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CPMF

Para mim está sendo difícil adjetivar essa conversa de restauração da CPMF. Pode ser que isso decorra das minhas naturais e conhecidas limitações. Não sou tributarista, nem frequento os labirintos do poder, onde a trama está sendo urdida a partir, segundo a imprensa, da sugestão de alguns governadores, eleitos ou reeleitos.

Mas é pouco importante saber quem pariu a ideia. Qualquer que seja o autor, há de ter sofrido um momentâneo descontrole intestinal, situação em que, como todo ser humano já experimentou, é quase impossível exercer domínio sobre o funcionamento do organismo. E, então, que todos saiam de perto.

Pelo que me lembro a questão não chegou a ser discutida durante a recente campanha para as eleições presidenciais. Petistas e tucanos mantiveram silêncio sepulcral sobre o assunto. Convenhamos que é esquisito. Se se trata de uma exigência premente do Tesouro, a disputa de tão relevante cargo deveria ter determinado aos postulantes sua explanação para que nós outros pudéssemos avaliá-la. Nada vezes nada. Os debates, chatos e repetitivos, ficaram limitados aos conhecidos e cansados chavões.

É para melhorar as condições de funcionamento dos serviços referentes à saúde pública, dizem os arautos da restauração. Mas isso é ridículo. Simples conversa de onça, ou, se quiserem, de bêbado para delegado. A saúde pública no Brasil sempre foi ruim. Era antes da CPMF, continuou a ser durante a sua vigência e em nada mudou depois que ela foi extinta.

O sítio Migalhas assim abordou o assunto: “O consumidor, coitado, não percebe que é ele, no fim, que fica prejudicado, pois toda a CPMF que o empresário paga, nas idas e vindas com os fornecedores, enfia no preço do produto, e ele [consumidor], na ponta, paga duas vezes (no custo do produto, e quando desembolsa o valor da compra). Haja ridicularia”.

Eis aí uma ótima sugestão para o adjetivo de cuja falta me ressenti no começo destas mal traçadas. A coisa é mesmo ridícula. Não creio, entretanto, que seja só isso. Assume ares de agressão violenta e desmotivada, pegando no contrapé toda a população brasileira que, expressamente ou não, respirou aliviada quando o Congresso que ora se despede pôs fim ao escorchante tributo.

Parece que está faltando ao nosso povo a capacidade de indignação. Ofendem-nos por todas as formas e maneiras, sobre nós tripudiam como se fôssemos dócil rebanho, caminhando ao toque do cajado do pastor. É lamentável. Muito lamentável. Por isso, tivesse eu que acrescentar algo ao ridículo de que falei, diria que a ressurreição da CPMF é, de fato, ridícula, mas, acima de tudo, é uma ideia sem-vergonha, e de uma sem-vergonhice escrachada.

MARINILDES – A compulsória colheu a desembargadora Marinildes Costeira de Mendonça Lima. Que pena! Conheço-a desde os bancos da velha Jaqueira e, advogado que sou, posso e devo dar testemunho de que exerceu a magistratura com dignidade, sem arrogância e sem juizite. Será uma ausência muito sentida.

Félix Valois escreve às sextas-feiras para o jornal Diário do Amazonas.

  1. VANIA TADROS says:

    CONCORDO CONTIGO FÉLIX VALOIS. LANCEMOS A CAMPAMHA: INDIGNAÇÃO JÁ!

    TAMBÉM CONCORDO CONTIGO A CERCA DA DESEMBARGADORA MARINILDES MENDONÇA LIMA.NOTA MIL PARA A SUA CARREIRA

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perfildoautor

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