Abaixo da lei
Por que algumas pessoas se “acham” acima da lei? O que as faz sentir tão poderosas, para se colocarem “acima” dos demais mortais?
É fato que nossa sociedade possui como componente cultural uma espécie de nostalgia monárquica. E essa fantasia psicológica coletiva não está apenas nos sonhos de moças pelo “príncipe encantado”, mas também na visão de um mundo mais belo e encantador.
Claro que tudo isso pertence ao território do imaginário, porque qualquer estudioso da História sabe que as monarquias do passado representavam regimes de cruel exploração dos membros subalternos da sociedade, principalmente a plebe.
Outros povos resolveram razoavelmente essa tendência perigosa de “fantasiar” a realidade. Na Inglaterra e em países como a Suécia, Dinamarca e Espanha, os monarcas são símbolos da nação, porque representam o orgulho por sua história e o respeito às tradições e à lei. Nesses países, em que subsiste a monarquia, a sociedade se comporta de modo mais republicano do que no Brasil. O soberano reina, mas não governa.
Aqui, quando elegemos um presidente, um governador ou um prefeito, parece que foi escolhido um “rei” ou “reizinho” temporário e passa-se a reverenciá-lo, aceitando que possa até desrespeitar as leis. E o pior é que muitos de seus seguidores também incorporam o antigo espírito da nobreza, achando que estão acima das leis e que podem fazer tudo, desde que não desagradem ao soberano todo poderoso.
Evidente que a população precisa entender melhor essa situação, parando de se comportar como súditos, até mesmo de certos programas de televisão. Por outro lado, os governantes também devem se libertar da “aura” de salvadores da pátria e iluminados acima do bem e do mal. Só assim compreenderão que o dever de liderar inclui o respeito à ética e às leis e que eles representam os interesses, direitos e deveres de toda a sociedade!
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perfildoautor
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Luiz Castro, ex-prefeito do município de Envira e ex-secretário de Produção Rural, é hoje deputado estadual pelo PPS e preside a Comissão de Meio Ambiente da Assembléia Legislativa do Estado.
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Perfeita análise.O sentimento deveria ser invertido, o governante é que seria súdito da população, pois é desta que vem o seu mandato e deveria ser cumprido com honestidade e transparência para o bem da coletividade.