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Artigo: Uma reforma incompleta

A grande discussão agora é sobre a reforma do ensino médio, aprovada recentemente. O projeto vem gerando muita polêmica entre acadêmicos, cientistas, educadores e outros especialistas principalmente por ter sido proposto através de Medida Provisória. Além disso, pretende aumentar a jornada do estudante das quatro horas diárias atuais para sete horas e ainda reduzir o [...]

Arnaldo Carpinteiro Peres

A grande discussão agora é sobre a reforma do ensino médio, aprovada recentemente. O projeto vem gerando muita polêmica entre acadêmicos, cientistas, educadores e outros especialistas principalmente por ter sido proposto através de Medida Provisória. Além disso, pretende aumentar a jornada do estudante das quatro horas diárias atuais para sete horas e ainda reduzir o total de disciplinas obrigatórias para que ele possa escolher uma área e se dedicar a partir do primeiro ano. Por sua vez, critica-se também não ter sido submetida antes a um amplo debate entre todos os interessados e a unificação das 13 matérias em quatro grandes áreas do conhecimento.
Confesso, desde logo, que não entendo do assunto, até porque compete somente a eles, especialistas, é claro, dizer se realmente a Reforma presta ou não. Quanto a isso, prefiro portanto, ficar de fora dessa briga de gente grande. Mas, à parte toda essa celeuma, a verdade é que tem de haver uma saída e urgente para melhorar a péssima qualidade da educação básica no país. Acho que todos concordam, sem nenhuma contestação. Os números são na realidade vergonhosos. De chorar lágrimas de esguicho, na expressão do nosso eterno Nelson Rodrigues.
Nesse sentido, enquanto o mundo adentra a chamada Era do Conhecimento, o Brasil ainda trava batalhas dignas da Idade Média. Para tanto, basta ver, por exemplo, os últimos resultados do Enem. Eles revelam, simplesmente, o descalabro do nosso ensino, país afora. Pelo menos, é a síntese que se pode extrair dos números apresentados, cujo problema é mais grave ainda quando se verifica que o declínio vem se repetindo anualmente.
Na realidade, o levantamento mostra também outra deformação na estrutura nacional do ensino já bastante conhecida de todos que é a qualidade bem inferior hoje da escola pública em relação aos estabelecimentos particulares.
Mas as nossas dificuldades não param por aí. Confirmando que a crise está longe de acabar, em outra pesquisa recente o MEC registra que a maioria dos alunos não consegue ler e entender plenamente um texto curto. E mais, nossa taxa de reprovação só encontra paralelo nos países mais atrasados, enquanto naqueles desenvolvidos ela é praticamente zero. Assim, como se vê, além da falência do ensino médio, temos também um sistema educacional precaríssimo em sua base, quando condena já nos primeiros anos um terço dos alunos ao atraso.
Como todo mundo sabe, o desenvolvimento econômico de muitos países é o resultado de aplicações maciças em educação nas últimas décadas. A China, por exemplo, investiu o equivalente a 40% do PIB, enquanto a Índia, outro candidato a nação desenvolvida, destinou 36%. Na mesma faixa de dispêndio com o setor, situa-se a pujante economia da Coreia do Sul. No Brasil, os gastos para dinamizar o processo educativo não vão além de 21%.
Agora, é preciso saber quais as verdadeiras causas de todo esse descalabro a que chegou o ensino médio. Afinal, porque o país está nessa situação que, aliás, não é de hoje? Segundo especialistas, independentemente da reforma pretendida, o núcleo das causas da falência do sistema reside na ausência de políticas sérias de investimentos e na baixa remuneração e condições de trabalho dos professores. E tudo isso, convenhamos, fruto da omissão de governantes insensíveis que se revesam há décadas no poder, locupletando-se com a miséria e a ignorância do povo.

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