mulheres, equiparando-as aos homens.E o mais grave, desestimula a adesão à previdência pública ao exigir elevada idade para aposentadoria, estimulando a previdência complementar. Agora, perguntar não ofende. Como é possível, retirar-se mais direitos sociais num país onde os indicadores são vergonhosos e tem a segunda pior distribuição de renda do mundo? O que mostra, só aí, a total insensibilidade da reforma, sem esquecer a manifesta ofensa à dignidade da pessoa.

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