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Artigo: Entre Sonhos e Fantasias

Hoje, mais do que nunca, a praça é do povo, como o céu é do condor, como dizia  o poeta maior da Bahia. Hoje, a festa é do povo brasileiro em todas as praças, ruas e avenidas deste imenso país. Por um momento, vamos esquecer as mágoas, as tragédias, as tristezas e encher nossas avenidas [...]

Arnaldo Carpinteiro Peres

Hoje, mais do que nunca, a praça é do povo, como o céu é do condor, como dizia  o poeta maior da Bahia. Hoje, a festa é do povo brasileiro em todas as praças, ruas e avenidas deste imenso país. Por um momento, vamos esquecer as mágoas, as tragédias, as tristezas e encher nossas avenidas de alegria e de felicidade. Afinal, todos têm direito a pelo menos 3 dias de sonhos e fantasias, ainda que tudo se acabe numa quarta-feira de cinzas.
Por enquanto, tudo é Carnaval, onde milhões de brasileiros anônimos que durante o ano inteiro dão duro no batente, levantam cedo todos os dias para trabalhar em troca de um salário de fome, logo mais vão mostrar ao mundo a alegria e a emoção da nossa gente. Vão mostrar que mesmo assim são felizes e principalmente como se faz um verdadeiro Carnaval, coisa que os outros países não conseguem. Esta que provavelmente, segundo os estudiosos, é a festa profana mais antiga que se tem registro, com o sentido de folgança coletiva e inversão das posições sociais, pois já existia há mais de três mil anos. Suas raízes mais remotas encontram-se na Grécia Antiga, no culto a Dionísio, o deus do vinho que mais tarde foi celebrado em Roma como Baco. E a partir daí, espalhou-se para os países de cultura latina.
Na verdade, entre nós, ele surge no Rio de Janeiro no final do século XIX, quando em 1899 Chiquinha Gonzaga compôs a primeira música para o bloco Rosas de Ouro que desfilava pelas ruas da cidade. Curioso que esta marcha, “Ô Abre Alas!”, embora decorridos mais de cem anos, até hoje ainda é uma das mais cantadas nos bailes carnavalescos em todo o Brasil. Como também é interessante observar que as fantasias mais tradicionais de Pierrot, Arlequim e Colombina, originárias da Comédia Dell’arte italiana, já usadas naquela época, não desapareceram. Pelo contrário, desafiaram o tempo e permanecem gloriosamente as mesmas, nos desfiles de rua, nos clubes e nos salões após mais de um século.
Assim, como se vê, o Carnaval moderno brasileiro aparece no país, num primeiro momento com a importação pela elite carioca da moda parisiense, até ser posteriormente absorvido pelas festas e os desfiles desorganizados das ruas e se tornar definitivamente um dos elementos de identidade nacional. Mas foi a partir do romance de estreia de Jorge Amado, quando tinha dezoito anos, “O País do Carnaval”, em 1931, que assumimos de vez este título, além também do Futebol, para alegria nossa. Sem dúvida, é incrível como a força e a magia dos dois estão presentes no dia a dia e na alma da nossa gente. Em ambos, como já disseram alguns, o Brasil é primeiro mundo com espírito de superpotência.
Por outro lado, até pela nossa diversidade cultural, a festa se apresenta com outras roupagens, ritmos e características próprias em diferentes regiões do país. Mas é no Rio, até por sua tradição que ela sintetiza toda sua grandiosidade. Ali, milhares de atores, operários, artesãos, sambistas, compositores, passistas, coreógrafos e bailarinos realizam a cada ano a magia de apresentar o maior espetáculo de ópera popular do mundo.
Hoje, portanto, o que interessa é a alegria e a festa de todos. Esta não muda, é eterna porque faz parte da alma e do coração do povo brasileiro, tão bem traduzida nos versos de um samba enredo: “Vem, que hoje tem festa na rua, tem perfume nos salões, vem abraçar a alegria, salpicar de confete o chão onde dança a fantasia e ser mais um na multidão. Vem cantar, pular, zoar toda cidade, nesse carnaval que não morre, pois ainda há tempo para um porre, um porre de felicidade e emoção”.
Bom carnaval para todos!

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