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Artigo: O ódio edifica muros, o perdão constrói pontes

Todos nós estamos acompanhando, seja no Brasil, ou no resto do mundo, uma crescente onda de intolerância, ódio, medo e desprezo pelo diferente. O outro, em alguns momentos, de maneira generalizada tem sido rotulado como inimigo, alguém a ser expurgado, deixado à margem, mantido à distância. Há cada vez mais, devido a um nacionalismo levado [...]

Charles Cunha da Silva

Todos nós estamos acompanhando, seja no Brasil, ou no resto do mundo, uma crescente onda de intolerância, ódio, medo e desprezo pelo diferente. O outro, em alguns momentos, de maneira generalizada tem sido rotulado como inimigo, alguém a ser expurgado, deixado à margem, mantido à distância. Há cada vez mais, devido a um nacionalismo levado ao extremo, uma polarização de pensamentos, algo que, em si, não é ruim, faz bem a existência de pensamentos diferentes. O perigo surge a partir do momento, quando na defesa de um ponto de vista, perde-se da vista a fraternidade que nos une, e semeia-se o ódio que nos separa.
É notório que o código ético das principais religiões para não dizer de todas, faz uma convocação para a prática do amor ao próximo. Aqui falo de prática, do agir, da atitude e não reduzir o amor ao próximo como sentimento. O amor começa com um gesto, o sentimento é consequência.
Diante deste cenário, o humanismo não pode ser amordaçado. As religiões não podem ficar na arquibancada, vendo a espetacularização do ódio e da intolerância, assumirem os papéis de protagonistas da nossa historia hodierna. É preciso anunciar aos quatro cantos do planeta o jeito de amar de Deus, ou seja, amar como Deus, que não busca o bem na pessoa a quem ama, mas cria nela o bem, amando-a.
Quero citar, neste momento, um trecho da carta de São Paulo aos Coríntios quando diz: ‘Irmãos: acaso não sabeis que sois santuário de Deus e que o Espírito de Deus mora em vós?”. Somos todos filhos no Filho. Somos todos irmãos pela fé. E mesmo sendo irmãos, já no livro de Gênesis, a inveja, o medo, o ódio e a insegurança estavam presentes entre os irmãos Caim e Abel e continuam até hoje, nas famílias, entre vizinhos, com os colegas de trabalho, entre países. É preciso abolir de vez aquilo que fora dito pelos antigos: “Olho por olho, dente por dente!”.
A única maneira do coração humano se libertar do ódio e encontrar a paz é o perdão. Para ajudar você a perceber isso, faço uma pergunta: “Quantas vezes valeu a pena evitar a pessoa que o ofendeu afastando-se dela?” O afastamento físico é possível e talvez necessário em alguns momentos, mas ao evitar o contato, “o ficar de mal”, só camufla a cura, a dor continua no coração, basta só lembrar que volta a sangrar. A vingança pode ser uma alternativa, porém ela conduz sempre a duas sepulturas, uma pra quem praticou a ofensa e outra para o ofendido. Por isso, o livro bíblico de Levítico ensina: “Não procures a vingança, nem guardes rancor dos teus compatriotas. Amarás o teu próximo como a ti mesmo”.  E Jesus Cristo sem mudar uma vírgula da lei, mas levando-a à perfeição diz aos seus discípulos: “Amai os vossos inimigos e rezai por aqueles que vos perseguem” .
Diante de uma ofensa, traição ou decepção, a mágoa, o ressentimento, o ódio ou desejo de vingança brota naturalmente no coração, sem o mínimo esforço. Entretanto, para se libertar de todo esse lixo que contamina a alma e sufoca a felicidade, é preciso tomar uma decisão nada fácil, porém, necessária. Essa atitude tem um nome, chama-se perdão. E para perdoar é bom não esperar o ofensor expressar de joelhos o arrependimento. Talvez ele nunca venha. O beneficiário do perdão em primeiro lugar é quem foi ofendido, caso contrário, viverá sempre com um punhal cravado no coração a sangrar sempre que a lembrança da dor vier à mente. Perdoar não é esquecer, mas lembrar sem sentir dor.
Perdoar não é ignorar o agir mal do ofensor e dizer tudo bem. Perdoar é primeiramente, tentar separar o transgressor da transgressão. E a partir disso, constatar o quanto essa pessoa foi fraca e cruel, o quanto ficou cega e não percebeu quantas consequências dolorosas foi capaz de causar. E quando formos capazes de analisar por este ângulo o transgressor, perceberemos que a fraqueza humana está presente em todos nós, alguns às vezes conseguem controlá-la, outros não.
O que nos torna imagem e semelhança de Deus? Cada vez mais me convenço que quando perdoamos e somos capazes de rezar pelas pessoas que nos machucaram, esse é o momento em que amamos como Deus. Esse é o instante que o humano toca o divino. E esta é a hora na qual, a nossa perfeição é acolhida pelo nosso Pai celeste que é perfeito!

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