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A Comissão da Verdade
Durante todos esses anos, familiares de desaparecidos políticos clamaram por informações sobre o paradeiro de seus filhos e parentes, sem qualquer resposta.
Decorridos 26 anos de democracia, já é tempo suficiente para o País conhecer o que ocorreu nos porõesdaditadura, como fizeram os nossos vizinhos. Mas parece que agora, finalmente, o Congresso vai instalar a tão esperada Comissão da Verdade, à qual deverá reconstituir todos aqueles tristes acontecimentos de umpassado tenebroso.
Durante todos esses anos, familiares de desaparecidos políticos clamaram por informações sobre o paradeiro de seus filhos e parentes, sem qualquer resposta.
Querem saber pelo menos onde estão enterradas centenas de vítimas do regime militar que até hoje ninguém sabe. Essas pessoas nãotêm, portanto, sequer o direito natural de chorar, honrar e enterrar seus entes queridos com dignidade. E mesmo com a Lei 9.140/95, que criou a Comissão Especial sobre Desaparecidos quase nada se conseguiu diante de muitas dificuldades encontradas.
Em 1990, por exemplo, no Cemitério de Perus (SP) foram encontradas as ossadas de Frederico Mayr e de Denis Casemiro. No Araguaia, em 1991,foi exumado o corpo de Maria Lucia Petit da Silva. São fatos que demonstram como muitos foram enterrados clandestinamente, enquanto outros, segundo alguns relatos, teriamsido jogados nomar.
Na verdade, convenhamos, o Brasil precisa avançar no esclarecimentode um dos períodos mais nebulosos da sua história, que não pode nem deve ser ocultado.Aliás, nunca nossos governantes se preocuparam em investigar a responsabilidade de torturadores, como éocaso, por exemplo, da ditadura Vargas, onde também ninguém foi processado e exemplarmente punido.
Desnecessário dizer ainda que não se trata de revanchismo ou a reabertura de antigas feridas, como falam alguns, mas apenas desejo de justiça contra aqueles que praticaram crimes tão bárbaros contra pessoas indefesas. Na época, milhares de estudantes, artistas e intelectuais foram sequestrados, levados para cárceres clandestinos, mantidos incomunicáveis, torturados e mortos.Além de outros forçados ao exílio, como Caetano Veloso e Gilberto Gil.
Afinal, há de se perguntar: quem tem medo da verdade? Porque tantos temem o passado? Umpassado que hoje já pertence a história. Um período triste e tenebroso que não deve ser esquecido, principalmente para conhecimento dos mais jovens. Só quem realmente viveu durante aqueles anos de terror, marcados pelo autoritarismo, supressão das garantias constitucionais, perseguição policial e censura aos meios de comunicação, pode de fato dizer o queé uma ditadura militar.
Por isso,é preciso sim que esses arquivos sejam abertos e a verdade dos fatos revelada à sociedade. Seria uma oportunidade para que os torturadores pudessem reconhecer publicamente as violências que cometeram e até hoje não foram punidos.
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perfildoautor
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O autor é desembargador do TJAM.
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Excelente artigo! O Brasil necessita e, acima de tudo, MERECE uma Comissão da Verdade, sobretudo, para que as novas gerações conheçam o sacrifício de muitos brasileiros que lutaram e deram suas vidas para que hoje pudessemos viver em um país livre!