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Problemas de memória

Na Universidade de Yale, os cientistas iniciaram os testes clínicos com uma substância chamada guanfacina.

O objetivo é diminuir os problemas de memória ocorrentes nos velhos e nas velhas, de todos, enfim, que entram nesta fase chamada por algum cretino, com exacerbado senso de humor negro, de melhor idade. A explicação é complicada para os leigos como eu. Parece que, com o tempo, o organismo diminui a produção da substância, causando disfunções no córtex pré-frontal, seja lá o que signifique essa expressão de conteúdo nitidamente esotérico.

Sei, por experiência própria e pela convivência com os do meu tope (como se dizia nos longínquos tempos de infância), como podem ser no mínimo desagradáveis os lapsos de memória. Meu irmãozinho Alfredo Cabral, um dos mais revoltados com a inclemência e com a crueldade do passar dos anos, não consegue gravar as regras elementares para o uso eficiente de seu computador, o que leva à loucura seu colega de escritório, Seraphim Meirelles. Alfredo, na esteira do tio do meu amigo sargento Hygino, diz que pretende morrer deixando saudades e não, alívio. E não quer nem ouvir sobre a possibilidade de passar pelo constrangimento do velho que, ingerido o Viagra e resolvido o problema, teve que tomar um reforço para se lembrar qual a utilidade do órgão sobre o qual o remédio atuara. Estava criado o Viagra-plus.

Em casa, assisto diariamente às angústias de minha companheira de tantos e tantos anos. Ela detém a medalha de ouro em esquecimento do celular e desfruta de posição privilegiada no ranking de perda das chaves e de deixar lâmpadas ligadas desnecessariamente. Só não esquecemos, nem ela nem eu, da obrigação quase sagrada de paparicar os netos que, conscientes de sua onipotência, desfrutam de nossas caduquices. São soberanos. Quase soberbos.

O reforço da tal guanfacina pode melhorar esse quadro. Mas, convenhamos, os cientistas poderiam requintar suas pesquisas de tal maneira que a substância não tirasse do esquecimento senão aquilo estritamente necessário. Nenhuma necessidade existe, por exemplo, de lembrar a raiva que todos sentimos quando tentamos uma ligação pelo celular e aquela voz antipática informa que “não foi

  1. Talvez, as muitas informções que nosso organismo processa, acabam sobrecarregando nosso sistema, e isto deixa nosso celebro ocupado demais, deixando as tarefas mais simples da vida de lado. Quem sabe podemos excluir certos dados que se acumulam e deixam nossa memoria mais lenta ou mais

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