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Artigo: O verdadeiro Jejum é ajudar os outros (Papa Francisco)

Na última quarta-feira, com a celebração da imposição das cinzas iniciou-se a quaresma. A quaresma tem duração de 40 dias. O número 40 carrega em si uma simbologia própria na tradição bíblica. Durante 40 dias e 40 noites houve o dilúvio. O povo de Deus passou 40 anos no deserto rumo à terra prometida. Jesus [...]

Charles Cunha da Silva

Na última quarta-feira, com a celebração da imposição das cinzas iniciou-se a quaresma. A quaresma tem duração de 40 dias. O número 40 carrega em si uma simbologia própria na tradição bíblica. Durante 40 dias e 40 noites houve o dilúvio. O povo de Deus passou 40 anos no deserto rumo à terra prometida. Jesus foi levado ao deserto e lá fez jejum durante 40 dias. O 40 na tradição bíblica representa o tempo necessário para que algo aconteça. Portanto, a quaresma é esse tempo de preparação até a chegada da Páscoa do Senhor.
A quaresma como tempo de preparação torna-se um tempo favorável para um mudança de vida. Assim fala o profeta Joel no capítulo 2: “Agora, diz o Senhor, voltai para mim com todo o vosso coração, e não as vestes; voltai para o Senhor, vosso Deus; ele é benigno é compassivo, paciente e cheio de misericórdia, inclinado a perdoar o castigo”. Esta é a hora, na qual o cristão é convidado a fazer uma profunda revisão de vida, um exame de consciência, um desejo profundo para uma maior proximidade com Deus e torna-se uma pessoa melhor, lembrando sempre que o ser humano está a caminho, em construção, e a quaresma torna-se este momento oportuno e urgente para uma mudança de vida, isto é uma metanoia, alinhamento de rota, visando uma adesão ainda maior ao seguimento de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Essa adesão acontece na medida em que, livremente, o fiel opta em fazer a vontade de Deus na vida em todos os seus âmbitos. Escolher a vontade de Deus implica em fazer rupturas, renúncias em prol de uma existência mais feliz e não sofrer as consequências de uma vida movida por paixões desordenadas. No livro de Eclesiástico encontra-se o seguinte trecho: “Diante do homem estão a vida e a morte, o bem e o mal; ele receberá aquilo que preferir”. Portanto, o enredo da vida é escrito a partir das escolhas que se faz. Que a quaresma seja de fato, esse tempo no qual, Deus liberta o coração humano de tudo aquilo que o impede de viver a vida plena tão desejada por Deus para todos aqueles que o amam.
Na quaresma, o cristão é convidado a vivenciar o jejum, a oração e a caridade. O jejum como convite aos adultos, isto é, renuncia a uma refeição importante do dia, em sinal de disponibilidade e solidariedade. Disponibilidade para ouvir a palavra de Deus e conversão do coração: tal é o sentido do jejum dos cristãos, à semelhança do de Jesus no início da sua missão. No tempo da quaresma este jejum se prolongará através de outras iniciativas pessoais de desprendimento, de renúncia a bens e satisfações, mesmo legítimas, para maior liberdade interior. O jejum, então torna-se gesto simbólico, denúncia profética da injustiça que nasce do egoísmo e solidariedade para com os que são mais pobres.  Em suas palavras Papa Francisco diz: “o verdadeiro jejum é ajudar os outros”.
O cristão também é convidado a aproveitar a quaresma para uma busca de maior intimidade com Deus através da meditação diária da sagrada escritura. Bom e agradável é a palavra do Senhor. Ela ensina, ela exorta, liberta e revigora a fé humana. Quantas pessoas tiveram suas vidas transformadas a partir da meditação da palavra de Deus na contemplação do Evangelho de Jesus Cristo. A Bíblia quando meditada favorece ao crente uma oportunidade de mudar o modo de pensar, de sentir e de agir. Inúmeros santos, reconhecidos e anônimos foram iluminados por esta Palavra de Salvação, lâmpada para os pés e luz para o caminho. A palavra de Deus, uma vez ruminada e acolhida no coração, transforma a vida, renova a esperança, torna-se alimento para seguir o caminho, e força para carregar a cruz de cada dia, seja quão pesada for.
Quaresma como tempo de caridade, de abertura de coração para com os mais necessitados de perto e com os de longe. Que cada jejum feito e cada palavra meditada favoreça ao coração do fiel essa disponibilidade de demonstrar a fé em obras promotoras de vida e vida em abundância. E portanto, a preparação para a Páscoa torne-se ‘Quaresma de fraternidade’, e a ceia do Senhor, um gesto de pobreza, de arrependimento, de esperança, de anúncio.

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