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Belo Discurso
Dilma foi incisiva a defesa do direito do Brasil de integrar, de forma permanente, o Conselho de Segurança do organismo internacional.
É preciso reconhecer: o discurso da presidente Dilma Roussef, na abertura da Assembleia Geral da ONU, foi uma espinafração muito bem dada na arrogância dos países ditos desenvolvidos, principalmente nos Estados Unidos que, com sua psicose de xerifes do mundo, não têm medidas para usar a força bruta, intervindo na soberania alheia se e quando lhes apraz.
Disse a brasileira: “Repudiamos com veemência as repressões brutais que vitimam populações civis. Estamos convencidos de que, para a comunidade internacional, o recurso à força deve ser sempre a última alternativa. A busca da paz e da segurança no mundo não pode limitar-se a intervenções em situações extremas”. Nada mais correto. É de todos sabido que a economia americana sobrevive, principalmente, em razão de sua indústria bélica. O que nem todos sabem é que, num círculo vicioso perverso, aquele país cata guerras com lentes de aumento, exatamente para fomentar o desenvolvimento e a sustentação das fábricas de armas. Foi assim no Iraque, quando o infeliz Bush mentiu ao mundo, ao justificar a invasão militar com o pretexto de que ali haviam sido encontradas armas de extermínio em massa. Privilegiada, por ter sido a primeira mulher do mundo a ocupar a tribuna naquelas condições, Dilma apelou para a sensibilidade, quase poesia e, logo no início, com ênfase, afirmou: “Divido esta emoção com mais da metade dos seres humanos deste planeta, que, como eu, nasceram mulher, e que, com tenacidade, estão ocupando o lugar que merecem no mundo. Tenho certeza, senhoras e senhores, de que este será o século das mulheres. Na língua portuguesa, palavras como vida, alma e esperança pertencem ao gênero feminino. E são também femininas duas outras palavras muito especiais para mim: coragem e sinceridade. Pois é com coragem e sinceridade que quero lhes falar no dia de hoje”. Belo, indiscutivelmente belo, e homenagem mais que merecida às mulheres do planeta inteiro, que ainda não viram realizados seus anseios de igualdade social.
Foi incisiva a defesa do direito do Brasil de integrar, de forma permanente, o Conselho de Segurança do organismo internacional. Assim falou a nossa governante: “O Brasil está pronto a assumir suas responsabilidades como membro permanente do Conselho. Vivemos em paz com nossos vizinhos há mais de 140 anos. Temos promovido com eles bem-sucedidos processos de integração e de cooperação. Abdicamos, por compromisso constitucional, do uso da energia nuclear para fins que não sejam pacíficos. Tenho orgulho de dizer que o Brasil é um vetor de paz, estabilidade e prosperidade em sua região, e até mesmo fora dela”. Impossível deixar de mencionar a franqueza com que foi abordada a questão do Oriente Médio, onde o imperialismo americano tem sido um óbice à paz. Assim ficou dito: “O reconhecimento ao direito legítimo do povo palestino à soberania e à autodeterminação amplia as possibilidades de uma paz duradoura no Oriente Médio. Apenas uma Palestina livre e soberana poderá atender aos legítimos anseios de Israel por paz com seus vizinhos, segurança em suas fronteiras e estabilidade política em seu entorno regional”.
Valeu a pena. Torço para que a presidente consiga realizar internamente os ideais que, com acerto e propriedade, expôs ao mundo. Até mesmo porque, assumindo seu passado, ela declarou: “Como mulher que sofreu tortura no cárcere, sei como são importantes os valores da democracia, da justiça, dos direitos humanos e da liberdade”.
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perfildoautor
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O autor é advogado e professor universitário.
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É importante reconhecermos quando nossos governantes nos representam bem, melhor ainda quando este é esta. Foi emocionante e histórico. Viva Dilma, viva as mulheres!