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A carta de Thereza Collor

Os fatos são evidentes e inquestionáveis. Os graves acontecimentos, as denúncias que minam os alicerces da vida pública nacional, hoje de tão recorrentes indicam o esgotamento do atual sistema com a visível fragilização das instituições políticas. E sem a credibilidade gera-se um sentimento generalizado de incerteza, revolta e perplexidade como vem sendo demonstrado através dos [...]

Arnaldo Carpinteiro Peres

Os fatos são evidentes e inquestionáveis. Os graves acontecimentos, as denúncias que minam os alicerces da vida pública nacional, hoje de tão recorrentes indicam o esgotamento do atual sistema com a visível fragilização das instituições políticas. E sem a credibilidade gera-se um sentimento generalizado de incerteza, revolta e perplexidade como vem sendo demonstrado através dos protestos de ruas e diariamente nas redes sociais.
Por isso, não sem razão ou por outro motivo, segundo a última pesquisa nem dez por cento dos cidadãos confiam no Congresso, com dezenas de seus membros envolvidos em escândalos, crimes políticos, assaltos aos cofres públicos e outros.
Desnecessário dizer que é uma situação por todos os aspectos preocupante, porque  quando a Instituição decreta sua própria dissolução envolvida em toda essa crise ética  acaba também por renunciar normalmente ao seu dever de representar a população, gerando assim um perigoso vácuo de poder, como já aconteceu num passado recente de triste memória.
Todo esse quadro de penúria, só me faz lembrar do meu tempo de estudante no Rio, quando às vezes costumava frequentar a Câmara dos Deputados, no Palácio Tiradentes, antes da mudança da capital para Brasília. Ali, ainda tive o privilégio e a honra de assistir grandes oradores na chamada fase dourada do Parlamento. Nomes como Afonso Arinos, Aliomar Beleeiro, Carlos Lacerda, Adauto Lúcio Cardoso, Gustavo Capanema e dezenas de outros do mesmo nível. Além de excelentes oradores, muitos também eram juristas consagrados, que depois viriam a ser ministros do Supremo. Um Legislativo, constituído de homens respeitados, de postura ética e intelectuais na sua imensa maioria, de cujos representantes o povo brasileiro tinha orgulho. E hoje? Bem... Com raríssimas exceções, hoje nós temos os senhores Renan Calheiro, Jader Barbalho, Paulo Maluf, José Sarney, Edson Lobão, Eduardo Cunha e mais uma centena de envolvidos em corrupção.
Talvez quem melhor definiu o perfil e o caráter da maioria dos nossos atuais parlamentares foi a senhora Thereza Collor em carta aberta dirigida ao senador Renan Calheiros. Vejam, vale a pena transcrever alguns trechos:
“As vacas de Renan dão cria 24h por dia. Haja capim e gente besta em Murici e em Alagoas! Uma qualidade eu admiro em você: o conhecimento da alma humana. Sabe manipular as pessoas, as ambições, os pecados e as fraquezas. Do menino ingênuo que eu fui buscar em Murici para ser deputado estadual em 1978 – que acreditava na pureza de uma política de oposição dentro da ditadura militar – Renan Calheiros, construiu uma trajetória de causar inveja a todos os homens de bem que se acovardaram e não aprendem nunca a ousar como os bandidos.
Você é um homem ousado. Compreendeu em determinado momento, que a vitória não pertence às pessoas sérias, desarmadas desta fúria do destino, que é vencer a qualquer preço. Fosse qual fosse o preço, nunca mais seria o filho do Olavo, a digladiar-se com os poderosos Omena, na Usina de São Simão. Sonhava ser um big shot, por isso vendeu a alma, como o Fausto de Goethe, e pediu fama e riqueza, em troca. Creio que foi a casa pobre, numa rua descalça de Murici que forneceu a você o combustível do ódio à pobreza”.
Sem comentários. Uma carta que retrata, de um modo geral, o homem público hoje no Brasil. São centenas de Renans eleitos, que ao contrário da mulher de Cesar, não precisam ser honestos, o importante é fingir e apenas aparentar a honestidade.Os fatos são evidentes e inquestionáveis. Os graves acontecimentos, as denúncias que minam os alicerces da vida pública nacional, hoje de tão recorrentes indicam o esgotamento do atual sistema com a visível fragilização das instituições políticas. E sem a credibilidade gera-se um sentimento generalizado de incerteza, revolta e perplexidade como vem sendo demonstrado através dos protestos de ruas e diariamente nas redes sociais.Por isso, não sem razão ou por outro motivo, segundo a última pesquisa nem dez por cento dos cidadãos confiam no Congresso, com dezenas de seus membros envolvidos em escândalos, crimes políticos, assaltos aos cofres públicos e outros.Desnecessário dizer que é uma situação por todos os aspectos preocupante, porque  quando a Instituição decreta sua própria dissolução envolvida em toda essa crise ética  acaba também por renunciar normalmente ao seu dever de representar a população, gerando assim um perigoso vácuo de poder, como já aconteceu num passado recente de triste memória.Todo esse quadro de penúria, só me faz lembrar do meu tempo de estudante no Rio, quando às vezes costumava frequentar a Câmara dos Deputados, no Palácio Tiradentes, antes da mudança da capital para Brasília. Ali, ainda tive o privilégio e a honra de assistir grandes oradores na chamada fase dourada do Parlamento. Nomes como Afonso Arinos, Aliomar Beleeiro, Carlos Lacerda, Adauto Lúcio Cardoso, Gustavo Capanema e dezenas de outros do mesmo nível. Além de excelentes oradores, muitos também eram juristas consagrados, que depois viriam a ser ministros do Supremo. Um Legislativo, constituído de homens respeitados, de postura ética e intelectuais na sua imensa maioria, de cujos representantes o povo brasileiro tinha orgulho. E hoje? Bem... Com raríssimas exceções, hoje nós temos os senhores Renan Calheiro, Jader Barbalho, Paulo Maluf, José Sarney, Edson Lobão, Eduardo Cunha e mais uma centena de envolvidos em corrupção.Talvez quem melhor definiu o perfil e o caráter da maioria dos nossos atuais parlamentares foi a senhora Thereza Collor em carta aberta dirigida ao senador Renan Calheiros. Vejam, vale a pena transcrever alguns trechos:“As vacas de Renan dão cria 24h por dia. Haja capim e gente besta em Murici e em Alagoas! Uma qualidade eu admiro em você: o conhecimento da alma humana. Sabe manipular as pessoas, as ambições, os pecados e as fraquezas. Do menino ingênuo que eu fui buscar em Murici para ser deputado estadual em 1978 – que acreditava na pureza de uma política de oposição dentro da ditadura militar – Renan Calheiros, construiu uma trajetória de causar inveja a todos os homens de bem que se acovardaram e não aprendem nunca a ousar como os bandidos. Você é um homem ousado. Compreendeu em determinado momento, que a vitória não pertence às pessoas sérias, desarmadas desta fúria do destino, que é vencer a qualquer preço. Fosse qual fosse o preço, nunca mais seria o filho do Olavo, a digladiar-se com os poderosos Omena, na Usina de São Simão. Sonhava ser um big shot, por isso vendeu a alma, como o Fausto de Goethe, e pediu fama e riqueza, em troca. Creio que foi a casa pobre, numa rua descalça de Murici que forneceu a você o combustível do ódio à pobreza”.Sem comentários. Uma carta que retrata, de um modo geral, o homem público hoje no Brasil. São centenas de Renans eleitos, que ao contrário da mulher de Cesar, não precisam ser honestos, o importante é fingir e apenas aparentar a honestidade.

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