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Estratégia ou pesadelo?
Há alguns dias, um seleto time de jovens de diversas nacionalidades desembarcou em Manaus. Vindo do Vale do Silício, região reconhecida como berço de algumas das mais poderosas corporações de base tecnológica do planeta, o grupo era composto por trinta estudantes do programa de MBA da prestigiosa Universidade Stanford.
Convidado a recepcioná-los num esmagador banquete à base de peixes regionais, entre uma e outra costela de tambaqui, fui torpedeado com toda sorte de questionamentos acerca do nosso ambiente de negócios, mecanismos de financiamento e formação de empreendedores, dentre outras indagações e, apesar do meu esforço em enfatizar alguns dos esforços levados a cabo, não pude esconder o universo de deficiências conjunturais e estruturais que delimitam esta agenda.
Pude enumerar entraves culturais, burocráticos e educacionais. No que respeita ao primeiro, o custo social do fracasso é altíssimo. Por aqui, um empreendedor malsucedido poderá ser visto como aventureiro e logo suas chances de prosperar numa segunda iniciativa serão drasticamente reduzidas. Ademais, se o acesso ao crédito em regra já é restrito, uma startup frustrada quase sempre significa nome sujo no cartório e como consequência, um adeus a novos financiamentos.
Quando o tema é a burocracia, marca registrada das economias emergentes, relembrei que dentre os 183 países analisados pelo Banco Mundial, estamos na 120ª posição no ranking que mensura a facilidade para se abrir um negócio e na 150º posição no tópico pagamento de impostos, o que representa um grande desestímulo a novos empreendedores. Neste cenário, o Brasil privilegia quem já está no mercado e sabe jogar as duras regras do jogo em detrimento dos que se arriscam no desenvolvimento de ideias inovadoras.
Após uma breve explicação sobre o cupuaçu, que dava sabor à sobremesa, abordei o tópico educação. Ao contrário do que ocorre aos egressos de Stanford, nos falta a concepção de que o empreendedorismo é uma ciência sob as premissas da qual, a execução é mais importante que a ideia. É irrefutável que os brasileiros são inventivos. Porém, criatividade e intuição não dão lastro a uma fórmula de sucesso. A capacidade de transformar ideias inovadoras em produtos ou serviços rentáveis ainda precisa ser forjada tanto na academia quanto na sociedade.
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perfildoautor
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Mestre em Direito Público (UFSC), especialista em Direito Mobiliário (USP), Direito Internacional (ESA-SP) e Direito da Economia e da Empresa pela FGV/RJ. Foi Secretário de Planejamento e Desenvolvimento Econômico do Estado do Amazonas, tendo sido Secretário Executivo naquela Pasta, no período de 2007 a 2009. É professor universitário e atua como Notário e Registrador no Amazonas. Coordenou o projeto de preparação de Manaus como cidade-sede da Copa 2014, em que merece destaque o sistema de mobilidade urbana – Monotrilho, e Arena da Amazônia, a cargo do Governo do Estado.
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Quero neste espaço agradecer ao Cyro e ao time deste fenômeno da comunicação, que é o Diário do Amazonas pela oportunidade que me é dada, de contribuir com o universo de informação levado aos seus leitores.
Um abraço fraternal.
Parabéns, Marcelo. É sempre bom contribuir manifestando idéias e pondo opiniões.
Empreender no Brasil é um desafio ímpar pelo emaranhado da burocracia, superposição de leis, licenças, órgãos fiscalizadores, superpoderes das várias esferas do Estado contra a empresa organizada e inação contra a “empresa” não formal, mas que compete igualmente com quem paga os custos da atividade e corre os riscos do negócio.
O ambiente para empreender no Brasil é rico em oportunidades, mas é péssimo em sequelas para o empreendedor, que fica a mercê de vicissitudes legais e humores pessoais que alteram regras do jogo em andamento, etc…
Em suma, plagiando não sei exatamente quem, o Brasil não é para amadores.
Parabéns pelo artigo de estréia, parabéns ao Cyro e a toda a equipe do Diário por proporcionar aos leitores mais este espaço onde assuntos de relevância serão discutidos sob o olhar crítico e conhecedor do Marcelo.
Sobre o assunto deste artigo, contribuo dizendo que muito embora as questões burocráticas, mesmo que de maneira lenta, venham sendo revistas, as questão cultural e educacional são, na minha opinião, nossos maiores entraves. O Brasil é a sexta economia mundial e precisa investir em inovação tecnológica, em registro de patentes etc, para que assim tenhamos oportunidades para que nossos empreendedores possam alcançar o sucesso!
Parabéns pelo texto! Muito apropriado começar pelo tema do empreendedorismo.
Além de termos um ambiente desestimulante, sob o aspecto da burocracia, somos carentes de cérebros e desencorajados pela ainda alta remuneração do capital especulativo.
Tomara que a redução da taxa básica de juros e do spread dos bancos incentive o empresariado brasileiro a perder a aversão ao risco inerente à inovação.
Sds
Caro Carlos,
Há um risco de longo prazo embutido na estratégia governamental de forçar a queda de juros. Os EUA vivenciaram isto ao tornar viável o sonho da casa própria nos anos 90, redundando na bolha imobiliária que afundou aquele País. O Brasil precisa de poupança e não de consumo.
Caro Wagner,
As tuas observações são irrefutáveis. Muito obrigado.
Prezado Marcelo, seu artigo iluminou muito bem questões já conhecidas dos que tentam empreender no Brasil, e a gritante diferença para um país como os EUA.
A questão educacional merece ser melhor explorada. Além das nossas dificuldades estruturais e de formação profissional, vejo uma cultura ‘laissez-faire’ entre os estudantes e professores.
Outra questão é o intercâmbio no exterior. Quem vai para o exterior estudar num país da OCDE, por exemplo, tem uma verdadeira batalha à sua frente para conseguir “validar” o seu diploma no Brasil.
Além da questão burocrática, e cultural – bem colocadas por você – as questões trabalhista e tributária são absolutamente infanticidas para as novas empresas e seus empreendedores.
No Amazonas, por exemplo, uma empresa nova tem que pagar ICMS *adiantado* sobre as mercadorias que adquire para comercializar. Já uma empresa com mais de dois anos tem 45 dias de prazo para pagar o mesmo ICMS. Ou seja, a empresa nova é penalizada, enquanto a mais estabelecida é recompensada. Entendo que a SEFAZ deve ter seus motivos, mas a lógica é perversa pois pune justamente as empresas mais novas, e portanto mais frágeis.
Pagar os impostos em si é um parto: alguns são pagos apenas no Bradesco (estaduais), outros apenas na Caixa Econômica, ainda outros apenas no Banco do Brasil, além dos que podem ser pagos em qualquer banco.
Parabéns pela coluna. Aguardo ansiosamente as próximas edições.
Roberto
Parabens pelo comentario.O tema empreendedorismo esta na moda no Brasil,como sabemos o Governo Federal tem recursos para promover prgramas de empreendedorismo e inovaçao executado por orgaos e entidades nacionais,que se preocupam mais em registrar estatisticas quantitativas e nao qualitativas,sem promover a implantaçao de uma cultura empresarial.Quanto ao acesso ao credito é uma barreira em que pese o BNDES disponibilizar recursos,porem os agentes financeiros colocam dificuldades,exigindo garantias reais que os tomadores nao
possuem,o que inviabiliza a execuçao do projeto no primeiro momento,dai se o empreendedor nao estiver preparado desiste de imediato.Precisamos identificar os gargalos desses programas e cobrar mais açao dos orgaos e entidades responsaveis.Na Europa e nos USA o empreendedorismo e programas de inovaçao sao levados a serio e cobrados pela sociedade.
Marcelo
Li atentamente.
Concordo com vc em vários comentários, burocracia e falta de suporte creio que são grandes “atrasadores” desta evolução.
Porem temos avanços. O SEBRAE por exemplo é um grande facilitador para empreendedores no sentido mais comum.
O que fica realmente prejudicado é o ambiente de inovação empreendedora, dia a dia das empresas, não parece ser algo entendido ainda pelas autoridades e ou educadores, não há estratégia a respeito.
Vale do Silício, e como tudo na vida, é um exemplo grande de erros e acertos no tema.
Saindo do nosso estado o melhor ambiente que conheço para inovação esta em Sta Catarina um berço de empresas chamadas de tecnologia ( que descordo um pouco ainda do termo quando aplicado em TI na área de software) mas, la existem grandes evoluções ligadas a UFSC e varias empresas de software, incubadoras, centros de excelência, pesquisadores e bases para ambientes assim se desenvolverem.
Quando olho para nosso estado, vejo vocações claras ligadas a industria, campos como produtividade/sistemas produtivos/qualidade e desenvolvimento de recursos humanos, isto sem falar em serviços como turismo deveriam ter aqui um celeiro de suporte de inovação e técnicas mas – não acontece. Por outro lado, dado a infra e vocação creio que Tecnologia no sentido TI dificilmente decolaria por pura falta de mercado e por logística. Logística em serviços? Sim estar fora dos grandes centros, e bem longe, sempre será um problema.
Só para ficar no tema – logística deveríamos ser os melhores mas a única inovação que vi foi a da Honda com suas balsas customisadas. Todo o resto faz a mesma logística de sempre. Existem enorme oportunidades nesta área, deveria ser foco de investimento e estudos, o poder de alavancagem é estúpido mas…………
Durante anos ouvi falar que o Brasil era o pais do futuro – acho que chegou o futuro . Nosso Estado ainda é o Estado do futuro.
Abraços
Armando E Valle