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Ópera da maledicência

A disputa pela presidência da República no segundo turno, pelo mau gosto das intrigas, bate recordes seguidos de indiferença popular e as estimativas de abstenção são as mais elevadas.

Devem beirar os 40%, segundo cálculos realistas dos analistas de plantão. Pior para a reputação e representatividade dos candidatos, é claro. Eles se recusaram a entender que as estratégias de baixo nível, adotadas por seus marqueteiros, repugnam o bom senso e frustra a expectativa de discussão dos verdadeiros problemas brasileiros. Chegamos a tal grau de banalização da futrica, que os ministros do Tribunal Superior Eleitoral cogitam intervir no formato e nas regras dos debates na TV daqui por diante. A tendência é regulamentar o conteúdo dentro de parâmetros mais civilizados e programáticos. Ufa!

Não escapou à mídia internacional essa distorção. No fim-de-semana, o inglês Financial Times qualificou o segundo turno de “campanha frívola” e cobrou mais objetividade e clareza de propostas dos candidatos para a política fiscal que irão adotar. O Brasil e o mundo estão interessados em saber como os candidatos – à luz das “problemáticas contas públicas do país” – pretendem enfrentar o agravamento das condições econÃ?micas globais provocadas pela política monetária expansionista dos países centrais, à frente os Estados Unidos. No debate da Record/A Crítica, a troca de insultos fazia lembrar a “frivolidade” do reality show que a emissora exibira na programação anterior. Lastimável.

Inexiste uma avaliação rigorosa, sequer o mea culpa dos candidatos, para os índices constrangedores do país em saúde, educação, moradia e segurança, sem falar em infraestrutura para suportar o aumento das taxas de crescimento. Juntos, afinal, eles representam os 16 últimos anos de governo federal. Temos cutucado as mazelas da infraestrutura regional, onde os programas de aceleração do crescimento adotaram o padrão ora gnomo, ora quelÃ?nio, de implantação. Resta-nos apostar e cobrar mobilização de nossa representação local e regional no Congresso Nacional, onde as articulações eleitoreiras e as políticas de ocasião precisam dar lugar ao debate objetivo, consistente e contundente das questões nacionais e locais, um artigo em escassez na ópera da maledicência em que se transformou o debate preside ncial. Para os males da Democracia, porém, só existe um remédio: mais Democracia!

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