Um não rotundo
Recolhi informações de que o governador Omar Aziz não liberará nenhum centavo de acréscimo destinado às obras da chamada Arena da Amazônia, o estádio de futebol que está sendo construído no local do antigo Vivaldo Lima. As empreiteiras vinham exigindo que os valores do contrato fossem majorados via aditivos e o governador disse não, um não rotundo, definitivo, e quem quiser que se queixe ao bispo ou ao papa.
É como se nadássemos em ouro, com todos os nossos problemas resolvidos, em qualquer área. E haja esbanjamento, com essa dinheirama toda, mesmo assim, insuficiente, segundo seus construtores, para que a obra seja afinal concluída. Em discurso proferido na semana passada, em solenidade na Federação das Indústrias do Amazonas, o governador Aziz foi categórico e colocou um freio nisso tudo: ou se faz a obra com os recursos disponíveis e alocados, nos termos em que foi contratada, ou nada feito. Ainda não de todo satisfeito, foi além, ao questionar o quanto não se poderia ter feito com tantos recursos, em benefício das populações miseráveis ou mais pobres do Estado, em obras e outras iniciativas prioritaríssimas.
O cobertor do Estado reservado para investimentos é sempre curto. E, ao crescer, aumenta em progressão aritmética, sem conseguir cobrir o mínimo exigido pela população. Na outra ponta, as carências disparam sempre em progressão geométrica assustadora, em todos os setores e numa equação que não fecha nunca. Por isso mesmo, há que se discutir com seriedade o gasto público, ouvindo as camadas mais vulneráveis da sociedade, num processo de seleção de urgências, que atendam em primeiro lugar o que é absolutamente inadiável.
Com é evidente, sob a ótica ou na escala de projetos preferenciais, o Vivaldão jamais teria sido destruído para dar lugar ao Arenão. Como ressaltei tão logo o projeto foi anunciado e em inúmeras oportunidades, inclusive em audiência pública promovida pela secretaria de Planejamento do Amazonas, nos Estados Unidos, para realização da Copa naquele país, não construíram um único estádio novo. Simplesmente adaptaram seus velhos campos de beisebol às exigências da FIFA e do mais famoso certame futebolístico do mundo. Aqui, com muito maior razão, pois já dispúnhamos de um belo e moderno estádio, poderíamos ter agido do mesmo modo, como insisti neste espaço.
Bem, como sempre, fizeram ouvido de mercador. Agora é tarde e Inês é morta. O Vivaldão veio abaixo e estão aí os esqueletos dessa imitação do modelo chinês chamado de Ninho de Pássaros, rasteira como toda imitação, mas devoradora impiedosa de milhões e milhões de reais retirados do depauperado contribuinte amazonense. Um gigantesco elefante branco, como já é identificado pela mídia nacional e pela crônica esportiva do país, que não conseguirá reunir em dia de grande clássico mais do que mil ou dois mil torcedores.
Mais grave é constatar que quando não há dinheiro em caixa, proveniente de receita própria ou de repasses institucionais rotineiros, descobriu-se o filão dos empréstimos junto a instituições de crédito – BNDES e outras, daqui e do exterior –, com endividamento progressivo e incontrolável do tesouro estadual, numa roda viva financeira de efeitos extremamente danosos para as futuras gerações.
É o paraíso da insensatez.
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perfildoautor
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O autor é advogado.
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Obrigado, Amazonas!
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Que belíssimmo e verdadeiro artigo. Milhões e milhões são gastos à toa enquanto nosso estado, principalmente o interior vive na mais absoluta miséria. Que tristeza!
Uma péssima hora para se dizer não à Copa do Mundo no Amazonas. Deveria dizer não quando disputavam com o meu Pará querido, este sim, o legítimo futebol do Norte do Brasil.
O GOVERNADOR OMAR AZIZ É UM ADMINISTRADOR RACIONAL. SABE O QUE DEVE SER FEITO
Sr Figueiredo seus artigos são enriquecedores!