Muito a fazer
Lisboa – A presidente Dilma Rousseff anunciou, em Manaus, seu apoio à prorrogação, por 50 anos (até 2073) dos incentivos fiscais que amparam a Zona Franca. Trata-se de uma boa notícia, embora de pouco efeito, se certas providências não começarem, de pronto, a ser adotadas.
Concomitantemente, é preciso repactuar o modelo, envolvendo os governos, os parlamentares, os empresários, os trabalhadores, a comunidade científica. E partir, sem delongas, para o investimento em infraestrutura, inovação e formação de mão de obra.
Se esses cálculos estiverem corretos, o polo de duas rodas do Distrito Industrial poderá ficar congelado ou, até, perder empresas para outros centros. A menos que a desvantagem logística seja amenizada com a estruturação aeroportuária, a preparação de hidrovias, a saída terrestre para o resto do País, a desburocratização, o investimento maciço em inovação e especialização da força de trabalho.
A prorrogação, enquanto medida isolada, não será capaz de deter a marcha descendente da Zona Franca de Manaus. É urgente e inadiável, porém insuficiente para estancar a sangria.
Sou autor de uma PEC, aprovada no Senado e tramitando na Câmara, que prorroga o modelo por 10 anos (até 2033); de outra, que se encontra misteriosamente parada na Comissão de Justiça do Senado, propondo a prorrogação por meio século, e ainda de uma terceira emenda, estendendo os incentivos fiscais a todos os municípios da Região Metropolitana. A presidente Dilma nem precisaria inventar instrumento novo para obter a prorrogação: bastaria não discriminar a ideia de um adversário e colocar o interesse público em primeiro lugar.
Parti para todas essas medidas legislativas por entender que a extensão temporal dos incentivos contribuirá para criar clima de mais segurança para as empresas que estão instaladas e para as que venham a se instalar no PIM. E sempre alertei que o ataque aos gargalos de infraestrutura e o investimento em inovação e qualificação de mão de obra seriam essenciais para que o parque industrial de Manaus sobrevivesse e mantivesse a perspectiva de futuro.
Não está certo, definitivamente, é com uma das mãos propor a necessária prorrogação e, com a outra editar uma MP, como a que nos tirou os tablets.
Deixe uma resposta
Serão rejeitadas mensagens que desrespeitem a lei, apresentem linguagem ou material obsceno ou ofensivo, sejam de origem duvidosa, tenham finalidade comercial ou não se enquadrem no contexto do d24am.com. A responsabilidade pelos comentários é exclusiva dos respectivos autores.
perfildoautor
-
O autor é senador pelo PSDB.
-
Últimas do blog
Carta ao governador
(102) comentarios -
SERÁ O FIM DO EXAME DE ORDEM?
(55) comentarios -
Desagravo a Manaus
(49) comentarios -
É dever cívico se pronunciar sobre as mazelas públicas
(34) comentarios -
“Monotrilho: uma roubada!”
(30) comentarios -
Passaram-se mais de 300 anos e quase nada mudou...
(9) comentarios -
Obrigado, Amazonas!
(11) comentarios -
Lei é Lei?
(3) comentarios Links


Quem dera tivéssemos senadores de verdade atualmente, como o Senador Arthur.
Estou fora de MANAUS a aproximadamente 18 anos e, me lembro quando o Sr ARTUR dizia que iria defender e proteger a Cidade e o Estado e, assim o tem feito e espero que continue por muitos anos. Obrigado.